Grupo de planetas que não orbitam nenhuma estrela é encontrado perto do Sol

Grupo de planetas que não orbitam nenhuma estrela é encontrado perto do Sol

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 22 de Dezembro de 2021 às 13h00
ESO/M. Kornmesser

Cerca de 70 novos planetas sem nenhuma estrela para orbitar foram descobertos por uma equipe de astrônomos. Eles pertencem à categoria de mundos apelidada de errantes, ou nômades, e vivem na escuridão eterna do universo sem nenhum “sol” para iluminá-los e aquecê-los.

Até agora, não havia muitos planetas nômades conhecidos, porque eles são especialmente difíceis de se detectar. Isso porque os métodos mais eficientes para se descobrir exoplanetas dependem da luz de suas estrelas anfitriãs.

Como os planetas errantes foram encontrados

Representação artística de um planeta errante (Imagem: Reprodução/ESO/M. Kornmesser)

Com dados de vários telescópios do European Southern Observatory (ESO), como o Very Large Telescope (VLT), Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy (VISTA), e o VLT Survey Telescope (VST), os astrônomos conseguiram detectar a tênue luminosidade emitida pelos próprios planetas.

Essa luminosidade ocorre graças à idade destes mundos — apenas alguns milhões de anos se passaram desde suas formações, então eles ainda estão quentes o suficiente para brilharem nas lentes de telescópios muito sensíveis. Além disso, foram necessários dados que cobrem um intervalo temporal de 20 anos.

Com todas essas informações, os cientistas conseguiram medir os movimentos, as cores e as luminosidades “de dezenas de milhões de fontes numa enorme área do céu”, explica Miret-Roig, astrônoma no Laboratoire d’Astrophysique de Bordeaux, França, e primeira autora do artigo. “Essas medições nos permitiram identificar de forma segura os objetos mais tênues desta região, os planetas livres”.

Características e incertezas sobre os errantes

Nesta imagem, há 170 objetos candidatos a planeta errante (Imagem: Reprodução/ESO/N. Risinger)

O conjunto de 70 planetas errantes, com massas comparáveis à de Júpiter, é de longe o maior conjunto de mundos desse tipo já descobertos. Eles ficam numa região de formação estelar próxima do nosso Sol, na direção das constelações do Escorpião e de Ofiúco. Contudo, o número exato de novos planetas errantes é difícil de determinar, pois as observações não permitem medir as massas dos objetos.

Para que um desses objetos possa ser classificado como planeta, sua massa deve estar abaixo de 13 vezes a massa de Júpiter, então nem todos podem entrar no catálogo. Mas como não foi possível obter a massa dos corpos, há um grau de incerteza na quantidade de errantes. Outro fator que aumenta a incerteza é a imprecisão da idade da região estudada.

Com isso, a estimativa é que existam entre 70 e 170 planetas nômades na região. Para obter informações mais precisas, os astrônomos terão que esperar os próximos observatórios, como o Extremely Large Telescope (ELT), que deverá começar a operar no final desta década.

Fonte: ESO

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