Gelo vulcânico pode ser fonte de água para astronautas na Lua

Gelo vulcânico pode ser fonte de água para astronautas na Lua

Por Danielle Cassita | Editado por Rafael Rigues | 18 de Maio de 2022 às 13h30
viledevil/Envato

Antigos vulcões na Lua podem ter formado lençóis congelados que podem chegar a algumas centenas de metros de espessura, servindo como reservas importantes de água para futuros astronautas que estiverem em missões em nosso satélite natural. As descobertas vêm de um estudo de pesquisadores da Universidade do Colorado, que acreditam que grande parte desse gelo vulcânico pode ainda existir.

Há bilhões de anos, a superfície lunar foi coberta por lava quente liberada por uma série de erupções vulcânicas; com o tempo, a lava esfriou e criou as formações escuras que observamos hoje em nosso satélite natural. Assim, no estudo, os autores trabalharam com simulações para tentar recriar as condições da Lua em um passado remoto, antes mesmo do surgimento de vida complexa na Terra.

Esquema da distribuição da água nos polos sul e norte da Lua; o gelo aparece em azul (Imagem: Reprodução/NASA)

Eles descobriram que os antigos vulcões lunares expeliram também grandes quantidades de vapor d’água, que se acomodaram na superfície e formaram reservas de gelo; segundo as estimativas do grupo, quase 41% da água pode ter se condensado e formado gelo, que pode estar escondido em crateras lunares. “É possível que, a 5 ou 10 metros abaixo da superfície, existam grandes lençóis de gelo”, disse Paul Hayne, coautor do estudo.

Este estudo se soma a outros anteriores, que apresentaram evidências de uma quantidade maior de água na Lua do que os cientistas acreditavam anteriormente — tanto que, em um trabalho anterior de Hayne e seus colegas, eles estimaram haver milhares de quilômetros quadrados na superfície lunar capazes de reter e conservar o gelo; estas regiões estariam presentes, principalmente, perto dos polos sul e norte.

A quantidade de gelo formada por este processo pode ser tão grande que, se já existissem humanos na época, seria possível ver calotas polares daqui da Terra — para entender a dimensão disso, considere que a equipe calculou que a quantidade de água vulcânica que se condensou como gelo no período pode ser maior que aquela do lago Michigan, nos Estados Unidos, com volume acima de 4.500 km³ de água.

É possível que grande parte da água lunar ainda exista hoje, congelada. Entretanto, a maioria do gelo provavelmente se acumulou perto dos pólos da Lua, enterrado sob alguns metros de regolito (o nome dado à poeira lunar). Por isso, os autores destacam que este é um motivo importante para astronautas ou até robôs irem ao nosso satélite natural, para iniciar as buscas. “Precisamos realmente perfurar e procurar este gelo”, ressaltou Andrew Wilcoski, autor principal do estudo.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista The Planetary Science Journal.

Fonte: The Planetary Science Journal; Via: Phys.org

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