Galáxia sobrevive a buraco negro faminto e produz cem estrelas por ano

Por Daniele Cavalcante | 27 de Novembro de 2020 às 19h40
NASA/ Daniel Rutter
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Astrônomos estão repensando a atual compreensão sobre como as galáxias evoluem. É que a NASA descobriu uma galáxia que não apenas sobrevive ao banquete de um buraco negro supermassivo se alimentando de suas estrelas, como também cria novas estrelas em ritmo acelerado. Isso vai contra todos os modelos científicos atuais.

Até então, os pesquisadores cogitavam que um buraco negro muito ativo acaba devorando tanto material ao seu redor que consomem toda a sua galáxia hospedeira. É neste processo intenso, inclusive, onde nascem os quasares — um dos objetos mais brilhantes do universo. Mas a galáxia encontrada está sobrevivendo a um grande buraco negro e continua a gerar cerca de 100 estrelas do tamanho do Sol por ano.

Foi através do SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy), o telescópio da NASA que voa em um avião, que os cientistas observaram a galáxia chamada CQ4479. O novo estudo, publicado no Astrophysical Journal, pode trazer uma nova compreensão sobre a formação e evolução das galáxias no universo.

Ilustração da galáxia CQ4479 (Imagem: Reprodução/NASA/Daniel Rutter)

Esta galáxia fica a mais de 5,25 bilhões de anos-luz de distância, mas o brilho de seu quasar pode ser descoberto recentemente por Allison Kirkpatrick, coautor do novo estudo. Este quasar é do tipo “frio”, ou seja, seu o buraco negro ainda está se alimentando com o material de sua galáxia hospedeira, mas a energia resultante do quasar não destruiu o gás frio da região. É por isso que as estrelas podem continuar nascendo — afinal, elas são feitas desse mesmo gás.

Embora Kirkpatrick tenha anunciado a descoberta dos quasares frios em 2019, esta é a primeira vez que os astrônomos tiveram a oportunidade de olhar para um deles com detalhes. Isso permite calcular características como o crescimento do buraco negro, a taxa de nascimento de estrelas e quanto gás ainda sobrou para continuar a formação estelar. Se o processo continuar no ritmo atual, “o buraco negro e as estrelas ao seu redor triplicarão de massa antes que a galáxia chegue ao fim de sua vida”, disse Kevin Cooke, que liderou o estudo.

Tudo isso parece bem surpreendente até mesmo para os cientistas que conduziram a pesquisa. É que as teorias atuais preveem que a energia do quasar aquece ou expulsa o gás frio necessário para criar estrelas, causando assim o fim do crescimento da galáxia. Resta agora continuar vasculhando o espaço com o SOFIA para saber se — e quantas — galáxias como esta existem por aí.

Fonte: NASA

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