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Furacão espacial é observado acima do Polo Norte pela primeira vez

Por| Editado por Patricia Gnipper | 05 de Março de 2021 às 11h00

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Qing-He Zhang/Shandong University
Qing-He Zhang/Shandong University

Pela primeira vez, um furacão espacial foi observado na alta atmosfera da Terra. O fenômeno possui grande semelhança com a estrutura dos furacões já conhecidos por todos, aqueles que ocorrem na baixa atmosfera terrestre, mas esse é formado por plasma e, em vez de chover água, chove elétrons.

Para fazer a descoberta, uma equipe internacional de cientistas, liderada pela Universidade de Shandong, na China, analisou observações feitas por satélites em 2014 e percebeu um furacão de longa duração na ionosfera polar e magnetosfera com grande energia, mas extremamente silencioso em condições geomagnéticas.

Através dos dados analisados, foi possível criar uma imagem 3D da massa rodopiante de plasma, com cerca de um quilômetro de largura e centenas de quilômetros acima do Polo Norte com a chuva de elétrons.

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Segundo o principal autor da pesquisa, o professor Qing-He Zhang: “essas características também indicam que o furacão espacial leva a uma grande e rápida deposição de energia e fluxo na ionosfera polar durante uma condição geomagnética extremamente silenciosa”. Essa observação pode indicar que os atuais indicadores de atividade geomagnética não representam adequadamente a atividade dramática dentro dos furacões espaciais, “que estão localizados mais em direção aos polos do que os observatórios de índices geomagnéticos", aponta.

Até então, a existência de furacões de plasma era incerta. O professor Mike Lockwood, cientista espacial da Universidade de Reading, disse que "até agora, era incerto que furacões de plasma espacial existissem, então provar isso com uma observação tão impressionante é incrível". Ele acrescenta: “tempestades tropicais estão associadas a grandes quantidades de energia, e esses furacões espaciais devem ser criados por uma transferência extraordinariamente grande e rápida de energia eólica solar e partículas carregadas para a atmosfera superior da Terra”.

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A existência desse fenômeno em Marte, Saturno e Júpiter já foi observada, mas apenas em baixa atmosfera. Assim como nas profundezas da superfície solar, encontramos os tornados solares. Se existe plasma e campos magnéticos na atmosfera de outros planetas, é provável que furacões espaciais sejam um fenômeno comum no universo. O furacão analisado estava girando no sentido anti-horário, com vários braços espirais e atingiu cerca de oito horas até se dissolver gradualmente.

O grupo de cientistas da China, EUA, Noruega e Reino Unido usou dados obtidos por quatro satélites DMSP (Defense Meteorological Satellite Program) para produzir a imagem em 3D da magnetosfera. Conforme apontado pelo professor Zhang, o estudo sugere que ainda existem intensos distúrbios geomagnéticos locais, além de depósitos de energia, que são semelhantes às super tempestades. Para ele, essas novas informações podem atualizar nossa compreensão do processo entre vento solar-magnetosgera-ionoesfera sob condições geomagnéticas bem silenciosas.

"Além disso, o furacão espacial levará a importantes efeitos do clima espacial, como o aumento da resistência de satélites, distúrbios nas comunicações de rádio de alta frequência (HF) e o aumento dos erros na localização de radares além do horizonte (Over-the-horizon radar), navegação por satélite e sistemas de comunicação."

O artigo que detalha todos os dados e análises da descoberta pode ser acessado na Nature Communications.

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Fonte: Space Daily