Fim de uma era: nave Dragon da SpaceX encerra sua última missão

Por Daniele Cavalcante | 09 de Abril de 2020 às 12h20
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Na última terça-feira (7), a SpaceX encerrou com sucesso a 20ª e última missão da Dragon, a espaçonave de transporte que reabastece a Estação Espacial Internacional (ISS) desde 2012. Ao soltar a nave do braço robótico da estação às 10h06 (horário de Brasília), a empresa chega ao fim de uma era - e o início de outra.

Cerca de seis horas após deixar a estação espacial, a Dragon CRS-20, que realizou três viagens de reabastecimento à ISS, mergulhou no Oceano Pacífico, perto da costa de Long Beach, Califórnia, trazendo consigo 1.950 kg de amostras científicas e equipamentos. No total, a Dragon realizou 20 missões de transporte de carga para a NASA, cumprindo um contrato de US$ 1,6 bilhão com a agência espacial.

Agora, a SpaceX usará uma nova espaçonave para realizar esse tipo de missão - uma versão de carga da Crew Dragon, que foi desenvolvida para astronautas. Esse novo veículo será capaz de atracar automaticamente, ao contrário da agora aposentada Dragon, que precisava de um braço robótico controlado por um astronauta da ISS para prendê-la à estação.

Para as próximas missões de transporte de carga, a SpaceX estará sob um novo contrato com a NASA, chamado Commercial Resupply Service 2. Além de abrir mão do braço robótico da ISS, a nova nave também trocará os painéis solares em forma de asa por painéis acoplados no casco do módulo de serviço. Enquanto a Dragon tinha o limite de três reutilizações, espera-se que a nova versão seja capaz de voar pelo menos cinco vezes.

O que a Dragon trouxe à Terra

As pesquisas científicas que Dragon trouxe à Terra incluem os resultados da BioNutrients, que demonstram uma tecnologia que permite a produção de nutrientes necessários durante missões espaciais de longa duração, tais como uma viagem de vários anos na Lua ou em Marte.

Além disso, vieram as pesquisas para imprimir órgãos humanos no espaço, realizadas pelo BioFabrication Facility (BFF), que buscou dar os primeiros passos na impressão de órgãos e tecidos em microgravidade, na ISS. Outro estudo semelhante cujos resultados foram trazidos pela Dragon utilizou tecidos do coração feitos a partir de células-tronco para saber mais sobre os efeitos cardíacos em viagens de longa duração no espaço.

Amostras da pesquisa com espécies microbianas e sua formação de biofilmes também vieram na Dragon. Os biofilmes são conjuntos de um ou mais tipos de microorganismos - incluindo bactérias, fungos e protistas - que crescem em superfícies molhadas. Um melhor controle dos biofilmes pode ajudar a manter uma espaçonave tripulada e proteger a saúde e a segurança dos astronautas.

Fonte: NASA, Space.com

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