Explosão estelar ocorrida há 350 anos foi bem mais energética do que se esperava

Por Danielle Cassita | 30 de Novembro de 2020 às 12h20
International Gemini Observatory/NOIRLab/NSF/AURA

Em 1670, a explosão da estrela CK Vulpeculae foi registrada pelo astrônomo Voituret Anthelme. Desde então, astrônomos vêm tentando entender o que poderia ter causado o fenômeno e, agora, um novo estudo agitou mais ainda este trabalho: após novas observações, uma equipe internacional de astrônomos percebeu que a explosão foi bem mais energética do que se pensava, e é possível que esteja se expandindo também a uma grande velocidade.

Desde 2015, os astrônomos vinham trabalhando com a possibilidade de que a CK Vulpeculae fosse o resultado de duas estrelas em colisão, já que tinha massa maior do que o esperado e a composição química em torno da estrela combinava com um cataclisma de duas estrelas de sequência principal. Já em 2018, mais possíveis cenários foram propostos: o astrônomo Tomasz Kamiński, do ESO, e sua equipe identificaram um isótopo radioativo de alumínio, cuja produção se relaciona ao processo de quando duas estrelas se fundem. Depois, outra equipe de pesquisadores analisou a composição da CK Vulpeculae e encontrou moléculas que sugeriam que houve uma colisão entre uma anã branca e uma anã marrom.

A região do espaço em torno da CK Vulpeculae (Imagem: Reprodução/ESO/Digitized Sky Survey 2/Davide De Martin)

Mesmo assim, o isótopo foi analisado com mais cuidado por uma equipe internacional de astrônomos, que utilizou o espectrógrafo do observatório Gemini para observar a nebulosa em infravermelho. Eles notaram que os limites externos da CK Vulpeculae estavam se afastando da fonte de rádio enfraquecida que originou a explosão — a qual era a estrela, ou o que sobrou dela — em seu interior. Os átomos de ferro na região emitiam desvios para o vermelho e para o azul, que são comprimentos ou encurtamentos de luz conforme ela viaja na direção do observador ou se afasta dele.

Como os desvios eram bem mais intensos do que se esperava, a nuvem de material estava se expandindo bem mais rápido do que medidas anteriores indicavam. “Não imaginamos que iríamos encontrar isso”, disse Dipankar Banerjee, do Physical Research Laboratory. “Foi empolgante quando encontramos um gás estranho viajando à velocidade de cerca de 7 milhões de quilômetros por hora”. Benerjee explica que essa foi uma pista de que, na verdade, a história por trás da CK Vulpeculae era diferente daquela que foi teorizada.

Então, se o material está se movendo mais rápido do que deveria, era bem possível que o objeto também fosse maior que se pensava. Para testar este cenário, a equipe estudou cuidadosamente a velocidade da nebulosa, sua taxa de expansão e posição no céu, e determinaram que o objeto está a cerca de 10 mil anos-luz de distância de nós. Como isso é bem mais longe do que foi estimado, provavelmente houve a necessidade de bem mais energia para produzir luz visível na Terra — mais especificamente, 25 vezes mais energia.

Só que essa é uma quantidade de energia bem acima daquela que uma supernova é capaz de produzir, então deve haver algo misterioso por trás da explosão. “Em termos da energia liberada, nossa descoberta coloca a CK Vulpeculae no meio-termo entre uma nova e uma supernova”, disse Nye Evans, da Keele University. "É um dos raros objetos do tipo na Via Láctea, e a causa — ou causas — desta classe intermediária de objetos continua desconhecida. Acho que todos sabemos o que a CK Vulpeculae não é, mas ninguém sabe o que é", completa. Assim, os pesquisadores concluem que será preciso realizar mais estudos para especular as possíveis origens da CK Vulpeculae.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.

Fonte: Science Alert

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