Experimentos científicos conduzidos na ISS voltam à Terra; veja quais são

Experimentos científicos conduzidos na ISS voltam à Terra; veja quais são

Por Patrícia Gnipper | 27 de Agosto de 2019 às 18h08
NASA

Além de suprimentos para astronautas, a nave Dragon, da SpaceX, periodicamente leva também cargas científicas à Estação Espacial Internacional (ISS), para que tais experimentos sejam realizados na órbita da Terra. E a nave que atracou por lá em julho acaba de desencaixar da estação nesta terça-feira (27), trazendo de volta as investigações, que terão seus resultados analisados por cientistas aqui no planeta para que, em breve, as conclusões sejam elaboradas.

Veja, abaixo, quais foram as cargas da vez e o que elas proporcionaram, de acordo com comunicado oficial da NASA:

The ISS Experience

Este experimento é um olhar cinematográfico da vida e da ciência a bordo da estação espacial, contando com realidade virtual para que as pessoas na Terra tenham um gostinho imersivo dos desafios da adaptação à vida no espaço. A série de vídeos documenta o dia a dia dos astronautas a bordo da ISS, mostrando coisas como a condução de experimentos ou o preparo para uma caminhada espacial.

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Dois sistemas de câmeras de VR foram criados como fruto de uma parceria entre o Felix & Paul Studios e as empresas espaciais NanoRacks e ISS National Lab. A equipe responsável pelo projeto filmou menos de quatro horas por semana, mas como o material chegou à ISS em dezembro do ano passado, deu tempo de registrar bastante coisa legal para a criação dos vídeos finais, que serão agora editados aqui na Terra.

O astronauta canadense David Saint-Jacques configurando a câmera do projeto The ISS Experience (Foto: NASA)

Amyloid Aggregation, entendendo o Alzheimer

Este experimento tem como objetivo investigar se a agregação de fibras amiloides é afetada pela microgravidade, para descobrir se há risco de astronautas desenvolverem o Alzheimer por conta de seus longos períodos vividos fora da Terra. Ainda, como o acúmulo de proteínas é uma característica comum em muitas doenças neurodegenerativas, compreender se este mecanismo é afetado pelo ambiente espacial é algo essencial para o planejamento de futuras missões ainda mais distantes e longas.

A fibras amiloides são um conglomerado de proteínas que podem se acumular no corpo, e estão associadas a doenças como Alzheimer e Parkinson. As amostras expostas à microgravidade retornam à Terra mantidas a uma temperatura de -20 ºC e assim permanecerão até que sejam entregues aos investigadores do projeto.

Fiber Optic Production, produzindo fibras ópticas com mais qualidade

O experimento da Physical Optics Corporation criou fibras ópticas na estação espacial usando uma mistura de materiais específica, chamada ZBLAN, pois estudos sugeriram que esse tipo de fibra produzida em microgravidade poderia ter qualidade superior à produzida na Terra. A fibra que agora retorna ao planeta será testada para verificar se os estudos estão certos.

Furphy, testando tanques de combustível flexíveis

A ideia aqui foi testar a transferência de fluidos de um tanque rígido para um tanque flexível, pois um tanque flexível do tipo poderia ser lançado colapsado e implantado à medida em que seria preenchido pelo combustível. Isso tornaria possível alimentar pequenos satélites em órbita, e não apenas antes do lançamento, o que economizaria dinheiro para lançá-los, já que a carga seria menos pesada.

Outros experimentos que retornaram à Terra

Os astronautas estadunidenses Nick Hague e Christina Koch conduzindo o experimento Cell Science-02 (Foto: NASA)

Além dos destacados acima, a Dragon também trouxe consigo outros experimentos, incluindo:

  • BioRock: examinou interações entre micróbios e rochas, bem como as alterações físicas e genéticas dos micróbios no espaço, com o objetivo de avaliar o uso de micróbios na mineração espacial;
  • LMM Biophysics 6: cristalizou duas proteínas que podem ser usadas no tratamento de câncer e na proteção contra radiação. A cristalografia de raios-x é usada para visualizar moléculas pequenas demais no microscópio, mas esse processo é difícil de se fazer aqui na Terra. Então, a ideia foi realizar a cristalização em microgravidade para que a gravidade da Terra não interferisse na formação dos cristais, com o material voltando para cá agora para ser comparado ao mesmo experimento conduzido no planeta.
  • SPHERES: satélites do tamanho de bolas de boliche, usados para estudar materiais. Esses satélites já vêm sendo usados na ISS desde 2006, e participaram de uma dúzia de investigações diferentes. Os que retornam agora à Terra examinaram o comportamento de fluidos em microgravidade.
  • Cell Science-02: examinou os efeitos da microgravidade na cicatrização e regeneração de tecidos, e também nos agentes que induzem a cicatrização. As culturas ficaram em órbita por 21 dias, até que foram preservadas a -80 ºC aguardando o retorno à Terra.
  • Goodyear Tire: a ideia foi avaliar a criação de cargas de sílica usando as técnicas tradicionais, só que em microgravidade, para ver se seria possível produzir resultados não possíveis na Terra. Entender melhor a morfologia da sílica pode melhorar o processo de formulação da borracha de sílica, bem como a fabricação e desempenho de pneus. As seis amostras de borracha agora retornam às instalações da Goodyear Research para análise.
  • Mobile Companion: examinou a eficiência de um suporte baseado em inteligência artificial aos astronautas, com a tecnologia tendo potencial de dar suporte operacional para reduzir o estresse e as cargas de trabalho da tripulação humana.
  • Space Moss: foi feita uma comparação entre musgos cultivados na ISS com os cultivados na Terra, com o objetivo de determinar como a microgravidade pode afetar seu crescimento, desenvolvimento, fotossíntese, e outras características. Musgos são minúsculas plantas sem raízes, e precisam apenas de uma pequena área para crescer; então, têm uma vantagem em potencial em seu uso no espaço ou em futuras bases na Lua ou em Marte.

Fonte: NASA

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