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Exoplaneta gasoso está encolhendo e se tornando um mundo oceânico

Por| Editado por Patricia Gnipper | 13 de Março de 2023 às 19h57

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NASA
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Na órbita de uma estrela vizinha do Sol, há um exoplaneta jovem incomum: os cientistas não conseguiram determinar se ele é gasoso, oceânico ou em alguma fase transitória entre esses dois tipos. Em outras palavras, ele pode ser gasoso, mas em processo para se transformar em um mundo rochoso, como a Terra.

A estrela anfitriã deste planeta é a HD-207496, com apenas 520 milhões de anos, localizada a 138 anos-luz da Terra. Considerando que o Sistema Solar tem mais de 4 bilhões de anos, a nova descoberta é uma boa oportunidade de estudar os primeiros estágios evolutivos dos planetas rochosos.

Embora os astrônomos já tenham encontrado mais de 5 mil exoplanetas, poucos estão na faixa entre 1,5 e 2 vezes a massa da Terra, com órbitas menores que cerca de 100 dias — ou seja, poucos são parecidos com nosso próprio planeta natal.

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Um pouco abaixo desta faixa, existem planetas considerados super-Terras — que costumam ser maiores e mais rochosas ou mais gasosas que nosso planeta — e os mini-Netunos — super-Terras maiores, ligeiramente parecidas com os gigantes gasosos do Sistema Solar.

Assim, há uma lacuna entre as super-Terras e os mini-Netunos, conhecida como “vale do raio”, em referência à ausência de mundos entre 1,5 e 2 vezes a massa da Terra. Agora, com a descoberta do planeta HD-207496b, os astrônomos podem encontrar novas pistas.

Este planeta tem raio 2,25 vezes o da Terra e uma órbita de 6,44 dias, ao redor de uma estrela anã laranja. Sua massa é de 6,1 vezes a da Terra, aproximadamente. Os números podem fugir um pouco do vale do raio, mas indicam que a densidade do exoplaneta é de cerca de 3,27 g/cm³ (grama por centímetro cúbico), contra 5,51 g/cm³ da Terra.

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Isso implica que a composição de HD-207496b não é inteiramente rochosa, então deve haver um envelope de gás considerável. "A partir da modelagem da estrutura interna do planeta, concluímos que o planeta tem um envelope rico em água, um envelope rico em gás ou uma mistura de ambos", disseram os autores da descoberta.

A modelagem dos pesquisadores mostrou que, se o exoplaneta tiver uma atmosfera rica em gás de hidrogênio e hélio, a estrela removerá completamente esse material em apenas 520 milhões de anos. Também é possível que a atmosfera já tenha desaparecido e HD-207496b já seja um mundo oceânico.

Se as medições da equipe estiverem corretas, os autores esperam que o HD-207496b esteja entre os dois modelos (gasoso e rochoso), o que resultaria em um planeta gasoso que "encolheu" devido à perda da atmosfera e se tornou/está se tornando uma super-Terra.

As descobertas foram publicadas no Astronomy & Astrophysics.

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Fonte: ScienceAlert