Estudo sugere que a heliosfera pode ter, na verdade, o formato de um croissant

Estudo sugere que a heliosfera pode ter, na verdade, o formato de um croissant

Por Danielle Cassita | 10 de Agosto de 2020 às 17h45
Opher, et al.

Um estudo publicado na revista Nature em março sugere que a heliosfera - região periférica do Sol, preenchida pelo vento solar - pode ter um formato que lembra um croissant, algo bem diferente do modelo clássico, que sugere um formato de cometa. A pesquisa foi liderada por Merav Opher, professora de astronomia da Universidade de Boston e membro do centro de pesquisa Science Center da niversidade.

Para chegar a este resultado, foram utilizados dados de partículas obtidos anteriormente pelas sondas Interstellar Boundary Explorer e Cassini, ambas da NASA. Com essas informações, eles criaram um modelo da forma da heliosfera. Agora, o novo estudo inclui também os dados dos íons coletados pela sonda New Horizons, cujas altas temperaturas foram as grandes responsáveis pelo formato curioso do modelo.

Opher explica que existem dois fluidos misturados: um tem componentes muito frios, e o outro, muito quentes. Ao colocá-los no espaço, eles não se misturam. "O que fizemos foi separar esses dois componentes do vento solar e modelamos o resultado 3D da forma da heliosfera", explica ela. Foi assim que eles chegaram ao modelo parecido com um croissant, que tem partes curvas e formações que as envolvem e se afastam delas.

Em amarelo, a heliosfera proposta pelo estudo (Imagem: Opher, et al.) 

Quando os componentes do vento solar foram separados e combinados com aqueles do trabalho anterior de Opher, o campo magnético solar atuou como uma força dominante na forma da heliosfera e criou essa forma "flácida" de croissant. "Como os 'íons de carona' dominam a termodinâmica, tudo fica muito esférico. Mas como eles saem do Sistema rapidamente após o choque da terminação, a heliosfera se esvazia", finaliza.

Independentemente de qual for, conhecer e entender a forma da heliosfera com maior precisão pode ser uma forma de trazer mais segurança às missões futuras, pois a heliosfera bloqueia a maior parte dos raios cósmicos galácticos que podem danificar as naves e o DNA dos astronautas. E, apesar de ainda não termos certeza da forma da heliosfera, a missão Interstellar Mapping and Acceleration Probe (IMAP) pode trazer respostas importantes para essa questão: a missão deverá ocorrer em 2024, e irá mapear as partículas fluindo dos pontos mais distantes da heliosfera para a Terra. Assim, a IMAP trará informações importantes sobre a heliosfera e como os raios galácticos cósmicos se deslocam para nosso Sistema Solar.

Fonte: NASA, Space.com

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