Estudo mostra que não é possível terraformar Marte com as tecnologias atuais

Por Patrícia Gnipper | 31 de Julho de 2018 às 08h36
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Uma das ideias que a NASA tem para viabilizar a existência de uma colônia humana fixa em Marte é a terraformação do planeta — o processo de criar um ambiente similar ao da Terra em outro mundo. Para que isso seja possível, é preciso não somente tratar o solo, como também a atmosfera, liberando gás carbônico na superfície marciana para engrossar sua atmosfera, que é bastante fina, agindo como se fosse um cobertor para aquecer o planeta e, portanto, simulando as temperaturas ambientes do nosso. Acontece que, de acordo com um estudo encomendado pela agência espacial dos EUA, a terraformação de Marte não é possível considerando as tecnologias atuais.

Em Marte, a atmosfera composta principalmente de dióxido de carbono é fina e fria demais para sustentar a existência de água líquida em sua superfície. Ainda, por lá a pressão atmosférica é inferior a um por cento da pressão atmosférica terrestre — ou seja, água líquida na superfície seria evaporada ou congelada rapidamente. O depósito de água líquida recentemente descoberto em Marte fica em um lago subglacial, escondido em uma das calotas polares do planeta.

Então, a equipe que vem estudando as possibilidades de terraformar Marte propõe a liberação de gases de efeito estufa para engrossar a atmosfera do Planeta Vermelho, aumentando, assim, sua temperatura a um ponto em que a água líquida superficial seja estável.

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Contudo, com 20 anos de observações provenientes de missões destinadas a Marte, o novo estudo sugere que não há CO2 suficiente remanescente no planeta para fornecer um aquecimento significativo do efeito estufa necessário. Sendo assim, para que a terraformação seja possível, é preciso desenvolver novas tecnologias capazes de proporcionar o efeito estufa desejado.

Com a terraformação, Marte ficaria parecida com a Terra

Os cientistas estimam que a pressão atmosférica de Marte (que é cerca de 0,6% da Terra) deveria ser aumentada significativamente, sendo que somente a pressão do CO2 deveria ser semelhante à pressão atmosférica total da Terra. Com isso, seria possível elevar a temperatura marciana o suficiente para permitir água líquida estável na superfície.

Sim, é verdade que a maior concentração de CO2 em Marte fica nas calotas polares, sendo que a substância poderia ser vaporizada para absorver mais radiação solar. No entanto, a vaporização das calotas polares só renderia CO2 suficiente para dobrar a pressão atmosférica do planeta, não sendo o suficiente para atingir os níveis necessários.

Outra fonte de gás carbônico são partículas de poeira no solo, que poderiam ser aquecidas para liberar o gás. Mas os pesquisadores estimam que o aquecimento do solo pode fornecer até 4% da pressão total necessária. Já uma terceira fonte seria o carbono bloqueado em depósitos minerais, mas a equipe estima que isso produziria menos de 5% da pressão necessária.

Com as tecnologias atuais, a equipe imagina que levaria cerca de 10 milhões de anos para atingir este nível, a ponto de permitir uma terraformação. Só que a NASA pretende levar a humanidade a Marte ainda na década de 2030 — ou seja, ainda há muito a ser estudado para que o Planeta Vermelho seja habitável, de alguma maneira, ainda que apenas em estruturas construídas especificamente para abrigar os astronautas que iniciarão a colonização marciana neste século.

Fonte: EurekaAlert

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