Este é um dos maiores remanescentes de supernova já detectado na Via Láctea

Este é um dos maiores remanescentes de supernova já detectado na Via Láctea

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 10 de Março de 2021 às 10h40
ESO/M. Kornmesser

Astrônomos estimam que na Via Láctea há cerca de 1.200 remanescentes de supernova (SNR), mas até agora foram encontrados apenas 300, a maioria identificada por pesquisas em comprimentos de onda de rádio. No entanto, uma equipe encontrou recentemente outro remanescente, dessa vez através da observação em outros comprimentos de onda que não o rádio.

Imagem do remanescente de supernova capturada pelo eROSITA (Imagem: Reprodução/Becker)

Para essa descoberta, pesquisadores usaram o instrumento Röntgen Survey Imaging Telescope Array (eROSITA), que está a bordo do observatório espacial russo-germânico Spektr-RG. Foi através de ondas de raios-X que o grande remanescente de supernova foi detectado, e os autores da pesquisa apelidaram a estrutura de "Hoinga". Ele é agora um dos maiores SNR já detectados em comprimentos de onda diferentes do rádio.

Os SNRs são estruturas difusas formada de gases e materiais de uma estrela que explodiu. A onda de choque da explosão é tão intensa que não apenas o material dela é expelido para o espaço, como também a própria matéria interestelar nas vizinhanças da estrela é empurrada. O resultado são as belíssimas estruturas multicoloridas que vemos em imagens de algumas nebulosas.

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Ao explodir, uma estrela dispersa os elementos formados, incluindo gases e metais. Esse material será importante na formação de novos objetos e a energia liberada ajudará a aquecer o meio interestelar, além de fornecer aceleração dos raios cósmicos galácticos. Esse processo leva algumas centenas de milhares de anos, ou mais, mas enquanto o material ainda está relativamente próximo do ponto onde a estrela original se localizada, a nebulosa permanece em seu formato exuberante.

Embora o SNR tenha recebido o apelido em referência ao nome medieval de uma cidade (que não por acaso é onde um dos autores do estudo nasceu), o nome oficial do objeto é G249.5+24.5. De acordo com o estudo, aceito para publicação na revista Astronomy & Astrophysics, o Hoinga tem um diâmetro grande o suficiente para colocá-la entre um dos maiores SNR já encontrados.

Conceito artístico de uma supernova (Imagem: NASA/ESA/G. Bacon)

Quanto à morfologia, o Hoinga tem formato circular e emissão difusa de raios-X por quase toda a concha do remanescente. Aliás, essa concha sugere que se trata de um SNR clássica, de natureza altamente circular, provavelmente ainda se expandindo de modo uniforme. Em outras palavras, o material da estrela que explodiu é expelido por todos os lados, mantendo a forma circular do astro original.

Por fim, o remanescente está localizado a aproximadamente 1.600 anos-luz, de acordo com as estimativas dos cientistas, e sua idade é de algo entre 21 mil e 150 mil anos. equipe de astrônomos liderados por Werner Becker do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre em Garching, Alemanha, relatou tal descoberta.

Fonte: Phys.org

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