Este buraco negro está formando estrelas no centro de uma galáxia anã

Este buraco negro está formando estrelas no centro de uma galáxia anã

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 20 de Janeiro de 2022 às 08h40
NASA/ESA/Zachary Schutte/Amy Reines/Alyssa Pagan (STScI)

Uma galáxia anã, localizada a 30 milhões de anos-luz de distância de nós, possui um buraco negro supermassivo central que está ajudando na formação de novas estrelas. Um novo estudo publicado na quarta-feira (19) mostra como o telescópio Hubble ajudou os cientistas a descobrir esse comportamento — que é muito inesperado, por sinal.

A galáxia Henize 2-10 já fui o centro das atenções de astrônomos quando, há uma década, tentava-se descobrir se galáxias anãs abrigavam buracos negros supermassivos centrais, como ocorre nas galáxias maiores. A pesquisadora Amy Reines publicou na época a primeira evidência da presença de um buraco negro por lá.

Em um novo estudo, Reines colaborou com seu estudante de pós-graduação para mostrar o comportamento desse mesmo buraco negro. Com apenas um décimo da quantidade de estrelas encontradas na Via Láctea, a anã Hanize 2-10 possui uma espécie de conexão entre o buraco negro e uma nuvem de formação estelar, separados por 230 anos-luz.

Imagem capturada pelo Hubble da galáxia Henize 2-10 (Imagem: Reprodução/NASA/ESA/Zachary Schutte/Amy Reines/Alyssa Pagan/STScI)

Essa conexão é um gás que se estende pelo espaço a cerca de 1 milhão e meio de quilômetros por hora, até colidir com na nuvem de gás onde estrelas nascem. Isso significa que o material ejetado pelo buraco negro ajuda a “espremer” a nuvem, até alguns pontos mais densos de matéria se aglutinarem para formar estrelas.

Aglomerados de estrelas recém-nascidos podem ser vistos no caminho da propagação do fluxo, e tiveram suas idades calculadas pelos dados do Hubble. "Desde o início eu sabia que algo incomum e especial estava acontecendo em Henize 2-10”, disse Reines. “Agora o Hubble forneceu uma imagem muito clara da conexão entre o buraco negro e uma região vizinha de formação de estrelas”.

Em outras galáxias onde buracos negros supermassivos são detectados devido às suas atividades, o efeito é inverso. O material dilacerado pelas forças de marés dos buracos negros é ejetado pelos seus campos magnéticos, produzindo jatos que viajam quase à velocidade da luz rumo ao espaço intergaláctico.

Isso significa que em outras galáxias o processo aquece o gás das nuvens de formação estelar atingidas pelos jatos, impedindo a formação de estrelas. Mas na Henize 2-10, a saída de gás é mais suave e favorece o “nascimento” de novas estrelas.

A descoberta deve ajudar os cientistas na missão de descobrir como os buracos negros supermassivos surgiram no universo primitivo, e como eles evoluíram tão rápido em objetos com milhões, ou até bilhões de massas solares. O telescópio James Webb será um importante aliado no estudo desses buracos negros primordiais, isto é, nascidos logo após o Big Bang. O estudo foi publicado na revista Nature.

Fonte: NASA

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