Espaçonave imprimirá e montará sozinha seus enormes painéis solares no espaço

Por Daniele Cavalcante | 26 de Agosto de 2019 às 11h40

Satélites lançados no espaço têm um obstáculo relacionado aos tamanhos e forma de seus painéis solares: a gravidade da Terra. É que as espaçonaves construídas precisam ser capazes de lidar com toda a gravidade do planeta durante toda a fase de testes. E não só isso, também precisam passar pela aceleração violenta do lançamento, o tremor, e outros fenômenos físicos. Mas essas dificuldades estão prestes a ser superadas com uma nave-robô que fabricará os painéis no espaço.

Quando uma nave chega à órbita terrestre, ela precisa desdobrar seus painéis solares em uma configuração que possa gerar energia para funcionar. O tamanho dessas peças é importante para a captação de luz, mas as condições terrestres atrapalham um pouco a fabricação das configurações ideais para o espaço. Então por que não fabricar lá mesmo, em gravidade zero? É isso o que a Archinaut One vai fazer.

Confira abaixo a simulação de um satélite cujos painéis solares são construídos inteiramente em órbita, sem nunca ter que resistir aos rigores da gravidade terrestre. Eles são quase bizarros de tão grandes, e também eficientes e rentáveis. Sem a necessidade de passar por testes aqui embaixo, não precisam ser projetados para ser mais fortes e estáveis do que o necessário para se manterem no espaço. Ainda assim são bons o suficiente para funcionar corretamente por lá.

Esta tecnologia será colocada em teste em em 2022 pela Made in Space, uma empresa de fabricação 3D com sede em Mountain View. Em julho deste ano, a NASA anunciou que havia concedido US$ 73,7 milhões à empresa, em um contrato ajudará a financiar a construção e o lançamento da espaçonave Archinaut One para demonstrar sua capacidade de fabricar e montar componentes no espaço. Essa nave montará seu próprio sistema de energia através de impressão 3D em órbita terrestre.

Com dez metros de comprimento, os painéis serão grandes o suficiente para alimentar um satélite de 200 kg. Após fabricar a matriz no espaço, o satélite terá muito mais energia, capaz de alimentar mais ferramentas científicos, instrumentos de comunicação, entre outros equipamentos.

Com naves robóticas como essa, a ciência abre as portas para a fabricação e montagem de equipamentos como antenas de comunicações, telescópios de grande escala e outras estruturas complexas… no espaço. Pequenos satélites poderão receber sistemas de energia e refletores que, nos dias de hoje, são encontrados apenas nos satélites maiores. A carga levada nos veículos espaciais diminuiria e astronautas seriam menos expostos a riscos nos passeios espaciais.

Fonte: Universe Today

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.