Dois exoplanetas colidem e deixam nuvem de poeira quente ao redor de estrelas

Por Daniele Cavalcante | 25 de Outubro de 2019 às 12h30
NASA/SOFIA/Lynette Cook
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Cientistas têm observado um sistema estelar binário durante a última década, através do telescópio espacial Spitzer, da NASA, e encontraram pistas de que dois planetas que orbitavam um sistema estelar binário se chocaram, transformando-se em pó. Trata-se do BD +20°307, uma dupla de estrelas que fica aproximadamente a 300 anos-luz de distância, na constelação de Áries.

Essas estrelas têm pelo menos um bilhão de anos de idade, e o sistema é cercado por um anel de poeira fria, que acredita-se ter vindo de uma região semelhante ao nosso cinturão de Kuiper. No entanto, o sistema binário mostrou sinais de detritos empoeirados não tão frios assim. Eles são quentes, reforçando a ideia de que foram produzidos em uma época bem mais recente, pelo impacto de dois corpos do tamanho de um planeta.

Agora, o Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy, ou simplesmente SOFIA, observatório que fica dentro de um avião Boeing 747, revelou que o brilho infravermelho dos detritos aumentou mais de 10%. Isso significa que há ainda mais poeira quente. Os resultados desse estudo foram publicados no Astrophysical Journal, confirmando ainda mais que uma colisão extrema entre exoplanetas rochosos pode ter ocorrido em um período relativamente recentemente.

Ilustração da colisão de planetas no sistema estelar binário BD +20º307 (Imagem: NASA/SOFIA/Lynette Cook)

Colisões como essas podem mudar os sistemas planetários, e o Sistema Solar como conhecemos hoje pode ser resultado de eventos como este. Acredita-se que uma colisão entre um corpo do tamanho de Marte (apelidado de Theia) com a Terra há 4,5 bilhões de anos tenha criado detritos que, depois, formaram a Lua.

Estudar a poeira quente no sistema BD +20°307 pode ajudar os cientistas a entender melhor como são os impactos entre exoplanetas rochosos, e como o sistema estelar evolui depois disso. Os planetas se formam quando partículas de poeira ao redor de uma estrela jovem se unem e formam, aos poucos, um corpo maior. Os restos permanecem depois que o sistema planetário se forma, e geralmente se acumulam em regiões frias e distantes da estrela, como o Cinturão de Kuiper aqui no Sistema Solar. A poeira quente ao redor de estrelas mais velhas, como o sistema binário BD +20º307, deveria ter desaparecido há muito tempo, mas o que a observação mais recente mostra é justamente o oposto.

Existem outras explicações possíveis para o aumento de poeira quente ao redor dessas estrelas, mas nenhuma delas justifica o curto espaço de tempo em que esse aumento foi observado - um período de apenas 10 anos, o que é rápido demais para mudanças cósmicas. Uma colisão planetária é a explicação plausível para o que teria adicionado uma grande quantidade de poeira quente em tão pouco tempo. A equipe está analisando dados das observações para verificar se há outras alterações no sistema.

Fonte: NASA

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