Documento da NASA revela mudanças no programa lunar Artemis

Por Daniele Cavalcante | 28 de Fevereiro de 2020 às 21h10
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Parece que a NASA está fazendo algumas alterações em seu planejamento para o retorno de humanos à superfície da Lua em 2024. É que um novo documento chamado "Moon 2024 Mission Manifest" foi divulgado nesta semana pela agência, e revela as datas para as 10 primeiras missões do programa Artemis.

Além de alterar a ordem dos lançamentos em relação a planejamentos anteriores, o documento também mostra que a NASA pretende enfatizar o uso do Space Launch System (SLS), foguete de 65 metros de altura cujo desenvolvimento foi finalizado em dezembro. Há três versões planejadas para o foguete, chamadas Bloco 1, Bloco 1B e Bloco 2.

A nova estratégia para o Artemis ainda não foi anunciada publicamente, mas o manifesto pode dar algumas dicas sobre o novo programa. Antes, a missão Artemis 1, planejada para ser o primeiro voo do SLS, seria lançada em junho de 2020 para testar o sistema completo da cápsula de tripulação Orion e do veículo de lançamento. No entanto, o novo manifesto confirma que a primeira missão para o SLS ocorrerá apenas em abril de 2021.

Além disso, o manifesto também adiciona uma missão adicional de preparo para o primeiro desembarque humano no Polo Sul lunar no final de 2024. Ficou assim:

  • Abril de 2021: Artemis I, voo de teste não tripulado da Orion no Bloco 1 do SLS
  • Janeiro de 2023: Artemis II, voo tripulado da Órion ao redor da Lua no Bloco 1 do SLS
  • Agosto de 2024: Artemis III, módulo lunar integrado lançado à Lua no Bloco 1B do SLS
  • Outubro de 2024: Artemis IV, voo tripulado da Orion para pouso humano na Lua no Bloco 1 do SLS
  • Setembro de 2025: missão científica, lançamento do Europa Clipper no bloco 1 do SLS
  • Junho de 2026: Artemis V, voo tripulado da Orion para a Lua no Bloco 1B do SLS
  • Junho de 2027: missão científica, lançamento do Europa Lander no bloco 1B do SLS
  • Agosto de 2028: Artemis VI, voo tripulado da Orion para a Lua no Bloco 1B do SLS
  • Fevereiro de 2029: Artemis VII, missão de Carga na Lua no Bloco 2 do SLS
  • Agosto de 2029: Artemis VIII, missão tripulada da Orion no Bloco 2 do SLS
  • Fevereiro de 2030: Artemis IX, missão de Carga no Bloco 2 do SLS
  • Agosto de 2030: Artemis X, missão tripulada no Bloco 2 do SLS

A NASA afirmou na quinta-feira (27) que este manifesto não reflete com precisão seus planos para o Programa Artemis. "A linha do tempo proposta neste artigo tem muitas imprecisões", disse Matthew Rydin, secretário de imprensa da NASA. "Estamos atualmente em um período de blecaute porque várias empresas propuseram soluções de aterrissagem lunar humana. Essas seleções serão feitas nas próximas semanas. No entanto, o plano representado neste artigo não é o plano da NASA".

Conceito de módulo lunar do Programa Artemis (Imagem: Nasa)

Mas, com base em um documento obtido pelo site Ars Technica e em instruções internas do administrador associado da NASA, Doug Loverro, parece que a NASA está, de fato, se afastando dos planos originais para o Programa Artemis, que envolvia o uso de vários foguetes e a montagem do Human Landing System (HLS).

Acontece que o plano original da NASA incluia o uso de diferentes foguetes comerciais para enviar componentes de um módulo de pouso humano e deixá-los a bordo do Lunar Gateway, a estação espacial que orbitará a Lua. Quatro astronautas seriam lançados no SLS para o Gateway. Dois deles pousariam na superfície da Lua usando o HLS e dois permaneceriam em órbita, dentro da estação.

Doug Loverro, novo chefe de voo espacial da NASA, analisou o plano e disse aos funcionários da agência que tinha "preocupações" de que isso funcionaria. Em instruções internas, Loverro expressou dúvidas sobre a montagem remota de elementos do HLS dentro do Gateway. Ele também queria que os engenheiros da NASA garantissem que a Orion pudesse atracar no módulo de pouso sem o Gateway envolvido na história.

Assim, a possível revisão do plano pode decidir pelo lançamento do módulo lunar inteiro, e não em partes desmontadas, em uma versão atualizada do foguete SLS, e não utilizando vários foguetes de diferentes empresas. Isso deixa grande parte da responsabilidade sobre a Boeing, que está construindo o estágio principal do SLS e o estágio superior de exploração que será usado no bloco 1B.

Este manifesto ainda deixa muitas perguntas sobre o Programa Artemis. Por exemplo, ele não menciona o papel que o Gateway Lunar de fato vai desempenhar, e parece que ele será lançado após um pouso na Lua. Nesse sentido, esse plano parece ser semelhante ao proposto pela Câmara dos Deputados dos EUA em seu projeto de lei H.R. 5666. O problema é que este projeto da Câmara altera significativamente os planos para o Gateway, algo que foi criticado por cientistas em uma carta aberta.

Fonte: ArsTechnica

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