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Descoberto o quasar com emissão de rádio mais distante e antigo já detectado

Por  • Editado por  Patricia Gnipper  | 

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ESO/M. Kornmesser
ESO/M. Kornmesser

Usando o Very Large Telescope do ESO, uma equipe de astrônomos conseguiu detectar e analisar com detalhes um dos quasares mais distantes já encontrados até agora. Na verdade, trata-se da fonte de emissão rádio mais distante e antiga conhecida — a 8 bilhões de anos-luz. Seus jatos poderosos são alimentados por um buraco negro supermassivo, que por sua vez tem cerca de 300 milhões de vezes a massa do Sol.

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Os quasares estão entre os objetos mais intensos do universo. Eles se formam quando um buraco negro supermassivo no centro de alguma galáxia se alimenta de material circunvizinho. O acúmulo de matéria no disco de acresção do buraco negro é acelerado pela intensa gravidade do buraco negro, atingindo velocidades e temperaturas muitíssimo elevadas. Isso faz com que uma energia estupenda seja liberada na forma de ondas eletromagnéticas, como ondas de rádio e luz visível.

A luz do quasar descoberto, batizado de P172+18, foi arremessada pelos jatos do disco de acresção em nossa direção quando o cosmos tinha apenas 780 milhões de anos. Isso significa que os cientistas poderão analisar os sinais para saber como o universo era naquela época e, talvez, eles terão algumas pistas para responder um dos maiores mistérios da cosmologia: como os buracos negros no universo primordial conseguiram ganhar proporções supermassivas pouco tempo após o Big Bang?

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Embora astrônomos já tenham descoberto quasares mais distantes do que este, é a primeira vez que ondas de rádio são detectadas a essa distância. Com esses sinais, os astrônomos podem investigar as propriedades do quasar e dizer muito a respeito do buraco negro supermassivo. Isso porque eles puderam coletar assinaturas reveladoras dos jatos de rádio desse quasar, o que não é exatamente algo comum no dia-a-dia dos pesquisadores — apenas cerca de 10% dos quasares têm jatos intensos nas frequências de rádio.

Pode ser que essas assinaturas tenham muita história a contar sobre os 8 bilhões de anos que ficaram viajando pelo universo, e talvez possa ajudar a confirmas alguma das hipóteses sobre o surgimento desses objetos descomunais. Uma dessas hipóteses é a de que esses buracos negros primordiais ganharam massa justamente por causa dos jatos de energia. É que os jatos podem ser capazes de agitar o gás ao redor do buraco negro, fazendo com que mais desse material seja capturado pela gravidade do horizonte de eventos.

Bem, se este quasar não for o suficiente para tirar algumas conclusões sobre o universo primordial, os astrônomos não vão desistir. A equipe responsável pelo novo estudo, que será publicado na revista The Astrophysical Journal, cogita que esta é apenas a primeira das muitas detecções de quasares do universo primordial que ainda estão por vir. “Esta descoberta me deixa otimista e acredito, e espero, que o recorde de distância seja quebrado em breve”, diz Eduardo Banãdos, um dos autores da pesquisa.

Fonte: ESO