Descoberto novo planeta-anão no Sistema Solar que reforça a teoria do Planeta X

Por Carlos Dias Ferreira | 02 de Outubro de 2018 às 20h20
R. Hurt/Caltech

Uma nova descoberta reacendeu a teoria do chamado “Planeta X” – ou “Planeta 9”, como também é chamado o corpo celeste hipotético que, acredita-se, possa ocupar uma órbita ao redor do sol além de Netuno e do rebaixado Plutão.

Batizado de TG387 e apelidado de “The Goblin” pelos pesquisadores do Instituto de Ciência de Carnegie, o pequeno corpo rochoso é um planeta-anão em órbita do Sol que está tão distante que o seu período de translação (em que completa uma volta ao redor do astro) tomaria algo como 40 mil anos. De fato, trata-se de uma distância de 65 unidades astronômicas, ou 65 vezes a distância entre a Terra e o Sol. Para efeitos de comparação, o distante Plutão fica a 49 unidades astronômicas do sol.

Mas é justamente essa enorme distância relativa que confere ao TG387 maior relevância no processo de comprovação (ou não) da existência do Planeta X. Conforme mostra a imagem abaixo, a translação do TG387 o mantém longe da influência dos planetas Júpiter, Saturno, Urano e Netuno; embora mais de 10 planetas-anões descobertos pareçam endossar a existência de um nono planeta em órbita nos limites do Sistema Solar, esses corpos normalmente têm suas rotas distorcidas pela proximidade com os referidos planetas gigantes.

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Cada vez mais próximo do Planeta X

Conforme observado pelos pesquisadores por meio do telescópio japonês Subaru, localizado no Havaí, cada um dos 14 corpos descobertos próximos da suposta órbita do planeta acabam por engrossar um pouco mais o caldo hipotético dos cientistas. “Cada vez que nós encontramos outro desses pequenos objetos, isso nos leva a restringir as posições possíveis em que esse planeta poderia estar”, disse o astrônomo Scott Sheppard em entrevista ao site The Verge. “Eles possuem órbitas bastante semelhantes, mas também há nuances em cada uma, o que pode indicar o local em que [o Planeta X] está.”

A ideia de que poderia existir um planeta pertencente ao Sistema Solar para além de Netuno tem sido especulada há pelo menos um século, embora tenha ganhado fôlego recentemente em 2012.

Cada novo corpo rochoso descoberto na suposta trejetória do Planeta X tende a engrossar mais o caldo da teoria - já que suas órbitas praticamente idênticas são sensivelmente alteradas por "algo" com cerca de 10 vezes a massa do Planeta Terra. (Imagem: reprodução/Instituto de Ciência de Carnegie)

Na ocasião, a equipe liderada por Sheppard descobriu o pedregulho espacial VP113, que detém atualmente o recorde de corpo celeste mais distante em órbita do Sol; assim como com o “Goblin”, o VP113 apresentou características de espectro e órbita que fizeram crer na existência de um novo planeta — embora jamais ocorra o encontro com o gigante. “Sempre que o planeta cruza a órbita de um desses objetos, eles estão do outro lado do sistema solar — de maneira que jamais se aproximam”, explicou o astrônomo ao referido site.

“É como encontrar algo com um rifle de precisão”

A despeito da nova descoberta, o Planeta X ainda está longe de ser uma certeza entre a comunidade científica. Afinal, 14 objetos ainda são uma base estatística relativamente minguada para uma dedução dessa natureza — sobretudo quando se considera a interferência ocorrida durante as observações, que podem ser afetadas pela época do ano, pelas condições meteorológicas ou mesmo pela porção do céu escolhida por cada pesquisador para a observação.

Além disso, mesmo o potente telescópio Subaru consegue observar apenas uma região ínfima do firmamento por vez. Isso provavelmente responde à pergunta óbvia de por que, afinal, nós tentamos observar diretamente o Planeta X — em vez de persistir em seus vizinhos. Em suma, porque ainda não se sabe para onde voltar as lentes. “Isso é muito parecido com buscar um alvo utilizando um rifle de precisão”, afirmou Sheppard. “É preciso saber para onde olhar.”

Por que não é feita uma observação direta do Planeta X? Em suma, por que os astrônomos não têm como saber de antemão para onde, na enormidade do firmamento, devem voltar as lentes dos telescópios. (Imagem: reprodução/Instituto de Ciência de Carnegie)

Seja como for, é fato que o “Goblin” nos deixa um pouco mais perto da verdade, sendo capaz de acrescentar algumas páginas à história da nossa vizinhança cosmológica. “Esses são exatamente os objetos que nós precisávamos encontrar para entender a formação e a história do Sistema Solar”, conforme destacou a astrônoma Michelle Bannister em entrevista ao The Verge.

Para os responsáveis pela pesquisa, entretanto, trata-se quase de uma certeza. “Eu estou realmente confiante — algo próximo de 99% — de que o Planeta 9 está lá”, disse Konstantin Batygin, corresponsável pela descoberta do TG387. “Isso ainda deve nos tomar uma década, mas eu estou confiante de que ele está lá", completa.

Fonte: The Verge

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