Descoberta estrela em rara fase inicial de evolução e com brilho intenso

Por Daniele Cavalcante | 20 de Janeiro de 2021 às 21h20
MPE/D. Segura-Cox Data credit: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)

Uma equipe de astrônomos descobriu uma provável estrela em seus estágios iniciais de evolução. De acordo com as observações realizadas através de dados do Palomar Gattini InfraRed survey (PGIR) e do projeto NEOWISE, trata-se de uma categoria conhecida como “objeto estelar jovem” (YSO, da sigla em inglês), localizado na região de formação estelar catalogada como NGC 281-W.

Essa região fica no oeste de uma grande nebulosa conhecida como Nebulosa Pacman, na constelação de Cassiopeia, parte do braço espiral de Perseus, a cerca de 9.130 anos-luz da Terra. Ali há alguns objetos conhecidos pela comunidade científica, como o aglomerado aberto IC 1590 e uma grande faixa obscurecida de gás e poeira.

Os objetos chamados YSO são, por definição, estrelas em estágios iniciais de evolução. Podem ser protoestrelas — objetos candidatos a se tornarem estrelas —, ou podem já ser estrelas da pré-sequência principal — ou seja, que se encontram num estágio de desenvolvimento anterior à sequência principal. Para facilitar, digamos que YSOs são objetos em estágio final de formação e, portanto, em fase inicial de evolução para uma estrela “madura”.

Sequência de imagens focadas na estrela PGIR 20dci (Imagem: Reprodução/Hillenbrand)

Bem, as estrelas da pré-sequência principal já são visíveis no espectro ótico da luz (ao contrário das protoestrelas), e as reações termonucleares já podem acontecer no interior elas. Elas geralmente são encontradas em um ambiente de grande quantidade de gás molecular e poeira interestelar. Por isso, uma YSO da pré-sequência principal pode se envolver em um processo de acreção, ou seja, sua gravidade atrai a matéria circundante (neste caso, gás e poeira), e a jovem estrela ganha massa. É como um bebê se alimentando em fase de crescimento.

Quando isso acontece, “surtos” explosivos podem ser observados. Os astrônomos geralmente classificam esses eventos como EXors e FUors. Enquanto o primeiro deles dura de vários meses a um ou dois anos, o segundo se trata de um evento mais extremo e raro. Objetos do tipo FUor podem ter uma magnitude de 5 a 6 (ou seja, podem ser muito brilhantes) e durar de décadas ou séculos. No entanto, até agora os astrônomos sabem pouco sobre as propriedades dos jatos emitidos em “surtos” do tipo YSO, e é aí que a nova descoberta se torna interessante.

O grupo de astrônomos liderados por Lynn A. Hillenbrand, da Caltech, relata a descoberta de um desses surtos de um YSO em um artigo publicado no repositório arXiv.org, atualmente em revisão para o AAS Journals. O objeto encontrado pelos pesquisadores na nebulosa NGC 281 foi denominado PGIR 20dci. Além disso, a equipe encontrou na imagem em infravermelho próximo uma nova nebulosa, bastante extensa, com cerca de 14.000 UA (uma UA, ou seja, Unidade Astronômica, equivale à distância entre a Terra e o Sol).

(Imagem: Reprodução/Hillenbrand)

Desde o início, o brilho do PGIR 20dci aumentou gradualmente. A espectroscopia no infravermelho próximo confirmou que este objeto é bastante similar com as fontes conhecidas de surtos do tipo FUor; portanto, ele foi identificado como uma estrela real, em fase inicial de evolução e com jatos extremos. Em outras palavras, é uma estrela bastante rara e sua descoberta será de grande importância para os astrônomos interessados em acompanhar os processos evolucionários de uma estrela recém-formada.

Ainda não se sabe muito sobre as propriedades da PGIR 20dci — assim como não se sabe muito sobre FUors em geral —, então novas pesquisas devem ser realizadas em breve para analisar e destrinchar as características do objeto. Deste modo, os cientistas estarão mais próximos de criarem modelos confiáveis de YSOs extremas como esta.

Fonte: Phys.org

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