Como será o fim do universo? Essa astrofísica traz algumas respostas!

Por Danielle Cassita | 10 de Agosto de 2020 às 16h10

Como será o tão imaginado fim do mundo? Uma das principais respostas dos cientistas sugere que o Sol acabará ficando sem combustível e, assim, se tornará uma gigante-vermelha, que vai se expandir e engolir os planetas que estiverem por perto - incluindo o nosso. Mas, calma, isso deverá acontecer só daqui a 5 bilhões de anos. Agora, pensando em como será o fim do universo propriamente dito, a astrofísica Katie Mack identificou alguns cenários e os publicou em seu livro The End of Everything (“O Fim de Tudo”, em tradução livre).

Com talento para comunicar ao público a complexidade da física, Katie inicia seu livro com essa breve prévia do fim. Há quem veja o assunto com certo receio, mas Mack se sente em paz: “há algo sobre o conhecimento da impermanência da existência é que um pouco libertador”, diz ela em uma entrevista à Radio 1 Newsbeat. Para ela, os humanos são "uma espécie que transita entre a compreensão da nossa grande insignificância e uma habilidade de ir além das nossas vidas mundanas, em direção ao vazio, para solucionar os mistérios mais fundamentais do cosmos". 

Assim, a autora tenta compartilhar um pouco deste “terror” no livro, para que as pessoas tenham uma conexão mais pessoal com o que está acontecendo no universo. “Essa ideia de que todo o universo tem esses processos acontecendo o tempo inteiro e poderiam acontecer comigo ficou bem pessoal: eu estou no universo, e não consigo me proteger de nada disso”, comenta. 

É claro que nada disso acontecerá em um período próximo a nós; o fim do universo deverá ocorrer em um futuro que está a uma distância de bilhões e bilhões de anos. Entretanto, desde a ocorrência do Big Bang, o universo continua se expandindo. Então, o que acontecerá no futuro irá depender dessa expansão continuar - ou não.  

Alguns possíveis cenários

No Grande Rompimento, as estrelas, planetas e até o tempo se rompem (Imagem: NICOLLE R. FULLER/SCIENCE SOURCE)

Mack traz diversas possibilidades em sua obra, e uma delas é algo que pode ser traduzido como "o grande colapso", que seria um desfecho possível. As galáxias fora do Sistema Solar estão se afastando de nós em um processo de expansão. Assim, se o universo tiver matéria suficiente, a atração gravitacional de tudo vai gerar um colapso: estrelas e galáxias vão se chocar com mais frequência e destruirão a vida nos planetas por perto. Existe também a possibilidade do que dá para traduzir como "o grande rompimento". Nesse caso, a expansão do universo se aceleraria tanto que as estrelas e os planetas se romperiam, as moléculas seriam destruídas e o tecido do espaço se rasgaria.

A energia escura sugere um fim diferente, que Mack chama de "morte do calor" ou "grande congelamento". Desde o início do universo, a energia escura vem "empurrando" o universo. Assim, o universo chegará a um ponto em que tudo ficará tão separado que a matéria de estrelas mortas estará dispersa e não poderá formar novas estrelas, ou seja, o combustível para o crescimento e reprodução fica tão difuso que se torna inútil. "O universo se expande cada vez mais e esfria, e tudo se decai e some", explica Mack. Para ela, esse não é um cenário tão interessante.

Esse título fica para o "decaimento a vácuo": nesse caso, uma pequena bolha de vácuo verdadeiro se formaria devido à instabilidade ligada ao bóson de Higgs. Assim, essa bolha se iria se expandir na velocidade da luz e queimaria tudo, até simplesmente anular o universo. "Você muda alguma coisa nas equações e descobre que é possível que uma bolha se materialize em algum lugar do universo e se expanda na velocidade da luz, destruindo tudo", comenta.

Essa hipótese ainda não pode ser testada e não é a mais provável, mas o simples ato de considerá-la traz diversas implicações sobre o cosmos. "Tecnicamente, pode acontecer a qualquer momento". Katie aponta que esses pensamentos nos trazem um senso de perspectiva: a vida moderna tenta nos convencer de que estamos completamente seguros, protegidos e no controle de tudo à nossa volta, mas isso não é verdade. "Cosmicamente falando, nós simplesmente estamos no universo, e temos que aceitar o que ele nos dá".

Fonte: Nature, BBC, Vice

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