Como é o nascer do Sol em outros mundos do Sistema Solar?

Por Danielle Cassita | 19 de Setembro de 2020 às 12h00
Paul Gilmore/Unsplash

Hoje em dia, já sabemos muito mais sobre a atmosfera de outros planetas e suas luas no Sistema Solar, e já temos uma ideia de como é o nascer ou pôr do Sol nesses mundos. Nestes dois momentos, os raios solares fluem através de uma fina camada de atmosfera em um ângulo oblíquo, que fornece mais detalhes, dados e claro, cores belíssimas e que podem variar.

A atmosfera tem comportamento semelhante ao de um prisma: quando a luz solar flui por ela, as cores que a formam são separadas e criam um espectro, que fornece informações importantes para pesquisadores interpretarem e, assim, descobrirem a composição da atmosfera do planeta em questão. Na Terra, existem moléculas de nitrogênio e oxigênio, que dispersam comprimentos de luz menores como o azul e o violeta. Esse é fenômeno "Dispersão de Rayleigh", que nos confere um céu azul no meio do dia e tons avermelhados quando o Sol nasce e se põe, porque mais luz azul foi dispersada.

Felizmente, já estudamos muitos mundos do nosso quintal espacial com sondas presenciais, o que nos dá um lugar especial para observar o nascer ou pôr do Sol quase como se estivéssemos por lá. Diversas cores compõem o pôr do Sol em outros planetas, e Geronimo Villanueva, cientista planetário do Goddard Space Flight Center, da NASA, criou uma animação que simula como seria o fim do dia na Terra, Vênus, Marte, Urano e Titã.

A NASA explica que os fótons se espalham em várias direções conforme estes mundos se distanciam da luz do Sol, e isso muda as cores mostradas nas simulações que você vê abaixo:

Mas como este fenômeno ocorre em nossos vizinhos do Sistema Solar? Confira:

Saturno 

Imagem de Saturno feita em 2007 (Imagem: Reprodução/NASA/Universe Today)

Essa foto se assemelha às imagens que temos da atmosfera da Terra, não é? Na verdade, a imagem acima foi feita pela missão Cassini, a que mais chegou perto de Saturno. Depois, Kevin Gill, guru da edição, deu seus toques à imagem. A foto editada chama a atenção por ser bem parecida com as camadas da atmosfera terrestre, que foram a fonte de inspiração dele: “essa é a imagem que eu tinha em mente quando processei a imagem de Saturno”, diz ele.

Cauteloso, Gill ressalta que não sabe se conseguiu apresentar cores reais, uma vez que os tons que escolheu mostram comprimentos de onda que se aproximam do infravermelho e vão até o ultravioleta. Na verdade, não podemos nos referir a cores certas ou erradas, mas sim a cores que representam processos físicos ocorrendo no objeto das fotos. Então, editá-las é a melhor forma de representar o máximo de informações disponíveis nos dados.

Titã 

(Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/SSI/CICLOPS/Kevin M. Gill/Universe Today)

Essa lua de Saturno é o único satélite natural no Sistema Solar do qual já mensuramos sua atmosfera: 95% dela é composta por nitrogênio, enquanto os 5% restantes são formados por metano. Na parte mais alta da atmosfera, as moléculas de nitrogênio e metano são separadas pela luz ultravioleta do Sol e partículas energizadas se acelerando no campo magnético do planeta. Esse fenômeno causa um brilho alaranjado que você vê na imagem.

Até 2008, os modelos químicos disponíveis não explicavam o motivo de haver monóxido de carbono na atmosfera de Titã. Sarah Hörst, cientista planetária na Universidade John Hopkins, explica que isso acontecia porque os cientistas não tinham uma informação importante: a lua Encélado dispara água no sistema de Saturno, e um pouco dessa água acaba na atmosfera de Titã. Como os gêiseres desta lua foram descobertos somente depois de 2005, não era possível incluí-los nos modelos.

Marte

Primeiro pôr do Sol colorido observado pelo rover Curiosity (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/MSSS/Texas A&M Univ/Universe Today)

Os rovers e landers na superfície de Marte já registraram algumas imagens de pôr do sol no Planeta Vermelho, e já podemos notar que o Sol parece ser bem menor por lá; isso ocorre porque Marte está mais longe da nossa estrela do que a Terra. Além disso, a atmosfera marciana causa um efeito curioso: a poeira que a compõe faz com que o azul da luz se espalhe com mais eficiência. Por isso, o pôr do sol marciano pode ter tons azulados.

Vênus

Vênus com processamento ultravioleta e infravermelho (Imagem: Reprodução/JAXA/ISAS/DARTS/Kevin M. Gill/Universe Today)

Esse mundo de temperatura e pressão extremas é coberto por nuvens que refletem e espalham a luz do Sol, de modo que Vênus parece brilhar no céu. Só que as imagens coletadas pelas missões Venera, da Rússia, mostram que a superfície do planeta não tem as mesmas cores de sua atmosfera. As rochas venusianas são acinzentadas, bem parecidas com aquelas que temos na Terra. Como a atmosfera densa do planeta filtra a luz solar, tudo parece ser laranja por lá e o Sol pareceria ter uma cor clara.

Plutão

Atmosfera de Plutão em preto e branco (Imagem: Reprodução/NASA)

15 minutos depois de se aproximar de Plutão em 2015, a sonda New Horizons se voltou para o Sol e capturou a imagem acima, que mostra as montanhas congeladas e planícies geladas se estendendo pelo horizonte de Plutão. As luzes de fundo são de mais de uma dúzia de camadas na atmosfera do planeta. Os cientistas não esperavam ter tantos detalhes, mas o fluxo da luz solar pela atmosfera tornou isso possível.

Fonte: UniverseToday, Space.com, ABC.net

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