Como a China quer levar astronautas a Marte e firmar a presença humana por lá?

Como a China quer levar astronautas a Marte e firmar a presença humana por lá?

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 17 de Junho de 2021 às 16h10
CNSA

Nesta semana, a cidade russa de São Petersburgo foi palco da conferência Global Space Exploration (GLEX). O evento contou também com a participação de oficiais da indústria espacial chinesa, que, além de trazer novos detalhes sobre a construção de uma base de pesquisa na Lua em parceria com a Rússia, revelaram novidades sobre os planos do país asiático para Marte — incluindo missões tripuladas e o estabelecimento da presença humana a longo prazo por lá.

Segundo informações de Wang Xiaojing, presidente da China Academy of Launch Vehicle Technology (CALT), a China está pesquisando as melhores formas de realizar missões humanas sustentáveis rumo a Marte e ainda não há datas para as futuras missões tripuladas. Além disso, com o sucesso do pouso recente do rover Zhurong, o país tem planos ambiciosos para o Planeta Vermelho, que envolvem uma missão de coleta e retorno de amostras a ser lançada no início de 2029, por sinal.

O rover Zhurong e sua plataforma de pouso em Marte (Imagem: Reprodução/CNSA via AP)

Estas e outras missões são etapas para a construção de uma plataforma necessária para missões humanas em Marte, que será iniciada com a criação de um posto orbital. Depois, haverá uma missão de pouso na superfície, seguida da construção de uma base em solo marciano. As demais fases incluem a criação de uma “econosfera” formada por uma frota de naves reutilizáveis, locais para propulsores serem abastecidos na órbita de Marte e uso de órbitas cíclicas.

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Wang afirmou também que a CALT já finalizou a pesquisa da arquitetura da missão, que inclui datas para lançamentos, tipos de órbitas para as naves chegarem ao planeta e o sistema de propulsão mais adequado para permitir estadias de diferentes durações. A fase robótica inicial do planejamento chinês deverá depender da propulsão química, a mesma usada nos lançamentos atuais, e as primeiras missões devem usar lançadores pesados para a construção da nave na órbita do planeta.

Com tecnologias de propulsão nuclear, seria possível reduzir o tamanho dos veículos de transferência entre a Terra e Marte, mas ainda são necessários mais avanços tecnológicos até que sistemas assim possam ser usados. Já cargas seriam transportadas para Marte para pousar separadamente, e haveria veículos ascendentes e descendentes usados para levar astronautas até a superfície do planeta, mas também faltam avanços tecnológicos para o desenvolvimento destes veículos.

O projeto apresentado por Wang é ambicioso e inclui o desenvolvimento de uma nova geração de naves tripuladas, mas vale destacar que, além de estar em um estágio embrionário, não considera os vários desafios envolvidos no transporte de humanos em longas viagens no espaço, como os efeitos da radiação e da microgravidade. Estas questões já estão sendo estudadas por outros institutos de pesquisa da China.

Fonte: Space.com

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