Colisão de cometa em Júpiter ajudou a popularizar a internet nos anos 1990

Por Patrícia Gnipper | 13 de Abril de 2020 às 15h20
Hubble/NASA

Em meados dos anos 1990, a internet ainda era "tudo mato" e não era todo mundo que tinha uma conexão discada em casa. Mas uma colisão cósmica para lá de dramática ajudou a popularizar a internet naquela década, quando um cometa atingiu o planeta Júpiter e não somente viralizou (no contexto da época, claro), como também fez com que as pessoas enxergassem a internet como um meio onde obter informações científicas, sendo um ambiente capaz de proporcionar muito além de entretenimento e curiosidades.

De acordo com o historiador Dagomar Degroot, da Universidade de Georgetown, a colisão do cometa Shoemaker-Levy 9 com Júpiter em julho de 1994 foi, além da primeira colisão prevista com antecedência entre objetos conhecidos no Sistema Solar, "um grande evento cultural, até mesmo político e ambiental". O cometa foi descoberto apenas um ano antes do impacto com o gigante gasoso, e forneceu a primeira observação direta de uma colisão do tipo na história da humanidade, o que gerou uma enorme cobertura da mídia — e a jovem internet foi impulsionada com o acontecimento.

Um telescópio básico seria suficiente para que observadores conseguissem acompanhar o impacto daqui da Terra, mas na época não foi possível prever um horário preciso de quando o impacto aconteceria, com aquela semana tendo sido chamada de "a semana do impacto", que poderia acontecer a qualquer momento. Então, entusiastas e astrônomos profissionais voltaram-se para a internet para compartilhar informações em tempo real sobre o status do fenômeno, a todo instante fazendo observações e relatando o que estava acontecendo. Na época, a World Wide Web tinha apenas cinco anos de idade, e hospedava somente cerca de 2.700 sites e, claro, ainda não existiam redes sociais.

Então, a minúscula comunidade online da época foi tomada de informações sobre a colisão do cometa com Júpiter, e Degroot descobriu que quase todas as pessoas conectadas à internet da época acabaram acessando os informes da NASA na semana do impacto. "Este foi realmente o primeiro tipo de evento viral da história", afirma o pesquisador, que também lembra que o fervor da internet foi destaque na mídia impressa, o que "elevou o perfil da internet não apenas para a minoria online, como também para a maioria offline", em suas palavras.

O cometa Shoemaker-Levy 9 em sua colisão com Júpiter (Imagem: Max Planck Institute for Astronomy)

E mesmo após a semana do impacto, o fenômeno continuou viralizando, com pessoas criando e mantendo páginas amadoras sobre o evento, o que fez com que o número de sites da internet aumentasse rapidamente. E foi justamente nessa época em que a NASA decidiu substituir as cartas impressas com as últimas divulgações científicas por meios de comunicação online.

Claro que somente este evento isolado não foi o único responsável pela ascensão da internet em 1994 nos Estados Unidos, mas, na visão de Degroot, "isso mostrou que a internet era viável como uma ferramenta para pesquisas, por um lado, mas também como uma ferramenta para conectar milhões de pessoas ao trabalho feito por cientistas".

*Esta matéria foi originalmente publicada em 20/03/2019, sendo atualizada e republicada em 13/04/2020

Fonte: Space.com

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.