Cinco possibilidades sobre a origem dos sinais repetitivos de rádio detectados

Por Patrícia Gnipper | 10 de Janeiro de 2019 às 15h10

Nesta semana, um observatório canadense chamado CHIME detectou sinais repetitivos de rádio vindos do espaço, com os sinais vindo de uma região espacial localizada a 1,5 bilhão de anos-luz da Terra. Os astrônomos ainda asseguram que os sinais vieram de uma única fonte, com 13 emissões do mesmo sinal sendo feitas em caráter sucessivo.

Essas rajadas rápidas de rádio (chamadas de FBR) são detectadas por telescópios em terra, e têm duração de alguns milissegundos antes de desaparecerem por completo. Mas a detecção atual tem a característica repetitiva, o que é incomum e misterioso. Não se sabe exatamente o que são esses sinais, e qual a sua origem verdadeira, mas há cinco possibilidades que podem explicar como e de onde vieram tais sinais.

Estrela de nêutrons em rápida rotação

Arte mostra como deve ser uma estrela de nêutrons em rápida rotação (Imagem: SETI)

Dependendo do tipo da estrela da qual estamos falando, ela pode se tornar uma estrela de nêutrons depois de explodir e "morrer". Esse tipo de estrela gira muito rapidamente, e astrônomos acreditam que essas estrelas, quando encontradas em uma região com um campo magnético muito alto, podem produzir sinais estranhos para nós.

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Fusão de estrelas

Concepção artística da fusão entre duas estrelas de nêutrons (Imagem: ESO/University of Warwick/Mark Garlick)

Outra possibilidade é a fusão, a partir de uma colisão, entre duas estrelas de nêutrons. Para Shriharsh Tendulkar, astrônomo da McGill University em Montreal, no Canadá, essa é uma das teorias que mais faz sentido quando se detecta FBRs, mas essa teoria acaba só fazendo sentido para sinais cósmicos únicos, e não para repetitivos (como é o caso da detecção atual). A maioria das FBRs registradas por telescópios na última década foi vista uma só vez, desaparecendo em seguida.

Buraco negro a partir de estrela de nêutrons

Também é possível que os sinais sejam provenientes de uma blitzar — estrela de nêutrons em rápida rotação que acaba colapsando sob seu próprio peso, criando, então, um buraco-negro. Isso significa a destruição da estrela e, por isso, talvez não se aplique ao sinal repetitivo detectado.

Buracos negros em geral

Como ainda não se tem pleno conhecimento sobre a formação, desenvolvimento e fenômenos relacionados a buracos negros, eles comumente aparecem em listas que elencam fenômenos que possam justificar coisas misteriosas descobertas no espaço. Em teoria, sinais repetitivos poderiam ser emitidos a partir de uma estrela de nêutrons "caindo" em um buraco negro, ou ainda um buraco negro em colapso, ou até mesmo a misteriosa matéria escura atingindo um buraco negro.

Alienígenas

E, ainda que não haja indícios concretos de que essas rajadas rápidas de rádio que foram detectadas de maneira repetitiva tenham sido emitidas por civilizações alienígenas tecnologicamente avançadas, esta possibilidade não está totalmente fora de questão. Contudo, para a Dra. Ingrid Stairs, astrofísica da Universidade de Colúmbia Britânica, no Canadá, esses sinais "vêm de todo o céu e de diferentes distâncias, então eles devem estar associados a muitas galáxias diferentes". E, seguindo essa linha de pensamento, "parece completamente inconcebível que possa haver muitas civilizações alienígenas diferentes decidindo produzir o mesmo tipo de sinal da mesma maneira", em sua opinião.

Fonte: BBC

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