Cientistas criticam projeto de lei que pode mudar cronograma do retorno à Lua

Por Daniele Cavalcante | 05 de Fevereiro de 2020 às 14h36
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Cientistas criticaram o projeto de lei de orçamento proposto pela Câmara dos EUA, que propõe adiar o retorno humano à Lua para 2028 e estabelece o envio de astronautas a Marte em 2033. Entre as várias alterações no programa Moon to Mars da NASA, o projeto reduz a ênfase no pouso de humanos na Lua, altera os planos para a estação orbital lunar Gateway e limita o papel de empresas privadas nas missões.

A legislação proposta, conhecida como HR 5666, ganhou críticas do administrador da NASA, Jim Bridenstine. Ele disse que o projeto impõe "restrições significativas" à capacidade de pousar e explorar a Lua e que isso impedirá a NASA de “desenvolver uma arquitetura flexível que tire proveito de toda a gama de capacidades nacionais - governo e setor privado - para atingir objetivos nacionais.”

Para os criadores do HR 5666, a NASA deve voltar a desenvolver suas tecnologias espaciais para que o governo mantenha a propriedade delas. Nos últimos anos, a agência tem recrutando parceiros como a Boeing, SpaceX e Lockheed Martin para o desenvolvimento de veículos espaciais. Isso tem um custo para os cofres públicos, já que a NASA usa seu orçamento para financiar essas empresas durante o programa de parceria.

Além de Bridenstine, vários cientistas se manifestaram contra o novo projeto de lei. Em uma carta publicada na última semana, eles expressaram suas preocupações, algumas delas reforçando os comentários de Bridenstine. Os signatários da carta aberta incluem cientistas de diferentes lugares do país, planejadores de missões e engenheiros - alguns que atuaram durante as missões Apollo e outros envolvidos com o Programa Artemis.

Conceito de módulo lunar do Programa Artemis (Imagem: Nasa)

Na carta, o texto diz que há "sérias preocupações" sobre o projeto e que são necessárias revisões. Entre as críticas, está a ideia de que a NASA deveria construir o sistema de alunissagem humana para a missão Artemis, que seria "totalmente de propriedade e dirigida pelo governo", em vez de contar com as empresas privadas para tal, como vem fazendo. Mas os autores da carta disseram que "um programa de voo espacial humano totalmente financiado pelos contribuintes não é sustentável" e que é "fundamental mostrar ao contribuinte que pode haver um retorno tangível do investimento em enviar seres humanos para sobreviver e prosperar fora do planeta Terra".

Eles afirmam que a Lua “promoverá a exploração humana sustentável de Marte, enquanto expande a esfera econômica dos Estados Unidos e de nossos parceiros internacionais". Para os cientistas, o projeto de lei proposto tem a “falsa perspectiva” de que a missão lunar seria apenas um trampolim para Marte, e não um alvo importante, com recursos para explorar. Esses recursos poderiam sustentar uma missão lunar prolongada. Seria uma oportunidade perdida, argumentam os cientistas, pois “é fundamental que aprendamos” a viver fora da Terra.

Além disso, uma presença contínua na Lua promoveria descobertas científicas e tecnológicas, além de introduzir oportunidades comerciais, como turismo espacial e mineração de outros mundos. Sem isso, os EUA não estariam suficientemente preparados para uma missão tripulada a Marte na próxima década, já que ainda é preciso desenvolver coisas como proteção contra radiação e módulos de tripulação habitáveis.

O Subcomitê de Ciência do Espaço e Aeronáutica - um dos seis subcomitês do Comitê de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Estados Unidos - analisou recentemente a proposta H.R. 5666 durante uma sessão, mas nenhuma alteração importante foi feita no documento. O projeto de lei foi aprovado, mas o documento pode sofrer novas revisões à medida que avança pelas próximas etapas da cadeia legislativa dos EUA.

Fonte: Gizmodo, Space.com

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