Cientista sugere pintar asteroides com tinta metálica para desviá-los da Terra

Cientista sugere pintar asteroides com tinta metálica para desviá-los da Terra

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 07 de Janeiro de 2022 às 19h40
urikyo33/Pixabay

Pintar um asteroide com uma tinta metálica seria uma alternativa barata e eficiente para desviá-lo Terra. A ideia, apresentada pelo astrônomo Jonathan Katz, da Washington University, é de transformar o corpo celeste em uma espécie de globo de espelhos (sim, aqueles típicos de discotecas), para que ele reflita mais luz e, assim, mude sua órbita.

Os astrônomos calculam que, a cada 500 mil anos ou mais, um asteroide com aproximadamente 1 km de diâmetro possa colidir com a Terra. No momento, seguimos seguros, mas, caso um evento desses realmente aconteça, precisamos estar prontos para impedir uma tragédia global.

Apenas 40% da população de asteroides próximos a Terra é conhecida (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

A NASA e outras agências espaciais seguem monitorando qualquer objeto que se aproxime do nosso planeta. Atualmente, apenas 40% dos asteroides próximos são conhecidos, mas a meta é conhecer ameaças com tamanhos que vão de quilômetros a metros.

Missões como a DART (Double Asteroid Redirection Test), lançada pela NASA em novembro do ano passado, envolvem colidir uma espaçonave com um asteroide para mudar sua trajetória. Mas, para o astrônomo Jonathan Katz, revestir o corpo celeste de metal seria uma alternativa simples e eficiente para o mesmo propósito.

Asteroide pintado seria empurrado pelo Sol

Na prática, o impulso gerado pelo reflexo do asteroide não seria tanto, mas Katz acredita que, uma vez que o corpo for identificado com antecedência, bem como sua trajetória, ao longo prazo essa força seria o suficiente para mudar sua órbita.

Conceito artístico de um asteroide se desfragmentando (Imagem: Reprodução/NASA)

Pequenos asteroides podem ser movidos com o Efeito Yarkovsky. Basicamente, o corpo celeste é aquecido pelos raios solares e, posteriormente, ele reemite essa energia e ganha um pequeno impulso. A proposta de Katz indica um impulso mais imediato, o que facilitaria nos cálculos de sua trajetória.

Revestir a superfície do asteroide com lítio ou sódio aumentaria sua refletividade. Apenas 1 kg de metal seria o suficiente para cobrir o corpo celeste com uma camada de micrômetros de espessura. “Um asteroide de 50 m de diâmetro pode ser desviado por 3.000 km em um século ou 1.000 km em 30 anos”, acrescentou Katz.

Uma alternativa à abordagem seria revestir apenas metade do asteroide para gerar um impulso mais direcionado. “Uma espaçonave em órbita polar acima de um asteroide que emite o metal na forma de vapor deve ser capaz de pintar o corpo inteiro ou partes dele, disse Katz.

A proposta foi apresentada no periódico científico Earth and Planetary Astrophysics.

Fonte: Earth and Planetary Astrophysics, Via Astronomy.com

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