Cientista sugere editar DNA de astronautas que serão enviados a Marte

Por Daniele Cavalcante | 07 de Novembro de 2019 às 21h20
Zach Rogers

Elon Musk já declarou que a humanidade deve se tornar uma espécie multiplanetária, e ele não é o único que se empenha em fazer sua parte para contribuir com esse objetivo. O geneticista Chris Mason fez uma pesquisa para descobrir como seres humanos podem superar os desafios de viajar para outros mundos, e uma das maneiras que ele encontrou seria a combinação do DNA humano com o dos tardígrados — aqueles curiosos animais extremamente resilientes que, inclusive, foram levados à Lua.

Ele investigou os efeitos genéticos dos voos espaciais em busca de soluções para expandir nossa espécie no Sistema Solar, o que inclui proteger os futuros astronautas em missões para lugares como Marte. Uma dessas soluções envolve esses animais microscópicos que podem sobreviver às condições mais extremas, até mesmo no vácuo do espaço.

Para esse estudo, Mason liderou uma das 10 equipes de pesquisadores que a NASA escolheu para investigar os astronautas gêmeos Mark e Scott Kelly. É que, em 2015, Scott passou quase um ano a bordo da Estação Espacial Internacional, enquanto seu irmão Mark permaneceu na Terra. Por isso, os cientistas compararam como eles reagiram biologicamente durante esse período para entender melhor como missões espaciais de longa duração afetam o corpo humano.

Mason e outros pesquisadores encontraram muitos dados que revelam como o espaço afeta o corpo humano. Essas pesquisas podem ajudar a encontrar meios de mitigar os perigos de voos espaciais de longa duração, de acordo com Mason. Mas os cientistas ainda precisam realizar estudos semelhantes com um grupo maior de astronautas para, então, desenvolver um meio de alterar a forma como humanos reagem geneticamente aos voos espaciais.

Edição genética para sobreviver no espaço

A edição de DNA visa correção de doenças e problemas genéticos, mas ainda é alvo de questões éticas

Mason considerou que os futuros astronautas podem receber remédios ou outras abordagens para ajudar a diminuir os efeitos negativos das viagens espaciais, mas os estudos também investigam como a edição de genes podem tornar os seres humanos mais resistentes no espaço, e até em planetas como Marte.

Se os cientistas descobrissem uma maneira de tornar as células humanas mais resistentes aos efeitos da radiação, um dos maiores perigos do espaço, os astronautas poderiam permanecer ​​por períodos mais longos em suas missões longe da Terra. Claro, a ideia de mexer com genes humanos é controversa, e Mason enfatizou que provavelmente haverá décadas de pesquisa antes que esse tipo de ciência seja aplicada em pessoas de verdade.

Mason não pretende colocar o plano de “projetar astronautas” nas próximas duas décadas. Ele pretende primeiro realizar pesquisas e validar a ideia durante cerca de 20 anos. Depois desse período, ele espera que estejamos em um estágio da ciência em que “podemos fazer um humano que poderia sobreviver melhor em Marte”.

Uma das maneiras que os pesquisadores estão investigando para “projetar” astronautas geneticamente é combinar o DNA de outras espécies, como os tardígrados, com células humanas para torná-las mais resistentes aos efeitos nocivos dos voos espaciais, como a radiação. A edição genética seria apenas uma parte de mudanças naturais na fisiologia humana que poderiam acontecer depois de viver em Marte por muito tempo, de acordo com Mason. "Não é se evoluímos; é quando evoluímos", acrescentou.

O que são tardígrados?

Os tardígrados são um dos seres mais resistentes do planeta!

Os tardígrados, também chamados de ursos da água, são conhecidos como uma das espécies mais resilientes do nosso planeta. Eles têm diferentes capacidades de se adaptar a várias condições hostis - por exemplo, podem sobreviver presos no gelo por décadas, e em condições secas eles se encolhem em um formato de “tonel”, que lhes permite viver sem água por décadas.

Em 2007, a Agência Espacial Europeia (ESA) lançou um satélite com uma carga de tardígrados e os expôs ao vácuo do espaço e à radiação cósmica. Dez dias depois, os ursos da água foram trazidos de volta à Terra e reidratados, e muitos deles sobreviveram. São os primeiros animais registrados a resistir à completa exposição ao espaço.

No último mês de agosto, uma espaçonave israelense que continha uma carga de tardígrados caiu na Lua, e espera-se que eles possam sobreviver por lá durante um bom tempo. Se esses ursos da água estivessem na forma de tonel quando a nave caiu, o metabolismo deles teria sido reduzido em 99,99% para sobreviver às condições lunares.

Certamente Mason e seus colegas enfrentarão questões éticas durante suas pesquisas de edição do DNA. No entanto, ele acredita que a engenharia genética de seres humanos pode ser ética se ela ajudar as pessoas a habitar Marte sem interferir na capacidade de viver na Terra.

Fonte: Space.com

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