Chuva de meteoros Orionídeas terá pico nesta madrugada; saiba como observar

Por Daniele Cavalcante | 20 de Outubro de 2020 às 09h00
Flickr/Ben Goldstein

A chuva de meteoros Orionídeas (ou Oriónidas) é mais uma das muitas que acontecem todos os anos. Talvez não seja a mais famosa, por proporcionar espetáculos um pouco mais tímidos se comparada com chuvas como a Perseidas, que traz uma quantidade maior de meteoros, mas está entre as melhores para se observar. Ela acontece entre os dias 15 e 29 de outubro todos os anos e, em 2020, e atinge seu pico na madrugada do dia 20 para 21.

Durante o pico, as chuvas alcançam a maior quantidade de meteoros por hora. Em outras palavras, o melhor momento para assistir a esse evento será na madrugada entre terça e quarta-feira desta semana. Se as condições do céu noturno estiverem boas o suficiente, você verá detritos do cometa Halley entrando na atmosfera terrestre e queimando no céu noturno.

Isso acontece porque, todos os anos, a Terra passa pela mesma região onde o cometa Halley viajou, deixando para trás uma boa quantidade de “sujeira cósmica”. Os cometas nada mais são do que um pedaço de entulho espacial, que, ao se aproximar do Sol, deixa um rastro de poeira e pedrinhas bem pequenas. Quando nosso planeta atravessa esse rastro, algumas dessas pedrinhas acabam entrando na nossa atmosfera.

Orionídeas capturado em 2017 (Imagem: Reprodução/Sergio Garcia Rill)

Não existe risco para nós em qualquer chuva de meteoros. É que essas pedrinhas são tão pequenas — às vezes do tamanho de uma semente de maça ou laranja — que se desfazem por completo quando queimam devido ao atrito com nossa atmosfera, deixando o rastro brilhante no céu. Portanto, é um espetáculo seguro, além de belo.

As expectativas podem ser boas para as Orionídeas este ano, principalmente para o hemisfério Sul. Durante o pico, espera-se que traga pelo menos cerca de 20 meteoros por hora, mas, em 2006 e 2009, a chuva chegou a produzir mais de 60. É possível que a taxa possa voltar a aumentar neste ano, e o melhor de tudo é que esta é uma chuva considerada fácil de ser vista.

Como observar a chuva de meteoros Orionídeas

Essa chuva recebeu o nome Orionídeas porque seus meteoros surgirem sempre da direção da constelação de Orion. Isso não significa que eles só aparecem nesse ponto do céu, e sim que, independentemente de onde aparecerem, você terá a impressão de que o “risco” brilhante veio de lá.

Portanto, você não precisa necessariamente olhar para Orion — embora seja útil saber onde a constelação está. Em caso de dúvida, basta procurar pelas famosas "Três Marias", as estrelas que formam o cinturão do caçador, figura que representa a constelação de Orion. O melhor horário para observar essa chuva é após a meia-noite, quando a constelação estará em uma posição bem visível no céu para nós, brasileiros.

As Três Marias estão entre a Betelgeuse e Rigel nesta simulação da madrugada do dia 22/10, com localização em São Paulo (Captura de tela: Daniele Cavalcante/Canaltech/Stellarium)

Para ver mais meteoros, a dica é olhar um pouco mais acima da constelação de Orion, mais perto da estrela Rigel. Mas lembre-se de que você não verá muitos meteoros de uma só vez, como costumam mostrar as imagens. Mesmo com uma taxa otimista de 40 meteoros por hora, você deverá ver um risco após o outro, com intervalos de alguns minutos. Por isso, se quiser fotografá-los, é bom ter em mãos uma câmera com função de longa exposição, e deixá-la posicionada em um tripé enquanto captura a luz do céu por algum tempo. Lembrando que é preciso um céu limpo de nuvens e de preferência livre da poluição luminosa das cidades. Infelizmente, os Orionídeas normalmente são escuros e não são bem visualizados em locais urbanos.

Ah, também é bom ficar bem atento, pois os meteoros da Orionídeas podem ser muito velozes, chegando a 66 km/s, além dos riscos brilhantes serem bem finos. Os meteoros de cada época do ano apresentam linhas diferentes do céu — alguns lentos e com rastros dourados que permanecem mais tempo, por exemplo —, provavelmente por causa do tipo de material encontrado nas rochas espaciais e nos cometas que dão origens a cada uma das chuvas.

Por fim, caso sua região não apresente as condições adequadas para observação, você pode acompanhar uma transmissão ao vivo da chuva de meteoros na live do canal Galeria do Meteorito.

O cometa Halley

O cometa P1/Halley (Imagem: Reprodução/W. Liller/NASA)

O cometa Halley leva cerca de 76 anos para orbitar o Sol uma única vez. Em sua última passagem, em 1986, provavelmente deixou um rastro de detritos, mas esse rastro se acumula desde as primeiras vezes que o cometa passou por aqui. Seu nome é uma homenagem a Edmond Halley, que o “descobriu” em 1705. Na verdade, seu trabalho foi identificar que três cometas famosos eram, na verdade, o mesmo objeto.

Mas o cometa já era muito famoso, sendo conhecido por civilizações há milênios, e se tornou muito popular em sua última passagem, aparecendo de muitas maneiras na mídia brasileira, inclusive. As dimensões do cometa Halley são 16x8x8 km e se trata de um dos objetos mais escuros ou menos reflexivos do Sistema Solar.

Fonte: NASA, Space.comGaleria do Meteorito,

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