Chuva de meteoros Aquáridas atingirá pico nesta madrugada; saiba como observar

Por Daniele Cavalcante | 28 de Julho de 2020 às 16h30
Jason Weingart/Getty Images

Nesta madrugada de terça-feira (28) para quarta-feira (29), teremos a oportunidade de ver mais um espetáculo celeste: a chuva de meteoros Delta Aquáridas Austrais (Delta Aquariids ou Delta Aquarídeos Austrais) atingirá seu pico, bem a tempo de ser observada por quem também vem tentando visualizar o cometa C/2020 F3 NEOWISE, que presenteou os brasileiros com sua passagem nos últimos dias.

Aqui no Brasil, tivemos que esperar alguns dias até que o NEOWISE se tornasse visível para nós, o que finalmente aconteceu na última semana, proporcionando fotografias incríveis do cometa. Agora, com a nova chuva de meteoros, os observadores e entusiastas de astronomia terão mais um motivo para ficar bastante tempo olhando para o céu nesta madrugada.

Todos os anos, a Delta Aquarídeas acontece entre os dias 14 de julho e 18 de agosto, mas a taxa de meteoros por hora atingirá o ponto máximo na madrugada de 28 pra 29 de julho, de acordo com informações publicadas pela Organização Internacional de Meteoro. Como o nome sugere, seu radiante fica na constelação de Aquário, mais precisamente a estrela Delta Aquarii, e sua história registrada ainda é bastante recente.

Origem da Delta Aquarídeos Austrais

O cometa 96P/Machholz registrado pelo satélite STEREO, da NASA (Imagem: NASA)

As chuvas periódicas são normalmente geradas pelos detritos deixados por cometas que passaram por algum ponto da órbita terrestre ao redor do Sol. Esses detritos ficam por lá mesmo, e sempre que nosso planeta passa por este ponto da trajetória orbital, nossa gravidade atrai alguns desses detritos, que caem em nossa atmosfera e evaporam antes de atingirem a superfície.

Com a Delta Aquáridas não deve ser diferente, mas seu cometa de origem permanece em um certo mistério. Embora alguns astrônomos cogitem que a chuva seja resultado dos detritos deixados pelo cometa 96P/Machholz, descoberto em 1986, isso é algo que ainda não é confirmado. Antes, pensava-se que ele se originou dos cometas Marsden e Kracht Sungrazing, por exemplo.

Esse cometa completa uma volta ao redor do Sol a cada 5 anos, aproximadamente, percorrendo uma distância relativamente curta: em sua máxima distância do Sol ele ultrapassa apenas a órbita de Júpiter, e durante sua máxima aproximação com o Sol ele fica mais próximo da nossa estrela do que Mercúrio. Nessa jornada, ele eventualmente deixará seus detritos à medida que se aproxima do Sol e perde parte de seu material durante o processo.

Representação dos detritos deixados pelo cometa durante sua jornada ao redor do Sol. O círculo azul representa a órbita da Terra (Imagem: Imo)

Para tornar o mistério ainda mais complexo, os relatos mais antigos da chuva Delta Aquáridas Austrais datam de 1870. Parece muito tempo, mas se comparado com chuvas mais “históricas”, foi praticamente ontem, em termos cósmicos. Só para comparar, os registros mais antigos a chuva de Perseidas feitos por astrônomos chineses datam de 36 d.C.

Quem registrou primeiro essa chuva foi o astrônomo George Lyon Tupman. Em 1870, ele contou 65 meteoros observados entre 27 de julho e 6 de agosto, e apontou os pontos aparentes de início e de término do radiante dos riscos gerados pelo objeto. Mais tarde, Ronald A. McIntosh, jornalista da Nova Zelândia que se tornou famoso por suas contribuições à astronomia, reformulou essas trajetórias meteóricas, corrigindo alguns erros, com base em um número maior de observações feitas entre 1926 e 1933. O trabalho continuou com outros observadores, mas foi a astrônoma Mary Almond que, em 1952, determinou a velocidade e a órbita exatas dos Delta Aquarídeos.

O trabalho de Almond foi confirmado no Harvard Meteor Project (uma pesquisa científica da Universidade de Havardy) de 1952–1954, via observação fotográfica de órbitas. Este projeto também produziu a primeira evidência de que o fluxo é influenciado por Júpiter.

Observando a Delta Aquáridas a olho nu

Posição das estrelas e planetas no céu do dia 29, à meia noite, sobre Brasília (Imagem: vercalendario.info)

A Delta Aquáridas tem a palavra “austral” em seu nome por um motivo: ela é visível principalmente no Hemisfério Sul (austral é um termo relativo à região abaixo da linha do Equador). Portanto, poderemos ver os meteoros - se tivermos um céu limpo, claro.

Também é importante estar livre da poluição luminosa, ou seja, afastado dos centros urbanos, onde a concentração de luzes acaba atrapalhando a visualização de objetos celestes. Se você estiver em local privilegiado, não será necessário equipamentos astronômicos como binóculos ou telescópios para ver o espetáculo.

Embora o radiante seja na constelação de Aquário, próximo da estrela Delta Aquarii, não é preciso necessariamente olhar para lá. O ponto radiante é apenas de onde as “estrelas cadentes” parecem vir, mas não significa que elas aparecem nessa constelação. Portanto, fique atento ao zênite (o ponto mais alto do céu, bem acima da sua cabeça) por volta das 02h00 da madrugada. A constelação estará ali, mas preste atenção a toda essa região para não perder nada.

A previsão é de uma taxa de 25 meteoros por hora, o que não é fora de série, mas também não nada decepcionante. Vale a pena ficar acordado até mais tarde, se possível, e tentar apreciar mais este fenômeno.

Fonte: Meteor Showers, IMO

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