China descobre que lado afastado da Lua é mais frio do que se imaginava

Por Patrícia Gnipper | 01 de Fevereiro de 2019 às 19h50

Nós vemos o mesmo lado da Lua o tempo todo, e o outro lado, chamado de lado afastado da Lua, está sendo explorado pela agência espacial chinesa com a missão Chang'e 4 desde janeiro deste ano, composta por uma sonda estacionária e um rover exploratório. E, depois de cultivar brotos de algodão por lá, a missão agora descobriu que as noites lunares naquele hemisfério são ainda mais frias do que imaginávamos.

Uma noite lunar dura cerca de duas semanas terrestres, e dados das missões Apollo, da NASA, apontavam que a temperatura da superfície iluminada da Lua poderia atingir os 127 graus Celsius durante o dia, caindo para -173 graus Celsius à noite. E, agora, a Chang'e 4 registrou temperaturas de -190 graus Celsius na longa noite do lado afastado da Lua. Por conta de temperaturas tão extremas, os brotos de algodão que a China cultivou no lado afastado da Lua, mesmo estando em um recipiente fechado e em ambiente controlado, acabaram morrendo em sua primeira noite lunar.

O diretor executivo da missão, Zhang He, acredita que essa diferença nas temperaturas noturnas entre o lado que vemos da Lua e seu lado mais afastado pode estar relacionada a "provavelmente uma diferença na composição do solo lunar entre seus dois lados". Contudo, "ainda precisamos de uma análise mais cuidadosa" antes de fazer tal afirmação. Caso essa suposição se prove correta, é possível que algo na "sujeira" lunar esteja fazendo com que o solo retenha menos calor durante a noite do que os locais de pouso das naves do programa Apollo.

Essa é a primeira vez na história da exploração espacial em que a humanidade pousa uma nave no lado afastado da Lua, que até então somente havia sido estudado com voos orbitais e sondas que ficam na órbita da Lua. Então, todo e qualquer dado científico obtido pela missão chinesa é singular e valioso para entendermos ainda melhor o satélite natural que abrilhanta o céu noturno da Terra.

Fonte: Live Science

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