Chefe da NASA propõe usar foguete Falcon Heavy para levar humanos à Lua até 2024

Por Thaís Augusto | 02 de Abril de 2019 às 08h47
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Um novo plano da NASA pode levar novamente humanos para a Lua até 2024. Para cumprir esse prazo, a ideia envolveria um foguete Falcon Heavy da SpaceX (uma das empresas de Elon Musk) e um propulsor criogênico construído pela United Launch Alliance.

A possibilidade foi levantada pelo chefe da agência espacial dos EUA, Jim Bridenstine, durante reunião com funcionários nesta segunda-feira (1º). "Fale sobre companheiros estranhos", ele brincou ao citar as duas empresas.

Bridenstine ressaltou que a abordagem precisaria ser aprovada pelo chefe de voos espaciais tripulados da NASA, William Gerstenmaier. O plano reúne uma série de detalhes técnicos como o desafio de colocar o foguete Falcon Heavy em uma posição horizontal e, em seguida, carregá-lo com a nave Orion carregada com combustível em uma configuração vertical na base de lançamento.

Nave espacial Orion da NASA, construída para transportar astronautas à Lua, Marte e asteróides

"Isso exigiria tempo e custo e também há riscos envolvidos", disse Bridenstine. "Mas adivinhe: se vamos pousar na Lua em 2024, temos tempo, a capacidade de aceitar alguns riscos e fazer algumas modificações. Tudo isso está na mesa".

Com o comentário, Bridenstine quebra um tabu político: esta é a primeira vez que um oficial sênior da NASA abre as portas para que a agência utilize em suas missões tripuladas um foguete de empresas privadas, como o Falcon Heavy.

A reunião do chefe da NASA foi realizada para explicar como os humanos poderiam retornar à Lua até 2024, uma meta estabelecido pelo vice-presidente dos Estados Unidos Mike Pence na semana anterior durante discurso sobre política espacial em Huntsville, Alabama.

Até a discussão entre funcionários da agência, acreditava-se que apenas o Sistema de Lançamento Espacial da NASA poderia colocar a nave espacial Orion em órbita lunar.

Problemas

Apesar da expectativa positiva, ainda existem advertências ​a serem consideradas. Enquanto Bridenstine diz que o foguete SLS (ainda em desenvolvimento pela NASA) ainda é a opção preferida da agência, o primeiro lançamento do foguete foi adiado para até pelo menos o final de 2020, e não há garantia de que ele estará pronto para voar até lá.

Há também a questão de Gerstenmaier, que estava sentado na primeira fila durante a reunião na prefeitura. Em várias ocasiões, Bridenstine se referiu ao líder dos voos espaciais dos Estados Unidos: "Gerst vai ficar tão bravo comigo por dizer tudo isso". Fontes disseram ao site Ars Technica que Gerstenmaier ainda não comprou a ideia de utilizar um foguete Falcon Heavy.

Finalmente, há a política. Não está claro se os democratas apoiariam uma política como a que foi apresentada pelo governo Donald Trump para utilizar empresas espaciais privadas. Certamente haverá oposição dos principais senadores republicanos, como Richard Shelby, do Alabama, que deve se opor a qualquer tentativa de deixar de lado o foguete SLS.

Por tudo isso, no entanto, Bridenstine reiterou a linha de Pence de que os "fins" de alcançar a Lua importam muito mais do que os "meios". E ele encorajou a força de trabalho da NASA a abraçar a possibilidade de mudança que aceleraria o que tem sido, até agora, um ritmo bem lento na missão de levar humanos ao espaço. "É uma oportunidade única na vida", disse Bridenstine.

Fonte: Ars Technica

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