Cartilagem humana é criada no espaço pela primeira vez por cosmonauta na ISS

Por Danielle Cassita | 21 de Julho de 2020 às 12h51
Vladislav Parfenov/3D Bioprinting Solutions

Oleg Kononenko, cosmonauta que vive hoje na Estação Espacial Internacional (ISS), realizou um experimento que resultou na criação de cartilagem humana, produzida pela primeira vez no espaço em uma solução inovadora. Já houve produções parecidas na Terra por meio de bioimpressoras, mas existem algumas diferenças interessantes no estudo realizado na ISS. 

Para o experimento, a equipe desenvolveu – ainda na Terra, vale lembrar - esferoides baseados nas células da cartilagem humana, que foram enviados à ISS com um fluido magnético biológico para se unirem. Chegando lá, foi necessário resfriar os esferoides para retirá-los do pacote de hidrogel e misturá-los ao fluido que os deixaria na forma correta.

Com o magnetismo, os efeitos causados pela microgravidade e aceleração podem ser contidos, de modo que os objetos ficam na posição necessária para a cicatrização ocorrer. Claro que as células da cartilagem não possuem propriedades magnéticas, mas o fluido que as une sim, o que permite manipular o tecido para trabalhá-lo.

Confira abaixo a representação 3D do tecido:

(Imagem: Kenn Brakke, Susquehanna University, Selinsgrove, PA, USA; Elizaveta Koudan, Laboratory for Biotechnological Research “3D Bioprinting Solutions”)

"As pessoas já vinham realizando experimentos biológicos e cultivando células no espaço, mas poder transformar esses blocos de construção em estruturas mais complexas com essa ferramenta é algo único", comentou Utkan Dermici, radiologista da Universidade de Stanford.

Este estudo é bastante animador e pode abrir um caminho de possibilidades para a impressão 3D de materiais orgânicos e inorgânicos no espaço. Claro que ainda há muito a ser descoberto e estudado até chegar a estágios mais avançados, já que o transporte de instrumentos delicados para o espaço exige equipamentos adequados e custos altíssimos.

Desenvolver esse tecido é também uma forma de chegarmos mais perto da criação de equivalentes completos de tecidos humanos e órgãos, que irão permitir estudos mais aprofundados sobre como as condições de voo no espaço podem influenciar o corpo humano. No futuro, esses conhecimentos podem ser utilizados até para as possíveis necessidades da medicina espacial.

Fonte: Science Alert, Science Advances

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