Buraco da camada de ozônio atinge menor nível da última década, segundo a NASA

Por Rafael Rodrigues da Silva | 21 de Outubro de 2019 às 22h50
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De acordo com diversas observações feitas pela NASA e pelo NOAA (órgão público de meteorologia dos Estados Unidos), padrões climáticos anormais nas camadas mais elevadas da atmosfera sobre a Antártica limitaram drasticamente a depleção do ozônio entre os meses de setembro em outubro, resultando no menor buraco observado na camada protetora da Terra desde 1982.

Este ano, o buraco na camada de ozônio atingiu o tamanho máximo no dia 8 de setembro, quando bateu a marca de 16,4 milhões de km² de área, e então foi diminuindo até atingir o tamanho de cerca de 10 milhões de km², tamanho com o qual permaneceu durante todo o resto do mês de setembro e das primeiras duas semanas de outubro. Esses valores foram encontrados tanto pelos satélites da NASA quanto do NOAA, então podem ser considerados como informações confiáveis.

Apesar disso, Paul Newman, cientista chefe da divisão de Ciências da Terra no Centro de Voos Espaciais Goddard, afirma que, ainda que mesmo que essa seja uma ótima notícia para o Hemisfério Sul (que é onde se encontra o buraco na camada de ozônio), não é possível dizer que essa diminuição é um indício de que a recuperação do buraco está avançando melhor do que o esperado, mas sim que o que estamos vendo este ano é um evento raro no qual o aumento na temperatura da estratosfera causa essa diminuição na depleção de ozônio.

Explicando o fenômeno

Formado por três moléculas de oxigênio, o ozônio é um elemento facilmente encontrado na natureza em pequenas quantidades, mas é mais facilmente encontrado a cerca de 35 km acima da superfície do planeta, onde ele forma uma camada protetora em volta de todo o globo. Essa camada funciona como um “protetor solar” natural, e protege a Terra da exposição direta aos raios ultravioletas da luz solar, que podem causar câncer de pele, suprimir o sistema imunológico de animais e humanos e até mesmo danificar as folhas de plantas.

Todos os anos, geralmente durante o final do inverno, o retorno de uma maior exposição à luz solar gera uma depleção natural na camada de ozônio, fazendo com que se forme um “buraco” nessa camada que fica bem acima do polo sul terrestre. Apesar de ser um fenômeno natural, nas últimas décadas a atividade humana tem ajudado a aumentar a essa depleção do ozônio, já que o uso do clorofluorcarboneto (CFC, que durante anos foi utilizado em aerossóis e gases de refrigeração) envia para a atmosfera gases que aceleram as reações naturais de depleção, fazendo com que o buraco se torne maior do que o natural.

Normalmente, o buraco da camada de ozônio costuma atingir um tamanho de cerca de 20 milhões de km² entre o final de setembro e começo de outubro, o que faz dos valores mensurados pelos satélites de ambas as agências dos Estados Unidos bem menores do que o normal para a época.

Isso ocorreu este ano porque os eventos que possibilitam uma menor taxa de depleção do ozônio, que costumam ser bem fracos nos meses de setembro e outubro, aconteceram com maior força em 2019. O que ocorreu este ano foi que, durante o começo de setembro, a temperatura do ar sobre a Antártica em uma altitude de 20 km do solo registrou um valor 16 ºC maior do que a média para esta época do ano, o que também significou um recorde histórico, já que foi a temperatura mais alta para a região durante os 40 anos que essa medição é feita. Essa alta temperatura acabou causando uma mudança no vórtice polar, tirando o centro dele de cima do polo sul e diminuindo a velocidade dos ventos, que costuma ser de quase 260 km/h, para 107 km/h. Essa desaceleração na rotação do vórtex permitiu que o ar se condensasse nas partes mais baixas da estratosfera, que é onde a deplação do ozônio ocorre.

Imagem em timelapse mostra a trajetório de uma sonda de ozônio de sua base de lançamento em direção à estratosfera (Imagem: Robert Schwarz/Universidade de Minnesota)

Tal condensação causou primeiro um aumento na temperatura da baixa estratosfera sobre a Antártica, o que diminiu a formação de nuvens, que são os principais vetores para a depleção do ozônio. Outro efeito causado por essa mudança anormal da temperatura foi o que trouxe para a região massas de ar ricas de ozônio da regiões mais ao norte da hemisfério sul, aumentando ainda mais a concentração de ozônio sobre a Antártica. E foi então a acumulação de todos esses efeitos que resultou no menor buraco da camada de ozônio em ambos.

Essa é a terceira vez nos últimos quarenta anos que o aumento das temperaturas na região causa uma diminuição no buraco da camada de ozônio, sendo que as outras duas ocorreram em 1988 e em 2002, significando que esse tipo de fenômeno acontece, em média, a cada 15 anos. Mas, apesar de o fenômeno ter sido causado diretamente pelo aumento das temperaturas na região da Antártica, Susan Strahan, cientista atmosférica da USRA (Universities Space Research Association), alerta que não há nenhum padrão que indique qualquer conexão entre esse aumento anormal da temperatura do polo sul com o fenômeno do aquecimento global.

Desde a assinatura do Protocolo de Montreal em 1987, quando os principais países do mundo se propuseram a encontrar alternativas para a substituição dos gases que aumentam a depleção do ozônio da atmosfera, o uso de produtos que contêm CFC vem diminuindo consideravelmente, e espera-se que o buraco na camada de ozônio continue a se recuperar gradualmente. Enquanto isso, o menor buraco registrado em anos pela NASA continuava em um tamanho estável de 10 milhões de km² até o dia 16 de outubro, e é esperado que ele se dissipe aos poucos nas próximas semanas.

Fonte: NASA

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