Baratas e peixes comeram poeira lunar em estranhos testes feitos pela NASA

Por Daniele Cavalcante | 29 de Julho de 2019 às 22h50
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Já imaginou se as amostras da Lua que os astronautas da missão Apollo 11 — que completou 50 anos este mês — trouxeram para a Terra estivessem contaminadas por bactérias ou outras formas de vida prejudiciais à vida terrestre? A vitoriosa missão espacial poderia ter se transformado em um desastre, fosse este o caso. Para garantir que que as rochas lunares trazidas para cá não ofereceriam nenhum risco à nossa saúde, a NASA realizou alguns experimentos inusitados, como alimentar baratas com as amostras, injetá-las em ratos, entre coisas tão estranhas quanto estas.

Os cientistas precisavam provar que não iriam contaminar os seres humanos e outros animais e plantas, em qualquer parte da biosfera da Terra, com o solo trazido do espaço. Então, tiveram que desenvolver um programa bastante amplo para eliminar qualquer dúvida sobre a segurança ao lidar com o material lunar. Enquanto os próprios astronautas eram mantidos em quarentena e monitorados durante três semanas, uma série de ratos tiveram o material da Lua injetado em seus corpos, e foram vigiados da mesma maneira que a tripulação.

"Eles sempre queriam saber como os roedores estavam", disse Judith Hayes, chefe da Divisão de Pesquisa e Ciências Ambientais da NASA, que trabalhava no prédio que abrigou a instalação de quarentena. "Se os roedores se saírem bem, provavelmente seriam libertados; se os roedores não estivessem bem, provavelmente seriam examinados com muito mais cuidado e mais tempo", relata.

Foto: Divulgação

Além dos camundongos, a agência e seus parceiros também selecionaram outras espécies para tornar a pesquisa mais abrangente. Escolheram codornas japonesas para representar pássaros, um par de peixes comuns, camarões marrons e ostras para representar os mariscos, baratas germânicas e moscas domésticas para insetos, e muito mais. Então, a NASA transformou 22 quilos de material lunar recém-adquirido em pó. Metade foi esterilizada, enquanto a outra metade foi deixada como estava. Camundongos e codornas receberam a amostra através de injeção, e os insetos tiveram o material misturado em sua comida. Para os animais aquáticos, a poeira foi jogada na água em que viviam.

Tudo ficou em observação durante um mês. As baratas germânicas que foram alimentadas com o pó prosperaram — afinal, são baratas, famosas por sobreviverem a quase qualquer coisa. Todos os outros animais também se saíram bem, com uma exceção preocupante: muitas das ostras morreram. Porém, considerando que as ostras que não foram expostas ao material lunar também faleceram, os cientistas atribuíram isto ao fato de terem manejado os animais durante a sua época de acasalamento.

Também foram realizados testes em plantas, junto com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Esses experimentos incluíram sementes expostas ao material lunar, e foram testados tomates, tabaco, repolho, cebola e samambaia. Algumas dessas plantas cresceram até melhor no pó da Lua do que na areia que os cientistas usaram como comparação.

Assim, os autores do artigo que conta sobre os testes em "animais inferiores", publicado na revista Science um ano depois da Apollo 11, escreveram que "os resultados desses testes não forneceram nenhuma informação que indicasse que as amostras lunares trazidas pela missão Apollo 11 contivessem agentes replicantes perigosos para a vida na Terra”.

Apesar das evidências de que tudo estava seguro, experiências similares foram conduzidas após a Apollo 12 e 14, em um total de 15 espécies diferentes de animais, de acordo com um documento da NASA. Finalmente, após a Apollo 14, em 1971, a agência espacial concluiu que o material da Lua era certamente inofensivo e os testes em animais, além da quarentena para os astronautas, podiam ser encerrados.

Fonte: Space.com

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