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Atividade de cometas que viajam por regiões distantes "desaparece" gradualmente

Por  • Editado por  Patricia Gnipper  | 

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NASA
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Conforme os cometas realizam passagens em regiões mais distantes do Sistema Solar, indo além de Saturno, a chamada atividade cometária (a liberação de gás e poeira deles) diminui. É o que concluiu um novo estudo de Nathan Kaib, astrônomo da Universidade de Oklahoma, que investigou o porquê dos cometas de longos períodos reduzirem gradualmente suas atividades cometárias, como acontece com aqueles que se aproximam da órbita da Terra.

Kaib explica que os cometas de período longo são aqueles que levam pelo menos 100 anos para completar uma órbita ao redor do Sol, de modo que passam a maior parte de suas “vidas” mais distantes de nossa estrela do que a Terra.

“Às vezes, eles desenvolvem órbitas altamente elípticas, e por isso, realizam incursões regulares em direção ao Sol e seus planetas próximos”, disse. Conforme se aproximam do Sol, o calor intenso transforma o gelo da superfície deles em gás.

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Como o forte calor do Sol logo esgota as reservas de gelo, a atividade dos cometas que se aproximam da Terra diminui ou desaparece com o tempo. Através de simulações de cometas viajando próximos dos planetas gasosos do Sistema Solar, Kaib descobriu que a diminuição também ocorre com os cometas que passam pelos planetas externos e, surpreendentemente, eles são muito menos aquecidos pelo Sol que aqueles mais próximos da Terra.

A gravidade dos planetas gigantes gasosos faz com que as órbitas dos cometas distantes diminuam, ou seja, eles se afastam menos do Sol durante suas passagens pelos planetas externos. “Portanto, deveríamos esperar que o Sistema Solar externo tenha muitos mais cometas em órbitas encolhidas, em comparação com aqueles em órbitas maiores”, observou ele. Curiosamente, os astrônomos observam o cenário oposto acontecendo.

Os cometas mais distantes, com órbitas menores, ficam quase totalmente ausentes das observações. Enquanto isso, aqueles que têm órbitas maiores dominam os dados do Sistema Solar externo. “O desaparecimento rápido dos cometas que ocorre durante esse encolhimento das órbitas explica este paradoxo, já que fará com que os cometas mais antigos fiquem invisíveis para as buscas dos astrônomos”, disse o autor.

As descobertas sugerem que as passagens dos cometas pelo Sistema Solar externo podem também alterar as propriedades físicas de vários deles que se aproximam da Terra, antes mesmo de serem descobertos. “O desaparecimento dos cometas distantes foi descoberto através da combinação dos resultados de simulações computacionais da produção cometária, junto do catálogo atual dos distantes”, concluiu.

Kaib acredita que, no futuro, a missão Legacy Survey of Space and Time poderá expandir rapidamente as descobertas de novos cometas. “O desaparecimento caracterizado no meu trabalho será crítico para a compreensão e interpretação apropriadas deste dilúvio iminente de novos cometas descobertos”, finalizou Kaib.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Science Advances.

Fonte: Science Advances; Via: University of Oklahoma