Astrônomos se preocupam com satélites Starlink; Musk diz não haver problemas

Por Patrícia Gnipper | 29 de Maio de 2019 às 16h06
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Depois de lançar os primeiros 60 satélites do projeto Starlink, que prevê um total de 12 mil satélites para fornecer internet de alta velocidade a qualquer região do mundo, astrônomos vêm encarando a nova empreitada da SpaceX com preocupação em relação a observações no céu noturno.

O assunto ganhou força logo depois que um rastreador de satélites holandês conseguiu encontrar e filmar a passagem dos satélites Starlink no céu. No vídeo, os aparelhos aparecem brilhando bastante e, ao considerar que no momento são 60 unidades mas dentro de alguns anos serão 12 mil, tal acúmulo de brilho é justamente o que preocupa os astrônomos, pois tanto brilho em princípio pode ter potencial de prejudicar observações científicas.

Contudo, especialistas afirmam que os satélites não são reflexivos o suficiente para tal, sequer podem ser vistos a olho nu e, uma vez dispersos, seu brilho acabará impactando menos ainda. Ainda assim, há controvérsias.

Os satélites já existentes na órbita da Terra por vezes são um problema para observatórios terrestres, sendo que astrônomos precisaram desenvolver técnicas inteligentes para driblá-los. "Telescópios ópticos como o Pan-STARRS automaticamente mascaram os satélites que passam nas imagens", explica Alan Duffy, principal cientista da Royal Institution of Australia. De acordo com dados recentes das Nações Unidas, existem atualmente 5.162 objetos orbitando a Terra hoje em dia, sendo que deste total apenas 2 mil estão operacionais.

Ou seja: implementar uma rede de 12 mil satélites é algo realmente sem precedentes. Para Duffy, "uma constelação completa de satélites Starlink provavelmente significará o fim dos radiotelescópios por microondas baseados na Terra e capazes de escanear os céus em busca de sinais fracos de rádio". O cientista segue dizendo que "os enormes benefícios da cobertura global de internet superam o custo para os astrônomos, mas a perda do rádio no céu é um custo para a humanidade". Duffy é um dos que acreditam que a frota da Starlink tornará essa interferência "inescapável", e ainda sugere que "construamos um radiotelescópio no outro lado da Lua" para resolver o problema no longo prazo.

SpaceX diz que não há com que se preocupar

Do outro lado, Elon Musk e sua SpaceX afirmaram, pelo Twitter, que não há motivo para pânico. Na rede social, o CEO diz que as pessoas sequer notam os milhares de satélites que já existem hoje em órbita, e que os da Starlink não serão vistos por ninguém a não ser que estejam procurando por eles cuidadosamente. Ainda, afirma que a iniciativa causará zero impacto na astronomia.

Vale ressaltar que o projeto Starlink prevê um posicionamento estratégico de seus satélites, de forma que eles, quando chegarem perto do fim de suas vidas úteis (algo entre cinco a sete anos), entrarão novamente na atmosfera da Terra dentro de aproximadamente um ano após o fim de sua operação. Sendo assim, esses satélites não permanecerão ao redor do planeta como lixo espacial indefinidamente: eles serão queimados e destruídos pela nossa própria atmosfera quando a reentrada acontecer.

A SpaceX deve fazer mais seis lançamentos de satélites Starlink até o fim do ano ,sendo que a cobertura global do serviço somente será possível depois de 24 lançamentos.

Fonte: Science Alert, Slashgear

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