Asteroid Day | Evento global promove conscientização sobre asteroides

Por Patrícia Gnipper | 29 de Junho de 2018 às 19h01

Se você adora especular sobre o potencial perigo que asteroides representam à Terra, e também se maravilha com as recentes investidas de agências espaciais que estão enviando sondas para estudar asteroides de pertinho, fique ligado: neste sábado (30), acontece o Asteroid Day — evento anual em que acontecem palestras e atividades científicas relacionadas a asteroides em todo o mundo.

O Asteroid Day é celebrado no dia 30 de junho pois, nesta data em 1908, um asteroide se chocou contra a Terra na Sibéria, sendo este o evento relacionado a asteroides mais prejudicial da história recente em nosso planeta — o que ficou conhecido como o Evento de Tunguska.

Relembrando o Evento de Tunguska

O objeto em questão caiu em uma região da Sibéria, no Império Russo, provocando uma enorme explosão, que devastou milhares de quilômetros quadrados. Como o asteroide explodiu no ar, a devastação aconteceu por conta do deslocamento de ar subsequente à explosão e, por isso, não há uma cratera no solo, resultante de um impacto. Mas existe uma cratera no lago Cheko, onde acredita-se que um fragmento de até dez metros sobreviveu à explosão, caindo na água.

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Estudos estimaram o tamanho do asteroide, com essas medições variando em torno de algumas dezenas de metros. A energia de sua explosão ficou entre 5 e 30 megatons de TNT (aproximadamente mil vezes da energia da bomba de Hiroshima e um terço da bomba Tsar, a mais poderosa arma nuclear já detonada).

No entanto, como o asteroide atingiu uma área florestal, os estragos foram menores do que teriam sido caso o impacto acontecesse em uma área metropolitana. Cerca de 80 milhões de árvores foram derrubadas em uma área de 2.150 km², e um terremoto foi provocado como consequência do choque.

Foto de uma expedição feita em 1929 na região siberiana onde houve o impacto

Naquela época, a ciência espacial ainda estava engatinhando, e o objeto foi definido como um asteroide. Só que, em 1930, um astrônomo britânico chamado F. J. W. Whipple sugeriu que o tal objeto seria, na verdade, um pequeno cometa. Já em 1978, o astrônomo eslovaco Ľubor Kresák sugeriu que o corpo poderia ser, na verdade, um fragmento do cometa Encke, que permanece na órbita de Júpiter e é responsável pela Beta Taurids, chuva de meteoros anual que costuma acontecer entre 28 e 29 de junho. E como o evento de Tunguska coincidiu com tal atividade, o astrônomo estudou sua trajetória aproximada, concluindo que ela seria consistente com o esperado de um fragmento do cometa Encke.

Mas, em 1983, o astrônomo Zdeněk Sekanina publicou um estudo refutando a hipótese de aquele objeto ser um cometa, apontando que um corpo composto de material cometário em uma trajetória tão rasa deveria ter se desintegrado, mas o objeto de Tunguska permaneceu intacto na atmosfera inferior. Sekanina acreditou que o objeto devia ser rochoso e denso, de origem asteroide. E sua ideia foi apoiada em 2001, com um novo estudo concluindo que o objeto teria possibilidade de 83% de ter vindo do Cinturão de Asteroides, não sendo, portanto, um cometa.

O perigo dos asteroides

Há pelo menos 18 mil asteroides catalogados que, eventualmente, passam pertinho da Terra. E ainda não há nada que possamos fazer para impedir um impacto, ainda que agências espaciais trabalhem em projetos para prevenir uma catástrofe mundial causada por um fenômeno do tipo.

O perigo maior, aqui, está nos objetos que ainda precisam ser detectados, sendo que há quem acredite que mais de 40 asteroides estão aí, nos rondando, sem que tenhamos conhecimento disso. Se um deles atingir a Terra, a humanidade pode ter o mesmo fim dos dinossauros, que justamente foram dizimados do planeta por conta de um impacto de grandes proporções há cerca de 65 milhões de anos.

Mas, felizmente, agências como a NASA e a europeia ESA vêm se dedicando não somente a estudar asteroides no espaço, bem como prevenir potenciais impactos com a Terra. Para os anos de 2022 e 2026, NASA e ESA, respectivamente, enviarão uma missão para um asteroide binário para testar se é possível alterar sua órbita.

A missão norte-americana se chama Double Asteroid Redirection Test (DART), cuja nave colidirá com a Didymoon, lua do asteroide Didymos, a 11 milhões de quilômetros da Terra. A nave baterá contra o satélite natural a uma velocidade aproximada de 6 km/s, e uma câmera a bordo registrará tudo. Espera-se que a colisão altere a velocidade da Didymoon ao redor do asteroide em uma fração por cento, algo suficiente para que os cientistas, usando telescópios, façam as devidas medições aqui na Terra.

Já em 2026, a ESA enviará a espaçonave Hera à mesma lua Didymos, alguns anos depois do feito da missão DART, da NASA. A missão Hera mapeará detalhadamente a superfície do sistema binário, aprendendo mais sobre o sistema. O asteroide Didymos tem aproximadamente 800 metros de diâmetro, sendo orbitado pela lua Didymoon, que tem 170 metros.

O que vai rolar de bom neste Asteroid Day

A data foi co-criada em 2014 pelo Dr. Brian May (sim, o guitarrista do Queen, que também é astrofísico), junto com Danica Remy (presidente da B612 Foundation), Rusty Schweickart (ex-astronauta das missões Apollo) e o cineasta Grig Richters. Em 2016, as Nações Unidas declaram o Asteroid Day como o dia global de conscientização sobre asteroides e, desde então, diversos eventos acontecem ao redor do mundo com esta proposta.

Nos Estados Unidos, por exemplo diversas palestras acontecerão na NASA, falando sobre o perigo dos asteroides e atividades de defesa planetária em andamento. E a equipe oficial do Asteroid Day já começou uma programação com 48 horas de duração em uma live do YouTube, começando nesta sexta (29) com o professor Brian Cox como apresentador, contando, também, com especialistas da ESA e do European Southern Observatory.

E o Brasil não ficará de fora do Asteroid Day de 208. No sábado (30), por exemplo, o Clube de Astronomia de São Paulo (CASP) organizará uma edição especial do Telescópios de Rua, evento que reúne pessoas para observar o céu. O encontro, gratuito, acontecerá a partir das 18h30 na saída do Metrô Jardim São Paulo, na capital paulista.

Já em Sorocaba, interior de São Paulo, um outro evento organizado pelo Viajantes Cósmicos acontecerá no Instituto Americano de Ensino. Por R$ 10 de entrada, o visitante conferirá uma palestra sobre a formação do Sistema Solar e o estudo de seus asteroides, além de assistir ao curta-metragem da NASA, Destination: Asteroid, inspirado em filmes clássicos americanos dos anos 1960, com temática espacial. Ainda, uma exposição de fotos cósmicas faz parte das atrações do evento, que também oferecerá, claro, uma observação do céu com telescópios. Por fim, uma experiência de realidade virtual vislumbrará como seria observar nosso planeta sendo atingido por um asteroide, como se você estivesse assistindo a tudo do alto da Estação Espacial Internacional.

Em Campinas, também próximo a São Paulo, um outro evento bacana e gratuito acontecerá no Museu Exploratório de Ciências, organizado pelo pessoal do Astrolab. Palestras sobre tais objetos espaciais e defesa planetária fazem parte da programação, que também conta com sessões no planetário, observações espaciais com telescópios e sorteio de um livro Cosmos, de Carl Sagan.

E, para descobrir outros eventos em sua região, no site do Asteroid Day vemos a programação dos eventos globais, onde também podemos conferir eventos que acontecem em todo o Brasil, além dos que destacamos acima. E só procurar pelo Brasil ali no mapa e explorar tudo o que consta em cada estado para programar um final de semana com muita informação e observação do céu noturno, comemorando o Asteroid Day à altura.

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