Nina da Hora é cientista da computação, desenvolvedora e hacker antirracista. Formada em Ciência da Computação pela PUC-Rio e mestra pelo Instituto de Computação da UNICAMP, onde integrou o laboratório RECOD.ai, pesquisa a auditoria crítica de sistemas de reconhecimento facial e visão computacional investigando, com ferramentas matemáticas como transporte ótimo e ataques adversariais, por que esses modelos falham de forma sistemática com rostos negros. É autora do conceito de epistemicídio computacional, que descreve como pipelines técnicos apagam e distorcem determinados corpos e formas de existir, tema de seu artigo solo aceito na FAccT 2026, principal conferência internacional de justiça, responsabilidade e transparência em inteligência artificial.Fundadora do Instituto da Hora, dedicado aos direitos digitais no Brasil, articula pesquisa, educação e formação de jovens em comunidades negras, indígenas, quilombolas e periféricas. É colunista da MIT Technology Review Brasil, Ford Global Fellow e conselheira do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o Conselhão da Presidência da República. Também leva a computação ao grande público como criadora do canal Computação sem Caô e do podcast Ogunhê, sobre a história de cientistas africanos.No Canaltech, escreve sobre os temas que estruturam o poder no ecossistema digital — soberania tecnológica, inteligência artificial, dados e infraestrutura , desmontando o maquinário técnico que costuma ficar restrito a especialistas para entregar ferramentas de análise palpáveis para o dia a dia de quem lê. Sua pergunta de fundo é sempre a mesma: como funciona, quem decide, quem lucra e quem paga a conta da tecnologia que usamos todos os dias.