Walkman 36 anos: relembre a evolução dos players portáteis de música

Por Douglas Ciriaco | 01 de Julho de 2015 às 08h19

O dia 1º de julho de 1979 marcou o início de uma revolução na forma como as pessoas ouvem música. Nesta data, chegava às lojas do Japão o revolucionário modelo TPS-L2, o primeiro Walkman da história. Criado pela Sony, o gadget não empolgou muito os seus vendedores antes do lançamento e a expectativa do mercado era a de um retundo fracasso.

A realidade, porém, foi bem diferente: as vendas foram um sucesso e o aparelho ganhou o mundo e um lugar de destaque na cultura pop. Era a primeira vez em que um aparelho capaz de reproduzir música era portátil e relativamente barato, tornando possível ouvir canções em basicamente qualquer lugar.

Inicialmente, o gadget vinha com suporte para fita cassete e também reproduzia rádios, abrindo um mundo novo diante dos consumidores de música. Pela primeira vez, os estéreos caseiros e os rádios de carros deixavam de ser as únicas possibilidades para escutar seus artistas favoritos.

Walkman

Player de música portátil

Primeiro modelo do Walkman, lançado em 1º de julho de 1979. (Foto: Reprodução/Fansided.com)

O primeiro modelo do Walkman, o TPS-L2, é, talvez, um dos mais clássicos de todos. Ele vinha em um case de metal nas cores azul e prateado e chegou à Europa e aos Estados Unidos já no ano seguinte ao do seu lançamento, impulsionando com força a marca e o conceito do produto japonês para o restante do planeta.

A ideia básica era a de um aparelho portátil capaz de reproduzir fitas cassetes e rádios AM e FM, no qual o usuário conectava um fone de ouvido. O gadget poderia ser guardado na mochila para ser sacado a qualquer momento — e havia até mesmo algumas bolsas especiais que permitiam fazer exatamente aquilo que o nome do aparelho propunha: escutar música enquanto caminha.

Já nos anos 80, o Walkman deixa de ser apenas uma marca e se torna um conceito. Assim, outras companhias começam a lançar no mercado walkmans concorrentes, como o Walky, da Toshiba; o MiJockey, da Panasonic; e o CassetteBoy, da Aiwa.

Mas a própria Sony não parou por aí. A ideia de que era possível consumir música de maneira portátil já estava lançada e foi abraçada por pessoas de todo o mundo. O próximo passo era, então, iniciar a expansão do produto, adaptando-o às novidades tecnológicas que começavam a surgir.

Discman

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Primeiro modelo do Discman. (Foto: Reprodução/Wikimedia Commons)

Em 1984, já com a marca Walkman consolidada, a Sony lança o Discman, que nada mais era do que um Walkman que trocava o suporte da fita cassete pela mídia mais moderna de então, o CD. Os discos digitais vinham com tudo e prometiam enterrar as fitas e os discos de vinil, o que em certa medida realmente aconteceu.

No icônico ano que deu nome à obra de George Orwell, a Sony lançava o D-5 (ou D-50), o primeiro modelo do reprodutor de música portátil com suporte para discos. Apesar da primeira versão do gadget ser grande, pesada e bem cara, o conceito de “discman” também causou impacto no mercado.

Outras marcas se aventuraram neste ramo e os CDs se tornaram cada vez mais populares. Apesar de nunca ter alcançado o mesmo sucesso do seu antecessor, o Discman da Sony também garantiu seu lugar na história como um dos principais nomes da reprodução de música portátil.

Walkman MiniDisc

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Walkman MiniDisc usava os MD, criados pela Sony. (Foto: Reprodução/Wikimedia Commons)

Em 1991, a Sony apresentou ao mundo uma nova mídia, o MiniDisc. Ela era um dispositivo de armazenamento usada basicamente para guardar música em formato digital, necessitando de um aparelho para reproduzir os arquivos — uma espécie ancestral do pendrive e de outros dispositivos do gênero.

Logicamente que a Sony não perderia a oportunidade de vender não somente a mídia, mas também o aparelho no qual ela poderia ser reproduzida. Assim, a companhia japonesa lançou o Walkman MiniDisc, gadget capaz de tocar os minidiscos. O primeiro modelo do aparelho foi o MZ-1, que sofreu com as críticas negativas por ser grande demais.

A primeira remodelagem do aparelho deu vida ao MZ-R2, lançado em 1993 e possível de ser levado no bolso. Ele era capaz tanto de reproduzir conteúdo de um MiniDisc quanto registrar dados nele.

NetMD

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NetMD: evolução do Walkman MiniDisc (Foto: Reprodução/Wikimedia Commons)

A grande sacada da Sony com os seus MiniDisc veio mesmo no final da década de 90 do último século. Em 1999, a companhia lançava o NetMD, dispositivo compacto e capaz de reproduzir os minidiscos, mas não parava por aí. Este aparelho podia ser conectado a um computador via USB e, com isso, era possível adicionar músicas convertidas para o formato ATRAC3.

Dando sequência à inventividade, a empresa japonesa lançou ainda o Walkman MiniDisc Hi-MD, a evolução do NetMD. O aparelho lançado em 2005 reproduzia discos Hi-MD (mídia criada pela Sony com recursos mais avançados do que os MD convencionais) e também MD.

Apesar do sucesso alcançado pelos MD e Hi-MD não ter sido aquele esperado pela Sony, pois em várias partes do mundo as novas mídias e seus respectivos reprodutores não chegaram a cair nas graças do grande público, estes aparelhos podem ser todos considerados herdeiros diretos do Walkman surgido em 1979.

MPMan e Rio PMP300

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MPMan: o primeiro MP3 player do mundo (Foto: Reprodução/Computerra.ru)

Normalmente tratado como o primeiro reprodutor de MP3 a ser produzido em larga escala no mundo, o MPMan foi desenvolvido pela empresa sul-coreana SaeHan e chegou ao mercado asiático em março de 1998. Ele vinha equipado com memória flash e estava disponível em modelos de 16 MB, 32 MB, 64 MB e 128 MB de memória interna.

Os modelos do MPMan começaram a ser importados para os Estados Unidos inicialmente pela Z Company e, depois, pela Eiger Labs. Neste último caso, os gadgets eram chamados de Eiger MPMan F10 e Eiger MPMan F20, marcando um novo e significativo passo na escala evolutiva dos players portáteis de música.

Outro reprodutor de MP3 ancestral do iPod e afins é o Rio PMP300. Lançado pela Diamond Multimedia em setembro de 1998, ele tinha o formato de uma carta de baralho e vinha com uma pequena tela de cristal líquido.

Player de música portátil

Rio PMP300 é também um dos primeiros MP3 players do planeta. (Foto: Divulgação/Diamond Multimedia)

Ele reproduzia áudio nos formatos MP2 e MP3 e trazia suporte para diferentes taxas de bits. Internamente, vinha com 32 MB de espaço para armazenamento, mas este valor poderia ser aumentado por meio de um slot para SmartMedia.

Ambos os gadgets foram acusados pela RIAA (Associação da Indústria de Gravação dos Estados Unidos) de “não ter nenhuma outra função além de reproduzir material roubado das gravadoras”. Eles enfrentaram problemas legais, mas venceram na justiça com base em uma decisão que tratava do direito de um cidadão de gravar conteúdo multimídia para assistir em outro momento, sem fins comerciais.

O fato é que os gadgets da SeaHan e da Diamonds fizeram história ao abrir as portas para a reprodução de música de forma totalmente digital, sem o uso de uma mídia física (como eram os casos do NetMD e do Discman). Já a partir de 1999 o mercado começou a ser povoado por MP3 players das mais variadas marcas e modelos.

iPod

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Primeiro iPod classic, de 2001. (Foto: Julie Jacobson/Associated Press)

Em 23 de outubro de 2001, a Apple deu um outro passo marcante na evolução dos reprodutores de música multimídia. Nesta data, chegava ao mercado dos Estados Unidos o primeiro modelo do iPod, dispositivo que demorou para cair nas graças do público devido a uma série de limitações.

Como ele inicialmente poderia ser abastecido apenas por meio de um computador com Mac OS, somente em 2004 o gadget começou a decolar para se tornar o que é hoje. Chamado hoje de iPod Classic, o modelo atualmente se encontra em sua sexta geração e é sucesso absoluto em várias partes do mundo.

Com o slogan “1.000 músicas em seu bolso”, ele dava uma ideia clara daquilo que propunha: ser uma alternativa viável para a reprodução portátil de música digital, um formato que começou a se expandir justamente na virada do milênio. O modelo inicial vinha com 5 GB de espaço, valor que cresceu para 10 GB e 20 GB já no ano seguinte, com a introdução de dois novos modelos da primeira geração do iPod.

Desde então, o iPod já ganhou mais quatro modelos (Mini, Nano, Shuffle e Touch), várias gerações e milhões de fãs e de unidades vendidas ao redor do planeta.

Siemens SL45

Player de música portátil

Siemens SL45: primeiro celular a tocar MP3. (Foto: Divulgação/Siemens)

Quando falamos em reprodução de música de maneira portátil, não dá para deixar de citar o Siemens SL45, primeiro telefone celular com suporte para MP3. A popularização dos smartphones (que também são players portáteis de música) vai condenando cada vez mais o mercado de MP3 players, e pode-se dizer que a onda começou em 2001 com o celular da Siemens.

Ele vinha com um cartão de memória de 32 MB e suporte para a reprodução de arquivos no formato MP3. Esse foi o ponto inicial para a substituição dos players exclusivos por telefones celulares — e até a Sony (agora em parceria com a Ericsson) ressuscitou a marca Walkman em uma linha de celulares com foco na reprodução de música.

Nokia N series

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N70: smartphone da Nokia com suporte para MP3. (Foto: Reprodução/Wikimedia Commons)

Em 2005, a Nokia iniciou uma linha de smartphones N series, que durou até 2012. Ela também marcou um passo importante no mundo dos players portáteis, oferecendo gadgets como N70, N90 e N91, os primeiros modelos da série e todos com suporte à reprodução de MP3, entre outros recursos.

A Nokia tem um papel crucial na consolidação do formato smartphone, ou seja, também contribuiu para a história dos dispositivos portáteis capazes de reproduzir música. Enfim, é mais um ponto na escala evolutiva dos players de música que podem ser levados para qualquer lugar.

iPhone

Player de música portátil

iPhone também é um marco no mundo dos reprodutores de música portáteis. (Foto: Divulgação/Apple)

Em 2007, ocorreria mais uma revolução no mundo dos dispositivos portáteis para a reprodução multimídia. Com o lançamento do iPhone em junho daquele ano, a Apple marcava um dos capítulos iniciais na era dos smartphones, os celulares inteligentes e capazes de realizar muito mais tarefas do que apenas receber e fazer chamadas.

O iPhone foi um dos primeiros smartphones a fazer um grande sucesso e, com isso, puxou todo o mercado para cima. O surgimento de rivais de peso usando o sistema operacional mobile do Google — o Android — também incrementou o setor, oferecendo ainda mais alternativas para quem buscava um jeito portátil para escutar música.

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