Paratii: conheça a plataforma de streaming de vídeos que usa blockchain e P2P

Por Ares Saturno | 23 de Abril de 2018 às 14h05

Grande parte dos conteúdos que consumimos na internet hoje em dia está em formato de vídeo, promovendo diversão e entretenimento, aulas e tutoriais ensinando habilidades específicas ou mesmo como uma forma de divulgar opiniões pessoais sobre uma infinidade de assuntos. Segundo uma pesquisa realizada pela CISCO, até 2019 mais de 80% do tráfego de dados da internet terá esse formato. 

E é com o intuito de proporcionar uma nova forma de compartilhar vídeos na internet que foi criada a Paratii, uma iniciativa que conta com brasileiros em seu desenvolvimento, que utiliza a descentralização do Blockchain para hospedar os conteúdos e os distribui por meio de uma rede peer-to-peer (P2P) – a mesma tecnologia utlizada nos torrents.

O futuro dos vídeos? Não, o presente!

Segundo Felipe Sant'Ana e Paulo Perez, idealizadores da Paratii, se o conteúdo é a alma da internet, então a distribuição é o seu propósito, uma vez que criar e compartilhar informações são o que tornam a rede aquilo que ela é. Foi com esse conceito em mente que eles desenvolveram uma forma de inserir os espectadores num sistema de distribuição que independe de um servidor central, de forma que cada usuário que assiste um vídeo guarda uma pequena parte do arquivo original e ajuda na distribuição desse conteúdo para outras pessoas que desejem visualizar aquele conteúdo, utilizando, para isso, a tecnologia peer-to-peer. E, claro, recebendo parte do lucro gerado.

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Para a Paratii, é importante que os espectadores sejam remunerados por sua atenção e poder de distribuição, pois são eles que fazem a magia da internet acontecer.

Liberdade para os criadores de conteúdos

Exemplo de vídeo no player do Paratiii. (Captura de Tela: Ares Saturno / Canaltech)

Do outro lado da moeda, estão os criadores de conteúdos, que nem sempre são remunerados de forma justa por seus vídeos nas plataformas populares, além de não terem muita escolha sobre as propagandas veiculadas juntamente com suas criações e frequentemente estarem expostos à falta de transparência de grandes plataformas quanto à monetização de seus trabalhos.

E é aí que entra o Blockchain, que torna desnecessária a intermediação de um servidor centralizado que determina como os criadores vão distribuir seus conteúdos e como serão remunerados por eles. Com a tecnologia descentralizada, os canais, produtoras e pessoas interessadas em distribuir seus conteúdos na rede, ganham a liberdade de escolher como e quanto ganhar com seus vídeos, o que também facilita que novos produtores entrem nesse crescente mercado.

De acordo com os criadores da Paratii, "uma rede aberta e com governança fluida garante que não haja a necessidade de uma só
empresa centralizando os processos e a tomada de decisões: o blockchain permite que toda a jornada do conteúdo seja automatizada e distribuída, automatizando a lógica de serviços e microtransações e distribuindo valor real entre usuários".

A estrutura do projeto

Atualmente, a Paratii é financiada por investimentos privados e os planos agora são de estreitar os laços com produtores de conteúdo independente. Para o cofundador Paulo Perez, "quando tratamos usuários como membros de uma rede democrática e equiparamos a atenção deles a um ativo real, que anunciantes compram, podemos pensar em modelos de negócio completamente diferentes dos atuais, exploratórios e sobretaxados". Ele ainda questiona: "Já pensou se todo mundo que assistisse a uma certa novela no celular pudesse ser remunerado por ajudar a levar aquele conteúdo adiante?".

A Paratii Foundation foi incorporada em Tallin, na Estônia, no final do ano passado, e coloca lado a lado uma equipe europeia trabalhando em conjunto com uma equipe brasileira para descentralizar e empoderar criadores e expectadores.

Felipe Sant'Ana explica que a Estônia foi escolhida por oferecer um ambiente propício às inovações: “É importante ter uma base global para um projeto dessa envergadura. Muitas das tecnologias para as quais buscamos expertise têm dois, um ou até menos de um ano de existência. O desafio está em montar e manter um time complementar e criativo porque, para muitos dos obstáculos, ainda não há caminho das pedras. É preciso concebê-lo".

Abaixo, Felipe Sant'Ana explica um pouco mais sobre o projeto:

Concebendo o caminho

Daniel Quandt, community management e responsável pelo conteúdo da Paratii, conversou com o Canaltech e explicou que, atualmente, a plataforma conta com cerca de 70 uploaders, que subiram cerca de 300 vídeos nas últimas semanas. Mas uma nova chamada para criadores interessados em fazer parceria com o serviço está se abrindo na terça-feira (24). "Queremos promover intensamente essa nova chamada, com o intuito de trazer o maior número possível de novos criadores para trazer conteúdo à plataforma e testar a infraestrutura com volume elevado. Haverá também um programa de incentivo para recompensar aqueles que contribuirem nesse estágio inicial", disse Quandt.

Segundo ele, a criptomoeda da Paratii, a PTI, servirá de base para trocas financeiras na plataforma, por meio de tokens. Ela pode ser negociada nas bolsas de valores, além de convertida em reais e outras moedas para o saque dos valores. Até o momento, a Paratii está testando a monetização por tokens, e em junho está previsto o início dos tokens oficiais, além de aprimoramentos graduais que farão com que, até o final do ano, a plataforma esteja em pleno funcionamento e com capacidade competitiva para estrear no mercado.

Quem ficou interessado, pode se inscrever no site da Paratii para se candidatar como criador de conteúdo. As inscrições já se encontram abertas e mesmo quem ainda não tem canal em outros serviços de vídeo online pode se associar à plataforma.

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