Morre Jô Soares, humorista e apresentador, aos 84 anos

Morre Jô Soares, humorista e apresentador, aos 84 anos

Por Durval Ramos | Editado por Jones Oliveira | 05 de Agosto de 2022 às 10h57
TV Globo

Morreu na madrugada desta sexta-feira (05) o apresentador, ator, humorista e escritor Jô Soares aos 84 anos. Ele estava internado desde o último dia 28 de julho no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para tratar de uma pneumonia. As causas da morte, entretanto, não foram divulgadas até o momento.

A confirmação da morte foi feita pela ex-mulher do apresentador, Flávia Pedra, em uma postagem no Instagram. Segundo ela, Jô faleceu por volta das 2h30 “cercado de amor e cuidados”. O funeral, como ela explica, será apenas para familiares e amigos próximos.

O "Beijo do Gordo" virou sua assinatura na TV (Imagem: Reprodução/TV Globo)

Longe da TV desde 2016, Jô se tornou famoso tanto por seus programas de humor entre as décadas de 1970 e 1980, além de seu trabalho como apresentador. No final dos anos 1990, comandou o Jô Soares Onze e Meia, no SBT e, a partir de 2000, o Programa do Jô, na Globo.

E foi nesses programas que realizou entrevistas antológicas — algumas delas que se tornaram virais e seguem rodando redes sociais até hoje. Além do próprio humor, sua marca registrada passou a ser frase “Beijo do Gordo”, que usava na hora de fechar cada edição do talk-show.

Durante esse período como apresentador, sua imagem na TV se tornou tão icônica que “virou” personagem da Marvel. Em uma edição da revista Thunderbolts, desenhada pelo brasileiro Mike Deodato, Jô Soares é retratado em um programa dentro do gibi falando sobre o super-grupo.

Só que, antes das conversas, Jô Soares já tinha se tornado ícone da comédia brasileira. Estreou na TV em 1956 com Praça da Alegria, na Record TV, e trabalhou tanto como ator quanto como roteirista. Em Família Trapo, por exemplo, exerceu as duas funções em seu último trabalho na emissora.

Já em 1971, foi para a Globo no humorístico Faça Humor, Não Faça a Guerra. Em seus primeiros anos na emissora, marcou presença juntamente com seu humor satírico, tirando sarro de produções estrangeiras e dando um toque nacional. É o caso de Satiricom e Planeta dos Homens.

Mas foi com Viva o Gordo, em 1981, que Jô Soares alcançou o estrelato, protagonizando seu próprio programa solo. Além de manter as piadas com o cinema internacional, trazia esquetes que ironizavam o cenário político nacional na reta final da Ditadura Militar.

Entre os vários personagens que interpretou nas telas, alguns se tornaram icônicos e parte da história da TV. Isso inclui o Capitão Gay, Zé da Galera, Vovó Naná, Reizinho e Dom Casqueta — um mafioso italiano que se revoltava com o fato de o Brasil ser um país desorganizado demais para ter uma máfia

Outras artes

Embora sua carreira tenha sido mais conhecida por seus trabalhos na TV, Jô Soares também marcou presença nas outras artes. Escreveu cinco livros, além de ter participado com capítulos em outras publicações. Suas obras mais notórias foram o romance O Xangô de Baker Street, que chegou a ser adaptado para o cinema em 2001.

Também escreveu suspenses policiais, como O Homem que Matou Getúlio Vargas, Assassinatos na Academia Brasileira de Letras e As Esganadas. Todos foram sucesso de crítica e de público, liderando a lista de mais vendidos. Publicou sua autobiografia — O Livro De Jô - Uma Autobiografia Desautorizada — em 2017.

No cinema, produziu e dirigiu o longa O Pai do Povo, lançado em 1976. Além disso, atuou em 22 filmes, incluindo a versão original de Pluft, o Fantasminha e As Aventuras de Agamenon, o Repórter.

Repercussão

Com a morte de Jô Soares, diversos amigos e artistas expressaram seu luto nas redes sociais. A apresentadora e atriz Adriane Galisteu, que foi vizinha de Jô durante anos, lamentou a morte em seu perfil no Instagram. “Vou seguir te aplaudindo e através de suas obras aprendendo com você! Obrigada por tantas risadas, tantas conversas por todos os ensinamentos. Te amo eternamente”. Ela conta que estava ensaiando uma peça com o humorista poucos dias antes de ele ser internado.

Já a comediante Tatá Werneck relembrou o nervosismo de quando foi chamada para participar do Programa do Jô. ‘Você talvez, só agora, entenda o quanto você era uma referência pra mim, apesar de ter te dito muitas vezes. Você mudou muitas e muitas vidas”, escreve. “Eu desmarquei 6 vezes a ida ao seu programa porque tinha pânico de ir e não ser bom. Porque ‘Ir ao Jô’ pra mim, era sentir que tinha dado certo. Aí você me ligou e disse ‘Você não gosta de mim? Por favor, venha. Quero te conhecer’. E você foi o que você é: um gênio, generoso. Gentil”.

Até mesmo Pelé compartilhou o pesar em seu Twitter. “Acordo muito triste com a notícia de que essa grande estrela nos deixou. Apesar daquela famosa fala do filme, não, eu não sou Jô Soares. Mas como profundo admirador, eu adoraria ter sido”, lamenta o Rei do Futebol.

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.