Clássicos do cinema: 10 dos melhores filmes dos anos 2000

Clássicos do cinema: 10 dos melhores filmes dos anos 2000

Por Laísa Trojaike | 31 de Janeiro de 2021 às 22h30
Divulgação/Warner Bros, Universal Pictures

Os nerds humilhados nos anos 1980 foram exaltados com a chegada dos anos 2000, quando o cinema ajudou a popularizar as tais nerdices. Os anos 2000 também são o berço cultural dos jovens adultos de hoje, muitos destes com os gostos moldados pelo cinema dessa década, que produziu de Beleza Americana a Mulher-Gato, passando por toda sorte de obras-primas, grandes fracassos e filmes que já foram esquecidos.

Os anos 2000 tiveram alguns cults inesquecíveis, como Dançando no Escuro, Cidade dos Sonhos e Encontros e Desencontros; e alguns dos mais conhecidos títulos de Quentin Tarantino (que não demorou muito para ter sua própria horda de admiradores). Além dos inúmeros dramas que sempre marcam suas épocas, os anos 2000 ainda viu uma nova febre surgir a partir da revolução tecnológica de Matrix: foram as evoluções dos efeitos digitais e da computação gráfica que permitiram o surgimento de grandes épicos fantásticos e que permitiu os primeiros filmes que ajudaram a popularizar os super-heróis, como os filmes dos X-Men.

Os títulos abaixo não estão em ordem de qualidade e foram selecionados por conseguirem deixar sua marca na história do cinema. Claro que muitos outros filmes ficaram de fora e, se você sentiu falta de algum, é só adicionar nos comentários os seus favoritos dos anos 2000 (mas só vale até 2009, porque estamos falando da década e não do cinema do novo milênio).

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10. Os Incríveis

A Disney/Pixar começou com Toy Story em 1995, mas foi nos anos 2000 que a marca se popularizou e os espectadores passaram a esperar por essas animações que sempre foram promessa de obra-prima, ainda que algumas vezes o roteiro não faça jus ao trabalho técnico. Foi nessa década que tivemos Monstros S.A., Procurando Nemo, Carros, Ratatouille, WALL-E e Up - Altas Aventuras.

Mas nenhum desses teve um hype tão grande com relação à qualidade da animação como Os Incríveis: era possível encontrar em quase qualquer mídia da época algum elogio ao impressionante trabalho gráfico feito no cabelo da Violeta Pêra (Violet Parr), que parecia ter sido animado fio a fio. Lançado em 2004, Os Incríveis aproveitou os personagens humanos para elevar o nível de detalhes como havia feito Shrek três anos antes, quando o personagem aparecia quase que em 3D nas capas de revista, onde era possível ver até mesmo a digital do personagem-título.

Tudo isso foi muito significativo para década que viu a Pixar subir o nível de detalhamento a cada filme e, hoje, ainda podemos nos surpreender com a qualidade das animações. Os Incríveis ainda ajudou a nos fazer ver os rumos que poderiam tomar os filmes de super-heróis e só agora, com o desenvolvimento do Universo Cinematográfico da Marvel, é que estamos começando a acompanhar o núcleo familiar dos super-heróis. Embora Procurando Nemo tenha sido uma das maiores bilheterias da década, é Os Incríveis que está nesta lista pelo seu impacto no que hoje é um dos núcleos mais importantes da indústria cinematográfica.

Os Incríveis pode ser assistido pelos assinantes do Disney+, além de estar disponível para aluguel ou compra na Microsoft Store.

9. Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (2004)

Todas as décadas têm seus filmes cults, como Dançando no Escuro ou Donnie Darko nos anos 2000, que eram alguns dos principais títulos cultuados pelas panelinhas dos “alternativos”. Mas Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças parece ter ficado na medida ideal entre o pop e o complexo, principalmente por seu elenco um pouco mais famoso e com a temática sobre amor, que faz o filme transbordar para um gênero bastante popular: o romance.

No roteiro, o nome Charlie Kaufman chama a atenção, sobretudo para quem gostou do recente Estou Pensando em Acabar com Tudo. Kaufman, junto a Pierre Bismuth e Michel Gondry, que dirige o filme, ganharam o Oscar de Melhor Roteiro Original, mas não só isso: na mesma ocasião, Kate Winslet foi indicada na categoria de Melhor Atriz e, embora tenha perdido para Hilary Swank que estava incrível em Menina de Ouro, a performance de Winslet é uma das mais marcantes da década.

Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças pode ser alugado ou comprado no Looke, Play Store ou iTunes.

8. Labirinto do Fauno

Um certo cineasta mexicano, que havia chamado a atenção com seus primeiros títulos (Cronos, Mutação e A Espinha do Diabo), tornou-se reconhecido pelas adaptações de quadrinhos Blade II: O Caçador de Vampiros e Hellboy, o que lhe deu liberdade para fazer o que até hoje continua sendo uma obra-prima da fantasia dark e da carreira de Guillermo del Toro até então: O Labirinto do Fauno.

Não apenas com uma história incrível e um final impactante o suficiente para deixar você pensando no assunto por meses, O Labirinto do Fauno é um grande espetáculo visual, quase que um momento de resistência. Enquanto muitos estavam encantadíssimos com as possibilidades da arte digital, del Toro seguia (e segue) apostando nos efeitos práticos, com maquiagens de tirar o fôlego na criação de seres fictícios. Nesse ponto, não podemos deixar de citar o incrível trabalho corporal do ator Doug Jones, que também esteve em outros filmes de del Toro, incluindo o recentemente oscarizado e bastante popular A Forma da Água.

Labirinto do Fauno pode ser alugado ou comprado na Microsoft Store, Play Store ou iTunes.

7. Cidade de Deus

“Dadinho é o caralho! Meu nome agora é Zé Pequeno, porra!”. Eis uma frase que até algumas pessoas que nem sequer assistiram ao filme conhecem. Cidade de Deus é um dos filmes mais icônicos da história do nosso cinema, então é óbvio que é um dos mais icônicos dos anos 2000. Nosso cinema, que já foi exaltado como um dos melhores do mundo, nunca conseguiu sair muito da miséria e Cidade de Deus foi mais um desses projetos com um bocado a mais de dinheiro, mas que mesmo assim precisou se reinventar para trazer algo novo e autoral.

Cidade de Deus conseguiu a repercussão internacional que Central do Brasil conseguiu na década anterior e que Tropa de Elite também conseguiria na segunda metade dos anos 2000, tudo isso fazendo parte de uma crescente sensação de que o nosso cinema estaria se recuperando e, atualmente, vemos essa crescente ainda em andamento. Talvez você não lembre, mas essa foi outra das vezes que passamos pelo Oscar, com Fernando Meirelles indicado a Melhor Diretor, além de termos concorrido nas categorias de Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Edição.

Cidade de Deus está disponível no catálogo do Telecine.

6. Distrito 9

A ficção científica ficou marcada pelo trabalho de Neill Blomkamp em Distrito 9, que uniu, de uma forma realmente incrível, a categoria “filme de alienígena” a uma questão política e social real, com reflexos que se estendem até os dias atuais. O que poderia ser mais um filme independente com questões pertinentes e muita boa vontade, tornou-se ciência social em pele de blockbuster sci-fi e de repente Blomkamp era um dos nomes mais comentados do momento, enquanto Distrito 9 se tornava uma obra necessária para qualquer pessoa que se interessasse em estar atenta às discussões do momento.

Para além do conteúdo, a forma. Distrito 9 chama a atenção pelo design dos alienígenas e por toda a direção de arte, departamentos que costumam demandar milhares de dólares. Nesse sentido, o filme também marcou pelo excelente trabalho estético apesar do baixíssimo orçamento de US$ 30 milhões, o que pode parecer muito para nós, mas que fica muito atrás de outros títulos sci-fi do mesmo ano: Star Trek com US$ 150 milhões, Watchmen: O Filme com US$ 130 milhões e Avatar com US$ 237 milhões.

Distrito 9 está disponível para os assinantes do HBO GO, além de poder ser comprado ou alugado na Play Store, Looke, Microsoft Store e iTunes.

5. Saga Harry Potter

A saga de filmes baseados nos livros de J.K. Rowling só terminou em 2011 com Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2, mas podemos ver Harry Potter como um dos maiores marcos de toda a década de 2000, já que A Pedra Filosofal foi lançado em 2001. Assim como aconteceu com os livros, os filmes também amadureceram com seus espectadores e atores, que cresceram muito ao longo de dez anos.

Ainda é difícil de analisar o impacto cultural de Harry Potter, mas é inegável como os livros e a sua popularização através dos filmes ajudaram a formar toda uma geração. A influência foi tamanha que criou um grupo de fãs especificamente voltados para esse universo e que não só são alimentados pelos novos produtos do Mundo da Magia, como levam adiante a cultura do mundo bruxo para as novas gerações que chegam em tempos de Animais Fantásticos e Onde Habitam e que sequer imaginam as tretas que aconteciam lá por Hogwarts.

O início de tudo, Harry Potter e a Pedra Filosofal, pode ser visto pelos assinantes do HBO GO e do NOW. O primeiro Harry Potter também pode ser comprado no Looke, além de estar disponível para aluguel ou compra na Play Store, Microsoft Store e iTunes.

4. Onde os Fracos Não Têm Vez

Por uma questão de preferência pessoal, elenquei Onde os Fracos Não Têm Vez, mas eu poderia estar falando também de Sangue Negro, já que, juntos, os dois títulos são provavelmente alguns dos maiores representantes do cinema estadunidense dessa década. Embora os dois convivam muito bem na história, há um gostinho de rivalidade sobre qual seria o melhor, já que eles concorreram ao Oscar no mesmo ano. Com Onde os Fracos Não Têm Vez, de Ethan e Joel Coen, e Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson, mal restava chance para os outros três indicados e acabou que foram os irmãos Coen que levaram a estatueta para casa.

Entre os pontos altos da produção, que inclui a direção dos Coen, está a interpretação de Javier Bardem no papel do frio e vilanesco Anton Chigurh, uma performance que conseguiu garantir ao ator uma estatueta no mesmo ano em que Daniel Day-Lewis estava concorrendo. A sorte? Enquanto Lewis concorria a Melhor Ator, Bardem estava concorrendo como ator coadjuvante e, assim, a premiação pôde ser justa ao conseguir premiar duas das atuações mais icônicas daquele ano.

Onde os Fracos Não Têm Vez está nos catálogos do Telecine e do NOW, além de poder ser comprado ou alugado na Play Store e na Microsoft Store.

3. Batman: O Cavaleiro das Trevas

O público de hoje já viu o Coringa de Joaquim Phoenix, mas antes disso acreditava-se ser impossível surgir um Coringa que fosse tão incrível quanto o de Heath Ledger (e, aqui, cabe um aviso para quem acha que o Robert Pattinson não irá render um bom Batman: quando anunciado como novo Coringa, Ledger era apenas “o cara de 10 Coisas que Eu Odeio em Você”). Batman: O Cavaleiro das Trevas tem inúmeros pontos positivos, mas, sim, os anos 2000 ficaram muito mais marcados pelo vilão que pelo herói interpretado por Christian Bale.

Batman Begins e O Cavaleiro das Trevas chegaram aos cinemas nos anos 2000 e o que aconteceu depois disso é um sintoma que ecoa até nossos dias: Christopher Nolan conseguiu dar um tom de realidade para o Homem-Morcego, algo que nunca havíamos visto antes. Embora isso seja incrível dentro da trilogia, o Batman de Nolan criou uma espécie de exigência velada sobre como deveriam ser os filmes de super-heróis, como se esse fosse o grande paradigma do gênero. Até hoje há fãs que buscam isso nos filmes da DC e, não a toa, o primeiro filme do universo Marvel foi sobre seu playboy, milionário e filantropo, Homem de Ferro (2008), o Batman dos Vingadores.

Batman: O Cavaleiro das Trevas pode ser assistido através da Netflix, Telecine, Globoplay e NOW, além de estar disponível para aluguel ou compra na Microsoft Store, Play Store e iTunes. No Looke, o título está disponível apenas para aluguel.

2. Bastardos Inglórios

Os fãs de Quentin Tarantino existem desde Cães de Aluguel e Pulp Fiction: Tempo de Violência, ambos dos anos 1990, mas foi somente nos anos 2000 que o cineasta passou a ser realmente idolatrado, gerando até a denominação jocosa de seus fãs, os “tarantinetes”. Amado por alguns, odiado por outros, Tarantino é um gênio do pastiche e hoje é visto como um dos maiores diretores da história do cinema. E não é a toa: seus filmes dialogam com cinéfilos pela quantidade incrível de referências e com quem não tem interesse algum pela história do cinema e só quer ver o circo pegar fogo.

Como indica Aldo, o Apache em uma das sequências finais de Bastardos Inglórios, esta é provavelmente a obra-prima da carreira de Tarantino. O filme não apenas é divertido, instigante e deliciosamente violento, como também faz uma justiça histórica que jamais poderemos realizar: dar aos nazistas o que eles mereciam. Pode ser um pequeno spoiler, mas é importante ressaltar que o filme, ainda que tenha um pé na realidade, é uma obra de ficção, então se você quiser saber o que aconteceu com os personagens reais do filme, ainda vai ter que ir atrás de um livro de história ou um documentário.

Ah! E não é justo falar do Tarantino dos anos 2000 e citar apenas Bastardos Inglórios, já que essa foi a década de um dos seus filmes mais importantes e estilizados, Kill Bill: Volume 1 (2003) e Kill Bill: Volume 2 (2004).

Bastardos Inglórios está disponível para os assinantes da Netflix, Amazon Prime Video, Telecine e NOW, além de poder ser alugado ou comprado no Looke, Play Store e iTunes.

1. Trilogia Senhor Dos Anéis

No topo da lista, uma das maiores empreitadas do cinema épico e fantástico. Pouco antes dos anos 2000 seria impensável um filme da magnitude de Senhor dos Anéis, mas quando este chegou, com seus cenários de tirar o fôlego, atores transformados em pequenos hobbits e batalhas épicas, entendemos os rumos que o cinema poderia tomar com as novas tecnologias. Embora Avatar também tenha demonstrado potência tecnológica, foi Senhor dos Anéis que abriu os olhos dos produtores para adaptações da literatura que antes eram impensáveis.

Dentre as imagens mais impactantes de Senhor dos Anéis temos o Gollum (Sméagol), um personagem que não ficaria tão bom se fosse apenas de CGI, mas que tinha uma constituição corporal que impossibilitava que fosse interpretado por algum ator. Em meio a isso, Andy Serkis surge como o primeiro grande nome da técnica de captura de movimento (mocap) juntando atuação e CGI de uma forma revolucionária e que possibilitou o surgimento de outros filmes incríveis com a técnica, como a nova franquia Planeta dos Macacos, na qual o próprio Serkis interpreta o principal macaco, Caesar.

O primeiro filme, O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel, está disponível no catálogo do HBO GO e do NOW. Também pode ser alugado no Looke e comprado no iTunes e na Play Store, além de estar disponível para aluguel ou compra na Microsoft Store.

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