Governo pede suspensão de filme da Netflix após acusações de pedofilia

Por Beatriz Vaccari | 22 de Setembro de 2020 às 19h15
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Após diversas acusações de pedofilia nas redes sociais ao filme Lindinhas, que estreou com exclusividade na Netflix, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos pediu a suspensão e investigação sobre sua distribuição no Brasil. O pedido foi encaminhado à coordenação da Comissão Permanente da Infância e Juventude (Copeji), justificando que o longa possui "conteúdo pornográfico envolvendo crianças".

De acordo com o ministério, no ofício assinado pela Secretaria Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente, o secretário Maurício Cunha declarou que Lindinhas possui como pano de fundo "o fascínio pela dança, a busca pela liberdade, o desenvolvimento da identidade sexual e o conflito em relação a tradição religiosa de sua família."

"No entanto, de acordo com Cunha, o filme apresenta pornografia infantil e múltiplas cenas com foco nas partes íntimas das meninas enquanto reproduzem movimentos eróticos durante a dança, se contorcem e simulam práticas sexuais. O roteiro, segundo ele, pode levar à normalização da hipersexualidade das crianças em produções artísticas", informou em comunicado, segundo a Agência Brasil.

Além da suspensão do filme no Brasil, o governo pede a apuração da responsabilidade pela oferta e distribuição, destacando que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê como crime o ato de "vender ou expor à venda, vídeo ou outro registro que contenha cena pornográfica envolvendo criança e adolescente, punível com reclusão de quatro a oito anos e multa".

Em conteúdo para a plataforma, diretora do filme conta que se inspirou em si mesma para criar a protagonista (Imagem: Reprodução/Netflix)

Lindinhas tinha sido exibido no Festival de Sundance este ano e agradado boa parte do público, o que fez a Netflix se interessar e adquirir os direitos do longa para distribui-lo globalmente. Na plataforma, possui classificação indicativa para 16 anos, com uma trama envolvendo garotas de apenas 11 anos, além do termo "conteúdo sexual" em suas palavras-chave.

À Agência Brasil, a Netflix informou que o filme é um "comentário social contra a sexualização de crianças", destacando sua premiação no festival de cinema. "É uma história poderosa sobre a pressão que jovens meninas enfrentam nas redes sociais e também da sociedade. Nós encorajaríamos qualquer pessoa que se preocupa com essas questões importantes a assistir ao filme", diz a nota.

Globalmente, a Netflix está sendo alvo de pedidos de boicote por conta da disponibilidade de Lindinhas no catálogo. Um abaixo-assinado foi criado no Change.org pedindo para que as pessoas cancelassem a assinatura, além das hashtags #CancelNetflix e #Pedoflix atingirem os assuntos mais comentados do Twitter na semana passada.

Fonte: Agência Brasil

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