Estudo aponta para nova teoria sobre a origem da Lua

Por Redação | 13 de Setembro de 2016 às 10h25
photo_camera ESA

A revista Nature publicou um estudo que pode revelar detalhes sobre a relação da Lua com a Terra - e alguns deles bem inesperados. Até recentemente, pesquisadores acreditavam que a Lua surgiu de destroços resultantes de uma colisão de pequeno impacto entre a Terra e um outro corpo celeste mais ou menos do tamanho de Marte. Acreditava-se que tal corpo havia apenas "raspado" na Terra, mas agora os pesquisadores apontam que o impacto foi mais "como uma marreta atingindo uma melancia".

A antiga teoria de que ela foi formada por restos da colisão explica o tamanho atual do satélite, mas testes realizados com pedras lunares revelam algo a mais. "Nós ainda estamos medindo novamente as amostras coletadas pelo programa Apollo na década de 70, pois a tecnologia se desenvolveu bastante nos últimos anos. Nós podemos avaliar diferenças muito pequenas entre a Terra e a Lua. Nós encontramos uma série de coisas que não vimos na década de 70", disse Kun Wang, um dos autores do estudo ao Gizmodo. Wang é também professor assistente da Washington University e disse que o modelo antigo não dá conta de explicar o que foi observado recentemente.

Nas novas análises químicas, os pesquisadores encontraram compostos isotópicos quase que idênticos. Uma série de testes foi realizada para tentar encontrar diferenças nas assinaturas dos isótopos, e finalmente encontraram uma que aponta para uma origem ainda mais conectada. As assinaturas dos isótopos eram iguais, com exceção de uma que marcava uma concentração de potássio muito alta e que requer altíssimas temperaturas para ser separada. Tal descoberta fez os pesquisadores acreditarem que tal colisão entre a Terra e esse outro corpo celeste tenha sido tão violenta que foi capaz de gerar tal temperatura. Com o aumento da temperatura e o choque intenso, o corpo celeste e a Terra tiveram grande parte de sua extensão vaporizada. Antes de se resfriar e se condensar na Lua, o vapor gerado pelo impacto se expandiu em uma área 500 vezes maior que o nosso planeta.

"O impacto gigante por si só deveria ser chamado de impacto extremamente gigante. A quantidade de energia necessária não é nem próxima [do que imaginávamos]", disse Wang.

As novas descobertas não alteram a concepção de como a Lua foi formada, mas apontam para um sistema solar mais volátil. "Tudo o que sabemos sobre o início do sistema solar vem de nosso estudo de amostras lunares e de meteoritos (...) Isso mudou nosso entendimento de como era o sistema solar, e parece que ele era muito mais violento do que pensávamos", disse Wang.

As amostras de pedras lunares recolhidas pelo programa Apollo continuarão a ser estudadas na intenção de encontrar novas pistas. Os cientistas acreditam que ainda há muito a ser descoberto com a ajuda dessas pequenas amostras.

Fonte: Gizmodo

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