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Crítica Som da Liberdade | Drama conta uma história que merece ser ouvida

Por| Editado por Jones Oliveira | 19 de Setembro de 2023 às 20h05

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Angel Studios
Angel Studios

Um dos filmes mais polêmicos de 2023 finalmente chegará aos cinemas brasileiros. Trata-se de Som da Liberdade, um longa do diretor mexicano Alejandro Monteverde que mescla drama com ação para contar uma história potente e extremamente dolorosa. Por ser considerado um filme cristão e por apresentar uma trama baseada em fatos reais cuja veracidade vem sendo questionada, a obra dividiu a opinião do público e da crítica. Mas, a verdade inegável é que o enredo conta uma tragédia que carece de atenção.

Em resumo, a obra de Monteverde se debruça sobre as máfias que sequestram e traficam crianças para exploração sexual. Os protagonistas são dois irmãos — Miguel de oito anos e Rocío de aproximadamente dez — que são arrancados da família por meio de uma promessa falsa de um contrato artístico. Com isso, eles são levados de Honduras para o México e para a Colômbia a fim de se tornarem escravos e reféns de homens repugnantes.

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Aqui vale dizer que o filme poupa o espectador e não faz uso de imagens explícitas. Tudo fica subentendido, mas é o suficiente para despertar sentimentos de repulsa, nojo, raiva e compaixão em quem assiste.

Voltando ao enredo, por sorte Miguel é encontrado por Tim Ballard (Jim Caviezel), um policial honesto que dedica sua vida a encontrar e prender pedófilos e que, ao ver a dor do menino clamando por sua irmã, decide largar tudo e ir em busca dela. Até esse ponto, a história convence e agrada, mas começa a derrapar quando cria um drama excessivo para comover o público.

A escolha do diretor não é das melhores, visto que a trama em si já traz uma boa carga de tristeza. Por isso, não é preciso criar tomadas exageradas para arrancar lágrimas do espectador. Ao tomar esse caminho, corre-se o risco de cair no ridículo. Um exemplo que ilustra bem esse erro são as cenas em que o protagonista tem que chorar.

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Caviezel não consegue se entregar em cena e todas as vezes parece fazer uso de um colírio para deixar que apenas uma única lágrima escorra do seu olho esquerdo. Ficou artificial e até os mais desatentos irão notar essa falha.

Deixando esses detalhes de lado, o filme agrada no ritmo, pois apesar de ter mais de duas horas de duração, não permite que a história fique monótona. Há também boas cenas de ação, embora o drama prevaleça.

A veracidade de Som da Liberdade

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Se a sinopse e o ritmo do filme cristão agradam, a veracidade fica em xeque em vários momentos. Isso porque, na segunda metade, o protagonista — que já era apresentado como um herói loiro e estadunidense — consegue sozinho entrar em uma ilha cheia de homens armados, resgatar Rocío e sair de lá ileso.

Mesmo que algo parecido tenha acontecido ao verdadeiro Tim, que foi agente especial do governo dos Estados Unidos, ficou claro que ele e os roteiristas do filme florearam bastante a história para que ele saísse como um mocinho implacável. Já o viés religioso tão comentado pela mídia não incomodou.

Há algumas referências a Deus, mas a culpa católica e a doutrinação evangélica, felizmente, não aparecem. Tampouco aparece nada minimamente relacionado à QAnon, uma suposta seita criada por adoradores de Satanás, pedófilos e canibais que traficam crianças com o objetivo de extrairem um hormônio que é produzido por meio da tortura.

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Em linhas gerais, o filme é bem escrito e bem desenvolvido e consegue acertar em cheio no drama. Até os mais durões irão se comover com essa realidade tão horrível presente na nossa sociedade.

O erro ficou no excesso, mas as atuações agradaram, especialmente da dupla Lucás Ávila e Cristal Aparicio que vive os irmãos sequestrados, e de Bill Camp (O Gambito da Rainha), que dá vida ao mafioso bonzinho Vampiro. Caviezel, no entanto, não chamou atenção e poderia ter projetado melhor a voz.

Ainda que com erros e com muita polêmica envolvida, Som da Liberdade conseguiu se firmar como um bom drama baseado em fatos reais e horrendos. Quem quiser assisti-lo já pode preparar os lencinhos e correr para os cinemas.