Crítica | Mortal Kombat Legends: A Vingança de Scorpion reinicia bem a franquia

Crítica | Mortal Kombat Legends: A Vingança de Scorpion reinicia bem a franquia

Por Claudio Yuge | 13 de Maio de 2020 às 18h00
Warner Bros

Quando Mortal Kombat apareceu pela primeira vez nos arcades, em 1992, era basicamente um clone sofisticado do então hit da época Street Fighter II. A grande diferença eram os gráficos digitalizados a partir de atores reais, algo que Pit Fighter já havia feito com sucesso; e, claro, os icônicos Fatalities. No final das contas, o título agradou. Contudo, a trama geral, assim como o passado e motivações dos personagens, precisavam de mais estofo.

Ao longo das décadas, essas lacunas foram sendo preenchidas aos poucos, mas ainda faltava unidade. É aí que entra Mortal Kombat Legends: A Vingança de Scorpion, lançado nesta semana em plataformas de vídeo sob demanda. O filme é uma ótima reintrodução à toda da mitologia da franquia, e, como o nome indica, o foco é em Scorpion. Abaixo, o Canaltech destaca o que a novidade tem de bom e no que ela pecou.

Atenção! O texto pode conter spoilers leves sobre Mortal Kombat Legends: Scorpion’s Revenge.

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O clássico original de 1992 (Reprodução/Midway)

A vontade de expandir o universo de Mortal Kombat fora dos games vem de longa data. A primeira adaptação para o cinema, de 1995, até foi bem recebida e é considerada um clássico pelos veteranos. Entretanto, sequências sofríveis, tanto nos consoles quanto nas telinhas — incluindo a animação Mortal Kombat: Os Defensores da Terra —, causaram certo desinteresse entre os fãs.

Somente depois que a Warner Bros adquiriu a franquia, em 2011, é que ela voltou a ser relevante. A Netherealm abraçou de vez o humor ácido e a ultraviolência banalizada e passou a construir melhor todo o universo de Mortal Kombat, reposicionando os personagens e suas conexões com os eventos de cada novo lançamento. Embora tenha patinado bastante até meados dos anos 2000, a partir de Mortal Kombat vs DC Universe, de 2008, a série engrenou. Novas e equilibradas mecânicas de combate, refinamento visual e cuidado especial aos efeitos sonoros recolocaram o game de volta aos trilhos. As edições mais recentes, Mortal Kombat X, XL e 11, são sucessos absolutos. Então, já era hora de revisitar toda a mitologia e contá-la novamente, de maneira organizada, para a próxima geração.

Mortal Kombat Legends: A Vingança de Scorpion traz Hanzo Hasashi e seu filho Satoshi caindo em uma emboscada do clã rival de Lin Kuei. Depois de ver sua família assassinada, Hasashi busca o caminho da vingança e se torna o combatente Scorpion. Em meio a tudo isso, vemos o Lorde Raiden mais uma vez reunir os campeões da Terra para enfrentar os oponentes escolhidos por Shang Tsung — se as forças de Shao Khan vencerem o torneio Mortal Kombat mais uma vez, suas tropas têm o direito de invadir a Terra.

Animação sem muita personalidade, mas com ótima dublagem

O estilo do desenho segue o padrão ocidental, contudo algumas sequências de ação buscam a urgência dos animes. Isso é compreensível, pois assim você agrada um público mais amplo, já que os desenhos japoneses fazem sucesso no Ocidente há décadas. O resultado é eficiente, mas fica um pouco genérico, sem uma “cara própria”.

Reprodução/Warner Bros

Por outro lado, essa limitação é compensada pelo belo trabalho da equipe de dubladores formada por veteranos da franquia. Patrick Seitz, que também dublou Scorpion nos games Mortal Kombat vs. DC Universe e Mortal Kombat X, retorna ao personagem. E não somente ele: vários atores de Mortal Kombat 11 fazem parte do elenco desta animação, mas em papéis diferentes.

Dave B. Mitchell, que interpretou Geras e Sektor, e Ike Amadi, que interpretou Shao Khan e Cyrax em Mortal Kombat 11, por aqui são Raiden e Jax, respectivamente. E Kevin Michael Richardson, que foi o Goro na primeira adaptação, lá em 1995, volta para o mesmo papel — um mimo para os fãs de longa data. E muita gente vai se divertir à beça com os famosos gritinhos de Liu Kang.

Banho de sangue e comédia

Um dos maiores méritos dos últimos games foi transitar entre os momentos de humor e da violência exagerada, que fazem com que os próprios críticos ao banho de sangue não levem tudo tão a sério. E isso é mantido em Mortal Kombat Legends: A Vingança de Scorpion. Aliás, fica a dica: o conteúdo é completamente impróprio para a criançada.

Você vai ver todo o tipo de mutilação, ossos quebrando, litros e litros de mais sangue e pitadas de humor, principalmente vindos de Johnny Cage. O diretor Ethan Spaulding, que já passou por produções bem-sucedidas, a exemplo de Liga da Justiça: Trono de Atlantis e Batman: Ataque ao Arkham, encontrou um belo equilíbrio entre os momentos de narrativa, as sequências de pancadaria e o alívio cômico.

Os famosos "raios-x" dos games também dão as caras na adaptação (Reprodução/Warner Bros)

Pela primeira vez, talvez entre muitas adaptações de games, vemos muitos dos movimentos especiais que os jogadores podem fazer com os controles traduzidos de uma maneira divertida, fiel e funcional. Você vai ver vários daqueles close-ups em fraturas e os “golpes assinatura”, a exemplo dos poderes gelados de Sub-Zero e dos chutes múltiplos de Liu Kang.

Um bom mix de personagens

Além de Scorpion e Sub-Zero, a história é toda centrada no trio Liu Kang, Sonya Blade e Johnny Cage. É claro que há a participação de vários outros personagens, como Raiden, Kitana, Kano, Goro, Baraka, Quan Chi, entre outros; mas o foco é mesmo nos cinco primeiros citados anteriormente. E quem se destaca no espetáculo é o lutador norte-americano.

Johnny Cage é o responsável pelas passagens mais divertidas, enquanto Liu Kang mantém a mitologia de toda a trama caminhando, sob as auras do misticismo e das artes marciais. Já Sonya traz o poder feminino e também é o “coração” da história. O relacionamento entre ela e Cage rende boas risadas e pancadaria de qualidade.

Cage, Sonya e Kang (Reprodução/Warner Bros)

Com o belo trabalho de dublagem, a química do trio funciona bem e Spaulding fez uma excelente escolha ao usar esses personagens para conduzir grande parte da trama. Se o filme se concentrasse apenas na trajetória de Scorpion, correria o risco de se tornar monótono e desperdiçaria tudo o que a Netherealm construiu nos últimos anos.

Além disso, fique de olho em detalhes ao longo do filme, pois você vai encontrar vários easter eggs — que já fazem tradição de toda a trajetória de Mortal Kombat.

Vale a pena?

Mortal Kombat Legends: A Vingança de Scorpion tem tudo o que os fãs mais gostam na franquia — e a presença de Ed Boon, o criador do game, como consultor criativo, tem tudo a ver com isso. A animação reposiciona os elementos centrais dos mundos de Mortal Kombat, assim como as características básicas de cada um dos seus principais lutadores.

Reprodução/Warner Bros

É uma boa pedida para os veteranos e uma ótima introdução para os novatos. O filme tem 1h20 de duração e está disponível para aluguel ou compra na Google Play, no Looke, na Microsoft Store e no iTunes.

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