Crítica | Invasão Zumbi 2 passa longe do primeiro, mas diverte de tão ruim

Por Laísa Trojaike | 06 de Setembro de 2020 às 08h00
Next Entertainment World

Não é absurdo dizer que quem estava esperando por Invasão Zumbi 2 eram justamente as pessoas que haviam gostado do primeiro filme, um interessante drama sobre família e relações pessoais, sobre egoísmo e solidariedade, com o diferencial de ser ambientado no princípio de um apocalipse zumbi. O primeiro filme foi claramente feito com um orçamento reduzido e acabou não sendo tão prejudicado por ser em grande parte desenvolvido no ambiente fechado e pequeno de um trem. No segundo filme, o orçamento aumentou devido ao sucesso do antecessor, mas a sensação é que cada centavo foi bastante mal-empregado. Antes de desistir de ver o filme por causa desse comentário, vale lembrar que nem todo filme ruim é ruim de ver.

É difícil entender como o elogiadíssimo Invasão Zumbi (2016) se transformou em um trash no nível dos filmes de Alexandre Aja: entretenimento de qualidade duvidosa, do tipo que (geralmente) apenas fãs de terror trash conseguem gostar e encontrar qualidades. Invasão Zumbi 2 é tão ruim, tão desnecessariamente melodramático, que se torna cômico. Por outro lado, as mentes criativas por trás do filme absorveram bons ensinamentos de outros filmes e aplicaram com sucesso nos seus zumbis, como ao lidar com o som da mesma forma que Um Lugar Silencioso (2018).

Invasão Zumbi 2 parece querer ser grandioso, uma ação de horror no estilo de Guerra Mundial Z, e também parece ter tido uma decupagem mais ou menos amadora, como se fosse possível ver o diretor e a equipe conversando sobre qual filme utilizar como referência aos moldes dos recém-formados em cinema, um meio-termo inocente entre a referência e a cópia.

Atenção! A partir daqui, a crítica pode conter spoilers.

Patchwork

Invasão Zumbi 2 parece ser composto de diversas pequenas homenagens. O início é bastante tranquilo e não denuncia muito, na verdade é bastante genérico no que diz respeito a filmes de zumbi, mas não demora muito para que as referências exageradas comecem a surgir. Se antes apenas os zumbis lembravam um pouco Guerra Mundial Z (2013), o novo filme eleva ao máximo a referência com a inserção de um protagonista de ação badass que tem como meta salvar famílias (além de que em ambos os filmes os personagens buscam salvação em embarcações).

Imagem: Next Entertainment World

Invasão Zumbi 2 não chega a abandonar o drama, mas exagera tanto nessa parte que chega a tornar hilários os momentos que deveriam extrair lágrimas. Quanto ao resto, é um típico filme de ação, com personagens claramente divididos entre bons e maus e muitas, muitas cenas de ação. As sequências de ação, no entanto, estão divididas, no que diz respeito à montagem e à direção, entre Velozes & Furiosos, quando o intuito é mostrar o quão pilotos são os personagens, e Mad Max: Estrada da Fúria, para retratar a insanidade dos que não conseguiram sair da península.

As referências não conseguem ser apenas referências, porque são utilizadas por muito tempo, tornando-se parte da abordagem do diretor. Não chega a ser cópia, porque é notável a paixão pelas referências. Tampouco evolui para o pastiche, como faz Quentin Tarantino. Tudo isso agrega bastante para que o filme se torne péssimo, já que nada parece original e o próprio roteiro é bastante raso ao entregar uma história sem muitas nuances, como o primeiro filme.

Imagem: Next Entertainment World

O ruim que é bom

Tudo isso (e mais um pouco) é o suficiente para fazer de Invasão Zumbi 2 um filme esquecível, mas como ele é tecnicamente tão bom quanto seu roteiro e direção, ganhamos um maravilhoso trash acidental de presente. Os personagens são cativantes ao nível caricato e é possível que o espectador se pegue torcendo pela morte de (quase) todos.

Um dos aspectos mais confusos é a fotografia, encarregada principalmente de deixar os ambientes amarelos e de criar uma noite que parecia dia. Em alguns momentos, a fotografia noturna (que claramente é uma noite americana, ou seja, uma cena noturna gravada à luz do dia) é tão clara que é difícil lembrar que os zumbis não enxergam no escuro e que é por isso que os personagens não estão sendo atacados pelos mortos-vivos.

Imagem: Next Entertainment World

Mesmo com todos os defeitos, Invasão Zumbi 2 não é exatamente um filme descartável. É divertido o modo como o filme foi feito com paixão, como as referências são explícitas como uma fratura exposta e como o CGI não contribui em nada para melhorar o que já estava ruim. A somatória de defeitos é um filme muito divertido e que teria sido ainda melhor se tivesse abraçado o gore. Infelizmente, é provável que a série de não passe do segundo capítulo. Se a queda de qualidade fosse idêntica à que vimos do primeiro para o segundo filme, um terceiro Invasão Zumbi seria o The Room dos filmes de zumbi.

Em resumo: é tão ruim que adorei.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Canaltech

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