Crítica Hotel Transilvânia: Transformonstrão | Um encerramento bem fim de festa

Crítica Hotel Transilvânia: Transformonstrão | Um encerramento bem fim de festa

Por Beatriz Vaccari | Editado por Jones Oliveira | 17 de Janeiro de 2022 às 15h30
Sony Pictures Animation

Quando Hotel Transilvânia foi lançado em 2012, houve um consenso sobre o longa não ser uma animação brilhante, porém ter os elementos de comédia corretos para entreter o público infantil — e foi exatamente o que aconteceu para alongar a franquia. Uma década depois, a saga se encerra com bastante sucesso e quebrando o formato de trilogias com Hotel Transilvânia 4: Transformonstrão, que pulou a exibição nos cinemas e estreando no Amazon Prime Video.

Uma das principais características da saga sempre foi o multiculturalismo gótico mesclado a uma paleta interessante de monstros desajustados e as formas como lidam uns com os outros, além de colocar a espécie humana com um certo grau de ameaça à comunidade monstruosa. Tudo isso baseado em contextos históricos e lendas urbanas.

Todos esses "ingredientes" sempre divertiram o público adulto, que naturalmente se senta ao lado das crianças na hora de acompanhar esses filmes, que têm a comédia pastelão o suficiente para intrigar e divertir.

Essa universalidade sempre ocorreu por conta do toque de Genndy Tartakovsky, animador com passagem pela Hanna-Barbera e vencedor do Emmy Award por Samurai Jack. O cineasta dirigiu os três primeiros longas do que hoje é uma das principais franquias da Sony Animation, mas abriu caminho para os pupilos Derek Drymon e Jennifer Kluska comandarem a despedida nas telonas.

Novo longa perde Adam Sandler no elenco de voz e Genndy Tartakovsky na direção (Imagem: Divulgação / Sony Pictures Animation)

Dito isso, é válido afirmar que a dupla de cineastas faz um trabalho regular na direção de Transformonstrão, mas entregar o bastão de algo que foi comandado pela mesma pessoa por quase uma década é um tanto arriscado. No novo capítulo, nos deparamos com as tiradas de comédia e as dinâmicas entre os personagens que nos ganharam nos primeiros três filmes, além de toda a atmosfera de aventura que acaba sendo construída por conta do roteiro de Amos Vernon, Nunzio Randazzo e Genndy Tartakovsky — tudo isso ainda está lá, mas é fácil dizer que falta aquele tempero, aquele que de fato torna a série de filmes envolvente.

Como se não bastasse, em Hotel Transilvânia 4 também perdemos a performance de Adam Sandler no elenco de voz original. O ator, um dos principais nomes dos filmes de comédia deu literalmente um show interpretando o protagonista Drácula nos primeiros três filmes, mas cuja despedida acabou ficando para Brian Hull. Embora o novo protagonista execute seu trabalho com um carinho e dedicação bem nítidos, ainda não chega aos pés do que foi seu antecessor. Para uma franquia animada, que tem na atuação de voz um de seus principais pontos, perder o intérprete do protagonista acaba impactando bastante o filme.

Os papéis invertem-se no novo Hotel Transilvânia: Transformonstrão (Imagem: Divulgação / Sony Pictures Animation)

Alguns dirão que a série apenas perdeu seu fôlego, no entanto o que acontece em Hotel Transilvânia 4 é justamente essas mudanças dos bastidores acabarem respingando na tela, mesmo que não haja intenção nenhuma de fazê-las. Mas uma coisa é fato: o humor característico que atraiu tantos fãs para a saga em 2012, as caras e bocas exageradas e os momentos singulares de cada um dos personagens; além de toda a atmosfera animada "de terror" que as crianças tanto amaram desde o início da história continuam lá.

Tudo isso é mesclado à uma tentativa (bem-sucedida, por sinal) de fazer um Sexta-feira Muito Louca numa versão animada e monstruosa. A dinâmica, tanto pela desenvoltura dos personagens quanto pelo fato de seguir uma fórmula de sucesso, acaba rendendo bons momentos e divertindo, e ainda carrega o clima de despedida para dali a uma hora e meia.

No novo capítulo, Johnny transforma-se num monstro, enquanto Drácula vira um humano (Imagem: Divulgação / Sony Pictures Animation)

Selena Gomez segue excelente como Mavis, apesar de seu papel não ter tanta atenção durante os dois primeiros atos da obra; Kathryn Hahn e Andy Samberg, que vivem os personagens Ericka e Johnny, respectivamente, também se divertem em suas interpretações e deixam carinho e saudade para uma aventura que agora se encerra.

"É hora de iniciar um novo capítulo", comenta Dracula nos 20 minutos finais de Transformonstrão, referindo-se ao ato de passar a poderosa e grandiosa chave de seu querido hotel para as mãos da filha e do genro. Para bom entendedor, a fala basta: Hotel Transilvânia chega ao fim por agora e, de certo modo, é uma pena que essa despedida que sela os 10 anos da série animada não possa ser celebrada nas telonas por conta das complicações causadas pela pandemia da covid-19, mas que com certeza deixará marcas para as crianças que, assim como Mavis, Johnny e até mesmo Drácula, cresceram e amadureceram junto a esses personagens.

Franquia animada encerra-se com gostinho de saudade (Imagem: Divulgação / Sony Pictures Animation)

Hotel Transilvânia 4: Transformonstrão está disponível no Amazon Prime Video.

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.