CCXP19 | Castelo Rá-Tim-Bum comemora relevância mesmo após 25 anos

Por Beatriz Vaccari | 06 de Dezembro de 2019 às 10h52

A CCXP19 começou nesta quinta-feira (5) com um painel dedicado aos 25 anos de Castelo Rá-Tim-Bum no Auditório Cinemark XD. O artista homenageado do evento foi Cao Hamburger, criador do universo que marcou uma geração inteira. “Ele ainda é muito atual”, comentou o artista, referindo-se aos assuntos retratados na série. “As câmeras na época eram muito antigas, mas o dinamismo do programa é muito atual”.

A plateia do auditório assistiu a um pequeno trecho do primeiro episódio de Castelo Rá-Tim-Bum, quando Nino espia Zeca, Biba e Pedro. Marcelo Forlani, que mediou o painel, comentou sobre algumas cenas serem consideradas assustadoras para crianças. “Fazer produto para criança não é necessariamente ser fofo ou leve, criança gosta de emoção”, comentou Hamburger.

Castelo Rá-Tim-Bum, de 1994, é anterior a Harry Potter, mesmo que muito parecido. “Vieram canais americanos atrás dos direitos do programa”, revelou o criador da atração, relembrando da semelhança entre o bruxo criado por J.K. Rowling e Nino.

Sobre a tecnologia utilizada na série, o criador falou sobre as dificuldades do episódio-piloto. “Foi filmado como um cinema, utilizamos só uma câmera, então demorou para gravar. Outras técnicas utilizadas foram maquetes, pintura em vidro...”. Mais tarde, ele relembrou da icônica cena do Ratinho, com uma música que marcou a infância de uma série dos que hoje são adultos. “Eu trabalhei com animação antes do Castelo, principalmente com stop-motion, e quis levar essa técnica para a série”.

Expectativas para o sucesso

Quando questionado sobre Flavio de Sousa, cocriador da atração, Cao Hamburger comenta que Castelo Rá-Tim-Bum não foi uma primeira tentativa.

“Demorou mais de um ano, e para chegar ao formato nos criamos dois programas antes”, explicou sobre os chamados Programa Rá-Tim-Bum e Mundo Encantado, que acabou não indo para frente pelo valor de produção. “Era um programa caro, a produção barrou”, relembra. “Tinha um castelo que eu acabei pegando para o outro programa. Foi um processo longo que resultou num clássico”.

”É prever o sucesso, durante a gravação a gente sentia uma coisa legal porque todo mundo gostava”, comentou o criador sobre as gravações. “Sabíamos que era forte mas não dava para prever. Quando foi para o ar, no dia seguinte a gente sabia que daria certo”, finalizou

Os programas infantis e a tecnologia

“Tem muita coisa legal sendo feita no Brasil nos canais a cabo, a TV aberta diminuiu a produção de programa infantil infelizmente”, lamenta o criador de Castelo Rá-Tim-Bum. Referindo-se à Galinha Pintadinha, animação que surgiu no YouTube, Cao comenta: “Estamos vivendo uma revolução nunca antes vista que a gente não sabe onde vai, a programação infantil está junto.”

Os personagens e o cenário atual brasileiro

Após a plateia assistir a uma cena de Morgana, Hamburger comentou sobre a família de bruxos: “O Castelo é tudo que há de bom: arte, cultura, entretenimento... os vilões que destruiriam ele hoje são mais maléficos que o Dr. Abobrinha. A família de Morgana sofreria hoje mais preconceitos.”

Questionado sobre como a produção de conteúdo pode contribuir para a educação no país, ele cravou: “Num país como o Brasil, a educação é muito carente, quando um programa acerta no entretenimento e na educação é muito bom. A educação não depende do entretenimento.”

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