O mundo não foi feito para as mães

Por Renato Ribeiro | 19 de Março de 2020 às 13h00
Unsplash

*Por Maysa Manoela Siqueira Melo

Todos já conhecem essa frase: ser mãe é padecer no paraíso. Isso revela o quão sobrecarregadas socialmente são as mães, muitas delas solos, que precisam trabalhar e de renda para sobreviver. Digo sobreviver porque a maioria dessas pessoas não vive. Sobrevive do tempo que quase não sobra no fim do dia, das madrugadas com atenção ao bebê, seja amamentando, acolhendo quando há choro ou para olhar o bebê respirar mesmo.

Ocorre que, depois dessa noite mal dormida, com dor na lombar pela amamentação, essa mãe tem de estar plena para trabalhar e cumprir outras obrigações. Significa estar bem vestida, maquiada, sorrisão no rosto, raciocínio esplêndido e batendo todas as metas. No fim do dia buscar o bebê na creche, dar um “grau na casa”, ninar, porque cuidar do filho é obrigação e “quem pariu que o embale”. Frase violenta que representa abandono e solidão na maternidade.

“Mas sempre foi assim”, familiares e amigas acalentam. Quando se é empreendedora as horas de trabalho só aumentam. No meu ramo de assessoria de imprensa e comunicação praticamente não existe trabalho das 8h às 18h. Em muitos dias lá se vão 12, 15 horas de trabalho. Por isso, amamentar depois dos 6 meses de licença maternidade é desafio. Voltei às atividades do meu negócio com 2 meses de parida. Minha sócia segurou o tranco no período. Mas tive que levar o bebê na cobertura de eventos.

Segundo a OMS, o principal alimento do bebê até um ano de idade é o leite materno ou a fórmula. Me conte qual repartição pública ou empresa possui sala para amamentação e ordenha com condições adequadas de higiene e acondicionamento do leite no Brasil. Um dia desses amamentei num puff de experimentar sandálias em um supermercado porque não havia lugar nem para sentar. É um direito da criança com prerrogativa constitucional (lei promulgada em 2019).

É essa visão de “padecer no paraíso” que precisa mudar. Somos mulheres, empreendedoras, consumidoras! Somos, principalmente, mães e merecedoras de um novo olhar da sociedade. Precisamos de lugares com novos conceitos, que pensem nas mães. Precisamos de espaços práticos e menos masculinizados. Locais que possam ser frequentados por mães de forma completa. Quem vai dar o primeiro passo?

*Nota: Em especial ao mês da mulher, o colunista convidou uma mulher empreendedora e mãe, para contar um pouco sobre a sua rotina.

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.