Conheça o projeto que leva mais mulheres negras ao Vale do Silício

Por Natalie Rosa | 27 de Fevereiro de 2020 às 15h25
Reprodução

A representatividade é importante em todos os setores, principalmente naqueles que são comandados, em sua maioria, por homens brancos. Felizmente, de acordo com a série de artigos Into the Valley, do OneZero, que conta um pouco sobre a vida de quem trabalha no Vale do Silício, local que abriga algumas das maiores companhias de tecnologia do mundo, o cenário de predominância masculina está mudando.

A publicação destaca a história de Stephanie Lampkin que, após 14 anos trabalhando com tecnologia, decidiu em 2016 criar uma ferramenta chamada Blendoor, que visa mitigar preconceitos enraizados na hora da contratação, além de um projeto que tem o objetivo de ajudar mulheres negras empreendedoras a arrecadarem mais investimentos: o Visible Figures.

O artigo ainda mostra em dados como mulheres negras costumam ser mal representadas no mundo da tecnologia. Segundo uma pesquisa realizada pela organização não-governamental digitalundivided, que apoia a carreira de mulheres latinas e negras, startups que possuem negras como fundadoras arrecadam, em média, US$ 36 mil em financiamento, com apenas 12 delas acumulando pelo menos um milhão de dólares.

Em comparação com outras startups, dados obtidos pela empresa de pesquisas CB Insights descobriu que até as empresas que falham, mas que não têm como líderes mulheres negras ou latinas, conseguem acumular US$ 1,3 milhão em média. Um dos exemplos citados aconteceu com a Juicero, startup de máquinas de suco, que faliu mesmo acumulando US$ 100 milhões.

Stephanie Lampkin (Imagem: Reprodução)

Enquanto isso acontecia, Lampkin diz ter conhecido na época, em 2016, várias mulheres negras que fundaram empresas de tecnologia e saúde que estavam motivadas a resolver grandes problemas que afetam o mundo, mas sem a chance de obter um capital. "Eu senti como se estivesse implorando por dinheiro, mentoria e recursos. Com o calibre daquelas mulheres, os outros eram quem deveriam aparecer e nos implorar", conta a empresária.

Com o Visible Figures, então, mulheres negras podem compartilhar dicas e recursos para mergulhar no Vale do Silício, basicamente funcionando como um clube exclusivo para elas. O nome do projeto foi dado em referência ao filme Hidden Figures (Estrelas Além do Tempo), que conta a história de três mulheres negras que trabalharam na NASA nos anos 1960.

O projeto se iniciou como uma lista privada (Listserv) em 2016, com Lampkin convidando mulheres negras fundadoras de startups de tecnologia para compartilhar dicas para conseguir financiamentos, contratações, além de acesso a eventos e organizações que, em sua maioria, são dominados por homens não-negros. Nessa comunidade, que segue firme e forte até hoje, as mulheres membros podem se dar prêmios, feedbacks ou ainda investir e recomendar programas de aceleração para o benefício dessas empresas que estão surgindo.

Resultados

A chegada do Visible Figures fez com que os investimentos em empresas fundadas por mulheres negras aumentassem consideravelmente. Segundo informações do digitalundivided, entre os anos de 2015 e 2017, o número de empresas lideradas por mulheres negras aumentou de 88 a 227, com o total arrecadado de investimento passando de US$ 50 milhões para US$ 250 milhões.

Ainda durante este período, 22 mulheres negras conseguiram arrecadar um milhão de dólares ou mais em financiamento de risco. Os resultados são satisfatórios, mas ainda precisa de muito para se igualar à realidade geral. O arrecadado por essas empresárias negras representam apenas 0,0006% dos US$ 424,7 bilhões investidos em startups entre os anos de 2009 e 2017.

Atualmente, o Visible Figures conta com mais de 100 membros, com previsão de crescimento em curto prazo.

Fonte: OneZero

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